quarta-feira, 01 de março de 2006
Geri World
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|| Tradução de "If Only" ||

If Only

1
AMOR, BEIJOS E PROMESSAS QUEBRADAS
Lee e Chistopher estavam na cozinha debatendo quem ia me conquistar.
Estávamos nos 12 anos de Shona escutando "Move Closer" de Phyllis Nelson e "Cherish" de Cool e The Gang.
Lee havia sido meu namorado. Estávamos na mesma classe da escola primária. Nessa idade só sentia atração por ele. Eu vestia um "mini" verde e quando me olhei no espelho pensei:
_Sim, realmente estou sexy hoje!
Comecei a sair com Darren. Era um dos garotos rebeldes, realmente mal.
Então minha amiga Tina começou a sair com Lee, eu queria que envolvesse comigo, e isso causa um pouco de tensão.
Desde a cozinha escutei que Cristopher dizia: "Vou sair com Geri". E esta linguagem "sair" significa "BEIJAR COM LÍNGUA". "Não, você não, eu vou sair com Geri" disse Lee.:
_Eu disse primeiro.
_Ela saía comigo.
_Mas ela não é sua namorada agora.
_Sim que es... em...
_Você terminou com ela.
_Bem, é igual, ela é mais minha do que sua.
A conversa ía totalmente absurda. Não esperava que meu primeiro beijo fosse premeditado porquê isso quitaria toda a magia. Eu pensava que isso tinha que acontecer naturalmente. Igualmente elegí a Cristopher. Shona disse que rolaria se não elegesse a ele. Cristopher e eu nos sentamos no sofá. Lembro ter visto Lee fora do ângulo da minha visão para então Christopher colocar suas mãos nos meus seios. Eu imaginei que ele ficaria bastante desapontado porque eu não estava usando sutiã para ele desenganchar e nada para ele pegar. Ele foi na intenção de tirá-lo. 'Eu não estou com sutiã, eu disse apologicamente.
Ele murmurou algo incompreensível e continuou me beijando.
Lee grudou em mim sua língua, sinalizando para Christopher fazer o mesmo. Eu estava chocada, minha boca travou e a língua dele dava voltas nos meus lábios como uma máquina de lavar. Eu tive que limpar o cuspe depois de tudo. Descobri mais tarde que Christopher contou pra todo mundo que eu tinha uma boca bem pequena. Eu fiquei bastante embaraçada.
No dia seguinte o vi na esquina do colégio me esperando. Shona e eu estávamos sentadas no umbral ajeitando as unhas, eu só queria que ele se fosse.
Eu vivia na minha casa em JUBILEE ROAD, WATFORD. Estava perto do supermercado Pakistaní que tinha máquinas de chiclete na porta. Não havia ninguém perto que te ajudaria geograficamente em meu vecindario. Haviam departamentos atrás do caminho, porém todas as casas eram similares. A única diferença que tinha minha casa com as demais, é que minha casa tinha uma garagem para um
só carro e acima da porta meu pai havia pintado: GARAGEM em letras pretas. Haviam três quartos em cima. Mamãe e papai dormiam na que dava para a rua e eu dormia no seguinte com Natalie que é três anos mais velha que eu.
Tínhamos uma beliche e eu dormia em cima. Nosso irmão Max, que é dois anos mais velho tinha um quarto para ele perto do jardim, na parte de trás.
Nós três tínhamos terríveis brigas nesse tempo: Max machucou o olho de Natalie com algo que tiró e outra vez machucou seu nariz. Eu era a mais nova, quando acontecia algo preocupante como o anterior, perguntávamos:"Vamos contar a mamãe?..., e colocávamos um papel que dizia SIM e outro NÃO em uma caixa. Não recordo que minha mãe estivesse muito tempo em casa. Ela sempre estava trabalhando limpando oficinas. Se levantava as 6 a.m. antes de que eu me levantasse. Eu vestia minha própria roupa e colocava rulos em meus cabelos, também fazia meu próprio almoço. As vezes me dava vergonha quando abria o pacote com a comida porquê olhava a dos outros garotos com almoços completos, e tinham mães que preparavam almoços especiais como ensaladas e coisa assim.
"Olá, bem-vindos a HOME&AWAY o programa diário para mães trabalhadoras e donas de casa. Hoje vou mostrar como fazer o sanduíche perfeito, é rápido e fácil, até seus filhos podem fazer. Primeiro precisas dos trozos de pão. Coloque um pouco de manteiga assegurando-se de espalhá-la bem hacia* nos cortados. Junte as duas partes, pressione e corte em forma triangular... Não é fácil?". Esta era minha parte de minha diversão, de meu show.
Todos tínhamos coisas a fazer depois da escola. Eu tinha que lavar o banheiro, Natalie limpava a sala de estar e os quartos. As vezes pensava que as outras crinças estariam brincando lá fora.
Um dos nossos jogos preferidos era o "RING RAJE" e também brincávamos dentro do carro de mamãe. Não tínhamos dinheiro. Minha mãe saía a dizer-me: _"Geri, não importa o que temos, você sempre está limpa e bem alimentada"_, e então começava a falar sobre o sacrifício que ela fazia:_Olhame, não tenho ido ao cabeleireiro por 7 anos, quando foi a última vez que saí? Não compro nada pra mim, nem vestidos, nem sapatos"_..., eu não escutava a mensagem, só me fixava em seu tom. Minha mãe é uma de 7 irmão, se chama Ana María Hidalgo e nasceu em uma pequena cidade perto de Huesca no norte da Espanha. Mi avô foi enviado a prisão e contrajo* matrimônio com uma guarda carcerária..., minha avó.
Cresci escutando essa história de meus avôs na Espanha. Em suas vidas estiveram cenas de romance, aventura e tragédia.
Minha mãe tinha um cabelo comprido e preto, uma bonita figura. Seu pai era só 5 cm mais alto que ela. Quando tinha 17 anos deixou sua casa para trabalhar em uma fábrica na Suiça, logo chegou a Londres, justo depois do seu aniversário número 21 e conheceu o meu pai. Ele a espiava enquanto ela caminhava pela rua e a seguia pra todos os lados. Posso imaginar o seu primeiro encontro.
Laurence Francés Halliwell era um vendedor de carros. Ele acho que tinha 44 anos e estava divorciado, mas não vem ao caso.
Meu pai, ele contou a minha mãe que sua primeira esposahavia morrido em um acidente de carro e que havia deixado dois filhos, Paul e Karen.
Ela descobriu a idade do meu pai 7 semanas depois de conhecê-lo, quando se casaram na oficina* do registro civil. Ana Maria tinha grandes ilusões com seu novo marido. Ela imaginava que seria rico, um homem de negócios..., pois estas eram falças expectativas. Laurence pode ser muito rico, pois sempre tinha um motivo para gastar dinheiro. Ele nasceu em Liverpool em 1922 e sua família se mudou pro norte de Londres quando era uma criança. Logo foi ser engenheiro e pode comprar seu próprio carro, pois ao mesmo tempo que se casou com minha mãe o dinheiro desapareceu e só pode comprar nossa casa em Jubilee Road.
Eu nasci em "Watford General Hospital", a 6 de agosto de 1972, ... "Está vindo?..., Não senhora Halliwell, não!...
Minha chegada a Jubille Road não foi motivo de festa. Eu era considerada como outra boca para alimentar. Mas lembro dessa época, estão cheios de imagens, sempre tiva a idéia de que quizá* estava com a família equivocada. Max e Natalie tampouco os negavam. Pelo contrário, eles dançavam ao redor de mim, como índios gritando: "Você é adotada, você é adotada!"
Quando nasci, papai tinha 50 anos, só pude lembrá-lo como um homem velho com asma tomando medicamentos o tempo todo. Tinha olhos grandes e um nariz um pouco torcido com uma bolinha na ponta como o meu. Sou um pouco do meu pai e minha mãe. Natalie é morena como minha mãe e Max é completamente loiro e branco como meu pai. Eu estou no meio, com cabelo castanho claro e vermelho, tenho olhos azuis e pecas* em meu nariz , uma mistura entre Suécia e Espanha.
Creio que tenho um pouco de personalidade dos dois, a tranquilidade da Suécia por um lado e forte temperamento do mediterrâneo.
Outra de minhas características é minha pequena estatura. De garota era tão pequena que minhas tias me adotaram "A anã". Eu via que os anos se passavam tendo a mesma estatura, por isso aos 9 anos minha mãe me levou a um especialista. Os doutores olharam raios x e disseram uma série de coisas, por sorte estava tudo bem!
Lembro que nesse tempo, meu pai não tinha um bom emprego, ele sofreu um acidente de carro antes de que eu nascesse e isso lhe impedia de fazer algumas coisas. Ele dizia que sua má sorte vinha desde que abriu um paraguas* em casa. Me pergunto se as coisas más são causadas por má sorte. Minha mãe trabalhava de faxineira para ajudar a meu pai, ele pegou seu carro e vendeu por pouco dinheiro. Era um carro velho e as vezes me envergonhava quando ia me buscar na escola porque meus amigos viam o pobre que era e viam que era meu pai. Ele se via mas como meu avô.
Meu pai passava o dia na garagem pegando graxa e sujando suas unhas. Minha mãe saía a gritar-lhe quando entrava na cozinha com as botas llena de aceite*. Tinha uma figura chocante e era conhecido no bairro como o homem que se irritava quando alguém colocava seu carro em frente a garagem. As crianças do bairro saíam a gritar-lhe coisas na porta de casa, pois temiam quando saia lá fora.
Não era o tipo de homem que gostava de brincar comigo ou lêr-me contos à noite, só que me contava histórias de sua própria infância. Me lavava sempre ao quiosque, parecíamos dois garotos quando elegíamos nosso helado* favorito, e quando não tínhamos dinheiro, mamãe sacava guloseimas debaixo do sofá fazendo-nos crer que papai havia escondido. "Teu pai é um sonhador", mamãr saía a dizer... "ele vive na terra do cuco*"... Tenho muitas boas lembranças de minha infância com ele.
Lembro um Natal onde nos quis fazer crer que era um cavalo e me deixou montar em sua espalda*. As vezes onas férias de verão, papai anunciava que iríamos à praia onde fazíamos brincadeiras e tomávamos cucuruchos de helado*.
Quando tinha mais ou menos 8 anos, me fez uma casa de bonecas com portas que se abriam e fechavam e escarelas* entre ambos pisos. Minha avó me havia dado o dinheiro para comprar os móveis. Natalie e eu havíamos criado "A TERRA DAS BONECAS" e as vezes Max vinha brincar com as outras y nos fazia bonecas com meias. Era como brincar com famílias em miniatura, famílias que eram felizes, coisa que poucos de nós sabemos bem como é. Também tinha minha boneca "SINDY", meu urso e minhas bonecas bebês.
Amava o meu pai em seus "dias bons". Ele gostava de tirar o cinturão de suas calças e golpeá-los contra o ar como um laço. Então eu me escondia embaixo da cama enquanto o ouvia gritar "Estás lista*, estás lista*!", e depois me carregava em suas costas. Ele era um homem cheio de aspirações pois ao mesmo tempo enfermo, o qual o deixou triste e cheio de frustrações.
Quando meus pais se separaram, pratos de espagueti voaram pela cozinha e taças de té* estalarão contra a parece. Minha mãe era muito temperamental e sempre me dizia:"Geri você tem que casar um homem rico", enquanto a ajudar a limpar a cozinha.
Tanto meu pai como minha mãe estiveram cheios de desilusões. Creio que papai a amava, pois com o tempo, ela foi perdendo o respeito por ele.
Ela era Testemunha de Jeová quando eu era criança e nunca nos deu explicações aonde suponho que se sentia só ao lado do meu pai e queria escapar dele.
As vezes me sentava com meus brinquedos favoritos, como meu urso amarelo e minha boneca negra PIPPA a escutar seus sermões e a aprender sobre a Bíblia.
Geralmente as pessoas dessa religião iam de casa em casa pregando. Eu ia com minha mãe apertando sua mão. Nunca nada queria evitar-mos a passar a sua casa e muitos eram grosseiros com os outros.
Os testemunhas de Jeová não celebram o Natal nem os aniversários, o qual é muito difícil de entender para uma criança, as festas e os presentes são algo característicos nessa idade. Eu não ia aos aniversários de meus amigos porque tampouco podia dar-lhes um presente.
Logo minha mãe abandonou a religião porque se sentiu desiludida -"Minhas expectativas vão mais além"- disse ela -"São um bando de hipócritas e materialistas como o todos os outros"-.
Meu pai era considerado como "a espécie rara do vecindario*". Creio que Margaret Tatcher foi a mulher que sempre mais respeitou. O dia que assumiu como primeiro ministro, me fez sentar e escutar seu discurso. "Onde haja discórdia, deve haver harmonia, onde haja mentiras há de dizer a verdade". Eu tinha só 6 anos e não podia entender nada do que dizia, só sabia que era uma mulher famosa. Sempre pensava que seria o primeiro ministro quando crescesse. Me podia imaginar parada em um balcão ao estilo de Evita.
Sempre quis ser famosa. Quando tinha 6 anos imaginava que a fama era como uma chave mágica que abria as portas a um mundo fantástico onde era impossível estar só, ser pobre ou ter medo. Tampouco havia preocupações neste lugar. Ali não tinha que escutar minha mãe dizendo o muito que se sacrificava, podia comprar todas as roupas que quisesse, comer minhas comidas preferidas e ter uma nevera* cheia de bebidas.
Também imaginava que seria como estar em um trono com serventes ao redor e uma almofada vermelha e que essa gente deveria ter um carro com um chofer que lhe abriria a porta.
Não estava segura se tudo era exatamente assim, mas estava sim segura de que esse lugar quebrava muito lejos* de Jubilee Road, Watford.
Não tinha decidido se queria ser uma estrela do pop ou uma sirena*, sempre imaginava que vivia em um castelo cor creme e meus pais vendiam a recogerme* e me levariam a C&A em Watford.
Como todas as famílias, nós tínhamos nossos costumes. Colocávamos pão com manteiga no centro da mesa e papai nos retaba* se algum de nós colocaria o cuchillo* com manteiga na marmelada ou vice-versa.
Mamã tratava de cozinhar comida Inglesa o menos possível como cordeiro com papas* por exemplo, pois sempre ele agregava um toque Espanhol. Sempre acompanhava tudo com paella*, coisa que eu amava. Ela ia comprar todos os ingredientes e eu ia a verduraria, trazia tudo menos as papas* porque eram muito pesadas pra mim.
Em algumas ocasiões mamãe me dava dez "centavos" extra que dava pra me comprar uma bolsa de caramelos ou ir ao supermercado Pakistani a comprar bebidas. Quando conseguia juntar doze "centavos" comprava chocolates e helados.
Meus hábitos alimentícios eram terríveis e um conflito na hora de comer, porquê odiava os vegetais.
Meus almoços eram acompanhados por um copo de leite que devia tomar até o final. Muitas vezes me deixava doente e devolvia a couve-flor, então minha mãe me forçava a comê-lo outra vez. Só os Domingod podia comer o que queria, quizá* porquê era dia de descanso. Quando estávamos sentados à mesa papai e mamãe diziam:"canta para nós Geri"... Max e Natalie estavam cansados de escutar-me, então me parava no centro e cantava "Fígaro" ao mesmo tempo que minhas pernas temblabam*, mamãe dizia: "Vamos Geri, imita a Shirly Bassey", e ela tratava de mostrar-me como movia os braços ao ritmo da canção.
Depois nos sentávamos frente a TV e assistíamos DINASTÍAyDALLAS que estavam cheias de mulheres glamourosas com trajes importantes e grande atitude.
Comparado com essas séries, Conoration Street se via aburrida* e mundana, mas similar ao que era minha casa.

2
QUERO SER A RAINHA DE UM CLUBE NOTURNO
¨CALLOWLAND INFANT SCHOOL¨ estava a três quadras de Jubilee Road, um lugar muito bonito em Watford.
Quase sempre caminhava só até a escola o sino* ia de carro com Roberto, um garoto espanhol que vivia perto. Nos sentávamos na parte traseira do carro olhando revistas com garotos e garotas nus, coisa que é muito divertido quando se tem seis anos.
Não usávamos uniformes e o primeiro dia todos usvam a melhor roupa que tinham.
Minhas meias tinham elásticos e dibujos* de peces*. Eram bonitas comparadas com as que usava sempre.
Para ganhar amigos, tratava de impressioná-los, geralmente com mentiras, saía a dizer as pessoas que tinha um barco no jardim de minha casa para aplastar* o pasto e que usava lentes de contato. Quando minha professora olhava meus olhos e podia ver que o que dizia era mentira, eu lhe explicava que não as podia ver porque cobriam por completo os meus olhos.
Sempre brincava no vecindario* com Max, saíamos a trepar para espiar os jardins vizinhos, eu era tão pequena que podia entrar em lugares onde nada entrava.
Durante as férias de verão, Max, Natalie e eu íamos a Espanha para visitar a nossa avó. Papai normalmente ficava em casa e mamãe vinha conosco.
Sempre saía com a avó a buscar caracols, era genial, eu saía juntando em casa e colocar-los nomes. Minha avó os cozinhava, pois eu odiava quando fazia isso, o considerava cruel e tapava meus olhos quando execultavam o pobre animal enquanto insultava em meu melhor espanhol.
Depois das férias quando chegávamos em casa, mamãe levávame ao trabalho com ela. Enquanto ela trabalhava eu me parava em frente a uma mesa em frente a um espelho pretendendo ser Marline Dietrich ou Rita Haywoth.
Havía visto a Natalie na escola, em uma obra de teatro fazendo o papel de uma ama de casa que se transforma em cantora de um clube noturno. Ela fazia um número de jazz muito lento chamado:"Quero ser a rainha de um clube noturno". Esta é a canção que depois eu cantava imaginando-me que havia uma grande audiência olhando-me.
Bem, em realidade, se alguém houvesse me olhado, só havia visto uma criança com dentes de coelho.
A vida que eu queria, existia só em versos musicais como "CANTANDO NA CHUVA" ou "ALTA SOCIEDADE".
Saía a sonhar em chegar a ser como GRACE KELLY ou ANDREY HEPBURN e imaginava que as mulheres como elas, eram formosas até quando se levantavam de manhã.
O meu pai, ele encantavam os músicais antigos, e os dias de chuva, Víamos filmes onde a gente ponía* em marcha um show para salvar um teatro velho.
Mas tarde me apaixonei dele jovem Elvis e Shona e eu, dançávamos ao redor dele comedor de nossos biquínes.
Quando passou o tempo deixei minha velha escola para ir à la ¨WALTER DE MERTON JUNIOR SCHOOL¨ . Era uma escola mista e ali foi a primeira vez que encontrei Shona. Olhei as unhas de seus dedos e estavam todas quebradas e não estavam pintadas. Minha mãe dizia que era por desnutricão, coisa que eu a disse no dia seguinte. A mãe de Shona apareceu no colégio gritando: "Minha filha não está desnutrida!... e papai teve que ir lá explicar a situação.
Eu brincava no centro na escola de Netball e o que tinha em peso, o tinha em rapidez. Em minha foto do grupo, estou sentada no centro, ao meu lado está minha amiga Sara. Eu ia quedarme* dormir em sua casa e fazíamos nossas festinhas com copos de chocolate.
Quando tinha nove anos fui hacia* na oficina* do diretos e ele perguntou se podíamos fazer um pequeno concerto na sexta pela tarde. Atuávamos 5 de nós e fazíamos nossas próprias performances enquanto ensaiavamos e depois do almoço. A maioria des vezes improvisávamos as líneas quando olvidábamos a letra, eu cantava uma música de Renee e Renatto chamada "Salva teu amor" seguida de outra versão: "The goodship lollipop", normalmente eu fazia os coros.
A única vez que tive que falar em uma obra de teatro foi em uma de extraterrestres que vinham a terra. Meu papel era o de uma garota alien e tinha que dizer uma só linha enquanti estava sentada em uma classe com crianças humanas. Então tinha que perguntar: "Tem a terra um lado escuro como os outros?"-.
Pratiquei essa linha durante semanas, me causava pânico pela grande noite, ao mesmo tempo que me perguntava "Como posso ser famosa se sofro de pânico?". Sempre fui muito criativa e nesses dias saía a escrever poemas e canções. A papai encantava escutar-me cantar e ele acreditava que eu ia ser uma "GAROTA ESTRELA", pois sabia que mamãe nunca o ia aprovar.
Um Domingo saimos de casa e fomos a uma agência publicitária no norte de Londres "Stella Greenfield" tinha uma velha casa de cor verde com afiches* de obras teatrais nas paredes e milhões de livros.
Stella usava gordos óculos que distorciam sua visão e uma voz bastante quebrada.
Eu tinha um pequeno vestido com uma camisa cor creme. Me saquei a jageta y a coloquei atrás de minha silla*. Stella me disse que eu lêria um poema de um de seus livros, coisa que não hice* muito bem e depois cantei "Quero ser a rainha de um clube noturno". Minha voz era mais tranqüila e profunda e a Stella gostou. "Bem hecho"- me disse, "Podemos lograr* algo contigo". Ela queria pôr-me em um "Book" e mandá-lo para o casting do filme "Annie". Voltei pra casa no alto, sonhando com a fama, pois quando cheguei em casa e contei a mamãe que seria uma estrela de teatro, sabia que algo aconteceria. Ela escutava com suas mãos em minha cintura e com seus olhos olhando firmemente para meu pai. "Não quero ter uma filha que termine como Judy Garland", me dizia.
"Mas mamãe...".
"Não Geri, você vai ser professora, esse é um bom trabalho"...
"E então, Shirly Bassey? Você gosta, não?
"Sim, mas ela cresceu primeiro".
Mãmae muitas vezes me levava a concertis de caridade em "Rudolf Stainer Hall" em Londres, ao qual iam umas 50 crianças. Se chamava "As estrelas dehoje e de amanhã:.
Muitos dos que atuavam era membros de escolas de drama e quando terminava, nós parávamos ao lado de um piano e cantávamos "O Sol sairá amanhã" de "Annie". Eu não sabia a letra mas as outras crianças compravam cancioneros* na livraria do colégio de Watford. Iam a escolas de dança e canto enquanto eu pretendia ser "a rainha do clube noturno".
Também participei em um sketch de teatro onde fazia o vento e tinha que usar grandes asas. O melhor momento foi quando tive que dançar ao redor do cenário fazendo o som do vento. As outras crianças também estiverma fantásticas, incluíndo uma criança que havia participado de um comercial de T.V.
Com papai também faziamos representações para a família e os amigos.
Quando a cortina se abria eu me parava com um vestido rosa que ia desde o cólon até os pés. O show começava com "Somos só principiantes" e depois cantávamos "Nunca estamos totalmente vestidos sem um sorriso" e "Manhã" de "Annie", e terminava com "Não há melhor negócio que o nergócio artístico".
Um tempo depois disso, mamãe e papai se separaram. Não é tão simples como virar as costas e ir. Quatro meses antes da separação, papai passava todo o tempo deitado na cama assistindo T.V. e no Natal ocupava "sua" metade da casa recostado na cama de cima enquanto nós comíamos chips como almoço natalino enfrente ao quarto de baixo.
Eu sabia que mamãe não o queria mais. Nesses momentos lembrava as brincadeiras do meu pai, como quando me levava de cavalinho. Então imaginava que ele estaria em cima, só..., em dia de Natal. Nunca me senti tão triste.
Logo, Max, Natalie e eu fomos enviados com distintos* amigos. Eu fui a casa de minha meia irmã Karen. Tanto ela como meu meio irmão Paul havíam deixado a casa ao mesmo tempo que eu nasci. Karen estava casada e tinha dois filhos e viviam em um grande estado da Europa. Não lembro bem quanto tempo vivi com ela, creio que foram poucas semanas, pois se me hizo* muito mais largo. Eu ajudava a Karen a cambiar los pañales* de sua filha Mandy e também a ajudava com as tarefas del hogar*. Foi a primeira vez em minha vida que tive a experiência de sentir como era fazer parte de uma família "normal".
Papai havia ido, havia se mudado para um apartamento em Gaston, um pequeno lugar em Watford. O edifícil era gris* e parecia que tocava o céu. Eu tinha medo de ir alí sozinha. Havia visto o edifícil antes de que papai se mudasse. O visitava uma vez por semana e limpava por ele, lavava a cozinha, os utensílios e sempre me assegurava de que havia leite na nevera*. As vezes me quebrava a fazer a tarefa e ele me cozinhava o me fazia ensalada*.
O hecho* que nossos pais não cuidavam demasiadamente bem hizo* que Max, Natalie e eu crescemos mais unidos. Creio que eu empecé* a crescer muito rápido. Sempre idealizei a minha irmã Natalie e queria ser como ela, era formosa, tinha novio* e grandes olhos marrons. Podia ir dançar e pôr maquiagem, eu era sua pequena sombra.
Quando Natalie trabalhava na vaqueria* "John Miller" tratei de ver se davam um trabalho também a mim também. Quantdo tinha 16 anos participou de um concurso de beleza e saiu em segunda. Deus! eu a invejava e todavia lo hago*.
As crianças eram um mistério para mim, todos estavam ao redor de Natalie como se fosse um pote de mel. Era como modelo para mim, até que descobri a Madonna, a material girl.
O sexo não era algo de que minha mãe falava habitualmente - "Deves ser cuidadosa com os garotos"-dizia. Não mais detalhes, por essa razão, minha educação sexual estava limitada a charlas* com minha irmã Natalie e as comuns charlas* na escola. Uma vez descobri um livro de Jackie Collins e eu o guardei em segredo. Os lugares onde faziam eram exóticos, o que hizo* que eu imaginava que o sexo não ocoria em lugares tão ordinários e mundanos como Watford.
Quando descobri a mecânica do sexo foi como um choque. Trinta alunos de "Junior School" estávamos assistindo um vídeo sentados na frente da tela. Pensei que era a única pessoa da classe que não tinha a menor idéia do tema. Todas as crianças se viam tão tranquilas... aunque* me dei conta de que muitas das crianças estavam assombradas durante o vídeo. Depoi a senhorita Flit, de quase 30 anos, que tinha cabelo marrom rizado*, perguntou se , perguntava se alguém tinha alguma dúvida. Eu queria perguntá-la algo mas eu não queria ao mesmo tempo. Finalmente eu tomei coragem: -"Então para ter gêmeos... significa que você tem que fazer duas vezes?"-. Todo mundo rio, foi muito embaraçante.
Meu primeiro encontro direto com um garoto foi um amigo de Max, que devia ter por volta de 17 anos. Para um de seus aniversários, fiu até sua casa com um paquete* de bombons de licor como presente. Ele abriu a pora e me disse que não gostava de licor, foi muito chocante.
Meu segundo amor antes da adolescência foi Adrian Moore que trabalhava durante o verão em um negócio em Leavesden Road. Me vesti com um vestido de leopardo, com uma cartera* branca e muito lápis labial tratando de parecer maior- "onde vai?"- perguntou minha mãe- "vou só a Woolqorths"-.
Estava toda a tarde parada fora do negócio esperando ver Adrian. Ele não havia ido.
Quando foi tempo de deixar "Junior School" passei a "Watford Gilrs Grammar School" sempre tratando de escapar-me quando mamãe não me levava.
Max e Natalie haviam ido a "Leggatts" uma escola onde havia garotos pobres de todos os estados.
Mamãe pensava que por meu comportamento, em outra escola podia não ser aceita.
Eu queria ser melhor, mas suponho que se ia a "Leggatts", ia ser a nenê tonta, com a irmã maior.
"Watford Gilrs Grammar School", estava cheio de jovens cujos pais não podiam enviá-los a um colégio particular. Creio que nunca podia olvidar* que era pobre, particularmente pela Sra. Case, a professora de Inglês:
_"Sabes Geri que és muito, muito, muito rica por estar aqui?"- ela dizia.
_"Eu sei Sra. Case"-
_"Sabe?"-
_"Sim"-
O primeiro ano eu tratei de ser invisível enquanto pensava que talvez me mudaria para outra cidade.
Usaba um blaser e corbata* e pegava o micro escolar todos os dias desde o final de Jubille Road. Muitos garotos iam a Leggatts.
Um ida as Garotas maiores fizeram uma lista de talentos na hora do lanche.
Criando coragem, pus meu nome debaixo e cantei "quero ser a rainha do clube noturno". Saí segunda e isto me levou a frequentar a escola de teatro e tinha o rol* principal em uma obra que tratava de um garoto que tinha grande imaginação e algumas vezes imaginava coisas que envolviam a realidade.
Depois do terceiro ano, tive uma fabulosa professora de Inglês chamada Srta. Medina que parecia a Diana Rigg. Ela sempre queria que eu lêsse poemas em classe porquê ela gostava so som da minha voz.
Um dia cheguei a escola usando aparelhos dentais e ela disse que eu lêria como era de costume:
"Por favor não, sei"
"Vamos Geri, você pode ler
"Recitei as primeiras linhas e todos os garotos riram de mim.
"Que te han hecho*?", disse a Srta. Medina.
Mas aí não termina o problema com meu aparelho. Tinham uma banda metálica e pelas noites pareciam da série Star Trek.
Uma vez durante a hora do almoço, tirei meu aparelho para comer um sanduíche e os escondi de baixo do meu vestido, mas uma garota tonta, saltou para agarrar uma pelota* que haviam arrojado* e os perdí. -"Esses aparelhos me custaram 25 dólares"- disse mamãe, - "e se os perdesse, não terá mais"-. Podía me imaginar vivendo com os dentes torcidos pelo resto da vida.
Depois de verificar a oficina* da escola por lá perdido o aparelho, foram encontrados por uma mulher que estava passeando a seu perro*. A mulher os encontrou na boca de seu perro* quando chegou em casa. Pensei que não poderia voltar a usá-los, mas a minha mão teve uma idéia. Hizo* que os desinfetaria e eu poderia voltar a botá-los na boca.
Por que não podia ser como Laura, a garota mais formosa da escola?
Depois de ver a atuação de Laura, não quis participar mais em obras de teatro da escola, com o aparelho cada vez pior, sobre tudo quando a Srta. Medina me fez ler outro poema. Olvide* a metade das linhas e inverti o verso final que era o mesmo que o do princípio. A audiência pensou que eu voltaria a começar e nada sabia que aplaudir.
No dia seguinte, na aula de inglês, me escondi debaixo do escritório porquê estava envergonhada em haver decepcionado a minha professora favorita.
Tratava de ver papai uma vez por semana. Ia a seu apartamento fazer a tarefa para que não se sentisse tão só. Ele não se sentia com um pai, ele era simplesmente um homem velho em minha vida que me dava dinheiro por limpar o seu apartamento. Era como uma criança que imaginava que o mundo dava voltas ao redor dele. Tudo estava sujo em seu apartamento, até as estátuas de elefante que colecionava e colocava na porta porquê alguém o havia dito que lhe trariam sorte.
Papai ia me buscar no colégio e me levava a casa de alguma amiga. Ele foi quem me me levou pra ver meu primeiro filme, "Clash of the titans". Anos depois descobri que George Michael, um menino de Watford, estava trabalhando no mesmo cinema servindo bebidas e vendendo Popckorns.
Minha relação com mamãe foi se tornando mais difícil após o divórcio, ou pode ser porquê eu era adolescente. Então comecei a escrever um diário:

Sábado 14 de dezembro de 1984

A outra noite cheguei as 10:30 p.m. da casa de Charlotte. Mamãe ficou louca e me castigou por 2 semanas. Ela nunca me escutava. Não pude esperar mais para ir-me de casa. Essa tarde quando Chamei Karen, saí para avisar a Max e mamãe pensou que estava escapando e me deu um chillido. Que ódio!, a ignorei desde esse momento.
Mamãe pôs um cadeado no telefone para que não pudessemos fazer chamadas, mas Max me ensinou como podia marcar igual os números. Ela não podia entender porquê as contas de telefone eram tão altas, até que um dia chegou em casa e me pegou com as mãos na massa.
Outro dia me pegou na cozinha com um frasco de água oxigenada de Natalie. Meu cabelo ficou loiro - "Que estás fazendo?"- disse enquanto me mostrava o frasco- "Que garota tão tonta!"-. Depois de um agitado dia de trabalho, mamãe não queria gastar energias em dizer-me nada. O único que me decía* cansada era: "Que será o próximo?".
Meu novo look, aumentou minha má reputação na escola. Eu era conhecida como "a garota de cabelo pintado, que usava fardas cortadas e delineador preto".
Os sapatos eram sempre demasiadamente grandes pra mim, por isso tinha que usar algodões ou meias quesas* para que me coubessem bem.
Apesar de tudo isto me fazia ver como uma garota rebelde, raramente estava metida em problemas com meus superiores já que trabalhava duro para passar nos exames.
Quando minhas raízes escuras começaram a aparecer, foi uma surpresa já que não havia lido as instruções do frasco de água oxigenada, assim que para o problema, pus outra vez e me convenci de que parecia neve.
Aos 14 anos me pus em rolos. Minhas amigas vinham depois do colégio com sombra rosa e sinó* dourada e azul, Natalie havia pintado o cabelo de loiro e cortado como George Michael.
Devo admitir que em Watford, não havia muitas coisas para fazer fora ir ao parque ou ao teatro Odeon.
Todavia nessa época queria ser famosa. Não sabia bem se queria ser apresentadora de T.V., estrela de pop ou atriz, mas sabia que quando isso acontecesse, ia comprar uma grande casa, que ia ser o suficientemente grande para que mamãe pudesse viver em uma ponta e papai em outra. Dessa maneira poderia viver com os dois e eles não teriam a necessidade de se ver.
----------Em 1985 descobri a Madonna. Os fãs se quebravam dias na fila para conseguir entradas para seus shows ou olhavam pela janela do hotel. Esse era meu sonho. Me quedé* olhando um afiche* no cine de Watford por 20 minutos. Alí estava ela, “Material Girl” com jeans e um top. Encima dizia:"Procura-se Susan desesperadamente".
Não era justo! Eu era sua fã número um, sabia todas suas letras e seus ritmos de baile e podia saber em que sessão de fotos havia utilizado cada prenda*, mas sabia que não ia poder ver seu debut* na grande pantalla*. A película era apta para maiores de 15. Qualquer garota podia vêr-se de 15 anos, mas eu não!... nem sequer me viam de 12. Todos meus amigos estavam ali dentro com as maiores garotas de "Grammar School". Muitas delas haviam ido pela segunda ou terceira vez.
Obviamente tratei de explicar isto a senhora que vendia os tickets. A havia mostrado minha grande enciclopédia da Madonna e lhe disse que eu era muito adulta para minha idade, mas ela foi tão dura como seu próprio cabelo.
Eu dizia a todo o mundo que havia visto o filme, sobre todo meus amigos e companheiros do micro escolar. Uma vez que estive em casa, coloquei um vestido muito sexy de Natalie e me pus também um sutiã com um par de meias dentro dele. Então me parei na frente do espelho -"não, não é o suficiente, melhor outro par de meias"-.De repente tive uma ideia melhor: as meias de futebol de Max!... perfeito.
Recogí* meu cabelo e pus maquiagem. Então desci as escadas e chamei mamãe:"-nunca vão deixarte entrar"- disse rindo.
-"me dá dinheiro para pipocas, por favor?"-
Quando cheguei, a mesma mulher dos tickets me olhou, mas agora com delineador preto e lápis labial.
_Quantos anos tem querida?-
_Quinze-
_Não te vejo com essa idade-
_Sim, tenho quinze, deixe-me entrar-
Nesse momento creio que me ia fazer pis* encima. Ela sabia que estava mentindo, mas igual* tomou meu dinheiro. As luses se apagaram, olhei as outras garotas maiores da escola e sorri triunfante.
Duas horas depois saí dançando e cantando "Into the groove" com o maior sorriso de satisfação na minha cara. Missão cumprida.

3
UMA RAPARIGA MATERIAL
Madonna me salvou do meu mal destino como adolescente. Ela e sua música eram minha companhia quando eu estava desesperada e tinha que mentir sobre meus períodos e usar sutiãs em forma triangular que davam a impressão de que tinha peitos.
Quando me quedaba* a dormir na casa de Louisa Peg saíamos a sacar as tetas e comparar como iam progressando-"Estão crescendo pouco a pouco"-, me dizia Louisa tratando de fazerme sentir melhor.
Nas discotecas e nos aniversários todas as garotas chamavam a atenção dos garotos, então eu me acercaba* ao estéreo e colocava o álbum da Madonna "True Blue" e me parava ao lado da janela da casa de Natalie Smith com as cortinas abertas. Eu cantava e dançava imaginando que era a Madonna.
Essa noite me encostei na cama e escrevi em meu diário onde atrás da capa tinha pragado uma foto de George Michael.

Segunda 23 de junho de 1986

Me levantei tarde. Depois mamãe me mandou a venda da esquina a comprar cebolas. Depois Natalie e eu fomos ao hospital por meus dentes, para tirar-me o aparelho. Foi um bom dia.

GERIxxx

Sim, não havia nenhum espetáculo bom no Odeón, ia ao parque passear com meus amigos. Natalie sempre foi mais formosa. Ela terminou a escola aos 17, e começou um curso de turismo e finanças. Pela noite trabalhava em "Paraíso perdido", uma discoteca que havia sido catalogada como a mais formosa da Inglaterra. Se via fantástica com um pequeno e vestido sexy.
Uma das minhas melhores amigas era "Lorraine" que vivia perto da escola "Grammar"e Louisa Peg. Estávamos sempre juntas, como suelen* estar os melhores amigos, e falávamos de música e de garotos.
Escapei da escola só uma vez e Lorraine teve a desgraça de vir comigo. Nós escapávamos da aula de música que a Sra. Rod dava, obviamente fomos descobertas e vários bilhetes enviadas a nossas mães.

Sábado 27 de julio de 1986

Hoje me levantei as 8:30 a.m., tomei o ônibus até a casa de Louisa, aonde tive que esperar três quartos de hora (45 min.). O chofer era rudo*. Depois do almoço fomos caminhar perto do rio.
Louisa queria ir ao parque só porquê ali estava "Donald". Ele não gostava dela, ele gostava de Natalie Smith...
Julie e Louisa começaram a intercambiar* seus nomes e ele disse a Louisa que deveria odiar Julie porquê ele havia pegado na cabeça e ela hizo* chorar.
Madonna está todavia no posto número 1 com "Papa don't preach", não foi um dia mal, suponho. Fui pra cama as 11:30.

GERIXXX

O dinheiro se tornou um problema para mim. O dinheiro que tinha para o fim da semana, não alcançava para ser uma material girl, necessitava um trabalho.
O primeiro que foi repartir periódicos* por ,50 cada manhã. Me passava o tempo pensando quanto demoraria para eu poder comprar um equipamento musical.
Meu primeiro dia de trabalho foi um sábado, dia em que os periódicos* viam como suplemento.
O Domingo descobri que os diários eram mais gordos e na metade do caminho desmaiei em frente de um jardim. Voltei pra casa muito chateada. Meu pequeno corpo nunca me ajudava demais.
Geralmente os donos dos restaurantes pensavam que nem sequer podia carregar os pratos. Durante o verão vendia helados* aos turistas em "Covent Garder", que me davam bons trocos porquê sentiam pena pela pequena garota carregando o grande refrigerador.
Depois comecei a trabalhar em uma pescaria no final da rua principal de WATFORD. Havia um desnível no piso justo do meu lado que fazia com que eu tivesse problemas com os clientes. Geralmente quando chegavam não viam nada que os atenda e não se davam conta de que estávamos até que falava.
Desde os 14 anos trabalhava todos os sábados durante o inverno em um mercado.
Trabalhava para Jimmy um amigo de minha meia irmã Karen.
Me levantava temprano* para ajudá-los e depois Jimmy comprava sanduíches e grandes taças de té* para desayunar*.
Ele vendia brinquedos e roupa para vestir bonecos.
Havia vezes que ele me fazia pôr algum de meus trajes assim que alguns dias era uma enfermeira, uma policial ou um cowboy.

6 de agosto, meu aniversário

Pelo meu aniversário recebi 31 dólares, muita roupa, um rádio, um sutiã, 3 pares de sapatilhas, um colar e 2 camperas*.
Passei a tarde deitada no sol com um biquini no jardim traseiro, lendo livros.
Natalie tinha clases* de choque. Não podia imaginar na ruta* já!, já!, já!..., posso imaginar os outros condutores chocando* ao vê-la.
Depois de almoçar ela arregló* meu cabelo. As 22:00hs assistimos "Bonni e Clyde", um filme muito bom sobre ladrões de bancos.

Com carinho Geri

ps: mamãe está sempre enganando-me.

Eu menti sobre minha idade para conseguir um trabalho em "Chica Chelsea" que era um negócio de roupa sport na rua principal de Watford. Logo comecei a trabalhar aos sábados e todos os que vendia mais de 10 peças, podiam retirar-se temprano*, assim, geralmente chegava em casa por volta das 15:00hs.
No Domingo tomava o trem a Londres para ir a "Camdem" ou a "Oxford Street", assim podia comprar roupas de marca como Levis, com desconto e camisetas com bandeiras americanas, idéia que havia tirado da "Top of the Pops" e de revistas.
Os garotos todavia seguiam sendo um mistério para mim. Os peitos eram algo primordial para os garotos de minha idade, mas isso não me impedia de me namorar, então comecei a escrever o que sentia no meu diário:

Sábado 16 de janeiro de 1988

Querido John:
Só quero expressar meus sentimentos por ti.

Primeiro eu gostei
Depois te quis
Depois te odiei
Depois te amei

Agora uma pequena parte de mim te ama, creio que serás o único, meu primeiro grande amor...

Não posso lembrar mais coisas do John. Ele provavelmente era da escola de meninos Grammar, a qual iam muitos de nossos amigos, ou em meu caso em particular, meus noivos imaginários.
Haviam muitos garotos que saíam conosco depois da escola. Às quintas e sábados sempre íamos a alguma festa ou a casa de algum companheiro quando os pais saíam a tarde.

Quinta 29 de janeiro de 1988

Esta noite eu vou ficar louca. Alison Wag está com Loyd, Charlotte está com John e Nicola provavelmente com Bod. Espero que Nicky esteja vindo, senão eu vou ficar só. Estão tratando de que salga* com Barry que parece Bruce Forsyth.

ps: são 11:15, mamãe save que he* estado tomando*!!! Não posso crer que no final saí com Paul..., puaj!, puaj!. Barry me viu e me senti realmente mal.

Segunda 1 de fevereiro de 1988

Hoje pensei que teria que escapar da classe, porquê não havia feito minha tarefa de matemática, Alemão e tejido*.
Matemática - eu copiei da Claire, a srta. Baxter nem se deu conta.
Alemão - se esqueceu de tomermos
Tejido* - lhe mostrei os pompones* que havia feito. Ele gostou!!

Não aconteceram mais coisas importantes.
A quem posso mandar uma tarjeta* por San Valetim?, penso que se a mandar a Lloyd e a Jim. São os dois tão DOCES! Por que os dois garotos que gosto estão saindo com alguém?
Quero tingir meu cabelo... de que cor agora???

O amor sempre foi mais importante que os exames. Sempre haviam garotos que gostávamos, e saíamos a enviar-mos bilhetes entre banco e banco.
No princípio descobri que a segunda das opções me trazia mais problemas. Sempre que um garoto me chamava sofria de amnésia e não podia dizer nada inteligente.

Sábado 7 de maio de 1988

Me pus namorada com Martín. Íamos passear ao redor da casa de Charlotte. Eu pensei que Martín gostava de Amanda. Me senti muito apaixonada.

Quarta 11 de maio de 1988

Martin me perguntou se queria ser sua namorada"oficial". Então eu disse:
_Que me disse?
_Sim, está bem
_Isso é bom
_Isso é bom, repetí.

Sábado 14 de maio de 1988

Martin me enviou um bilhete.

Sábado 15 de maio de 1988

Martin me colgó* ao telefone porquê eu estava horrível para ele no sábado a noite.

Segunda 16 de mayo de 1988

Me quedé* na casa de Charlotte. Tive que me esconder de Mertín no placard*. Eu ia deixá-lo.
Fui ao parque se atrações com Charlotte e Karen. Estava tudo bem até que via Martin. Ele estava em "Pulpo" dizendo coisas de mim que não era verdade. Eu disse que queria deixá-lo e me fui chorando. Depois perguntei a Max, se ele podia pegarle* por mim...

Quarta 18 de maio de 1988

Denny me perguntou se queria sair com ele. Lhe disse que não. Não me recuperei de Martín todavia.

Esse verão tive que tomar a decisão de quedarme* ou ir-me de "Watford Grammar School". A verdade é que nunca quis ir ali. Todas as manhãs cantávamos o hino e sempre havia um silêncio, se me dava por parar-me e gritar alguma obscenidade. No terceiro ano fui elegida para llevar* a cabo uma obra de caridade. Eu tinha que eleger o lugar para organizar e elegí uma reserva um pouco controvertida. Então comuniquei a meus professores: - Creio que a reserva será um bom lugar porque todos vamos fazer sexo ali.
Pensei que a srta. Case ia ter um ataque do coração.
Muito tinha que ver a personalidade de cada professora. Se a última me caía bem, então eu gostava da matéria. Por exemplo, quando a srta. Baxter se dava volta para escrever na pizzaria, pedaços de tiza* volaban hacia* ela.
O Sr. Hall, se via como um Bull terrier, mas me caía bem. Muitas das garotas o gostavam. A Srta. 'Water" era minha professora de gramática e sempre que seu nome era mencionado, saíamos a cantar: "copos* de neve estão caindo sobre seu nariz". Sarah comprou um condón* e hizo* que o coloque em cima do escritório da Sra. "Water".
No meu boletim do ano de 88 a Sra. Baxter escreveu:"O resultado dos exames de Geraldine, dependem do duro que ela trabalhe".
No princípio os professores me definiam como "responsável, sempre entusiasmada" e "cheia de boas idéias", mas depois isso foi caminhando por: "muito distraída, sem concentração" e "deves prestar mais atenção". Chegaram os exames finais e tinha pânico. Sabia que nem todas as respostas estavam bem, mas no final terminai com 8. Não estava mal, era justo o que precisava para passar para outro colégio se alguma vez queria fazê-lo.
Os resultados me deram em agosto, justo depois do meu aniversário nº 16.
Na família Halliwell somente Max continuou os estudos universitários. Nem mamãe nem papai tiveram uma boa educação. Por outro lado estava Natalie, que havia deixado o colégio para empezar* na escola de turismo e trabalhava para comprasse um auto, não sabia o que queria fazer com minha vida. Todavia seguia sonhando em ser rica e famosa. Nunca nada me havia dito "anda ves* a escola de teatro, Geri" ou "toma lições de canto".
Comecei o colégio em Setembro de 88 e aos 16 anos não tinha demasiadas chances.
Queria trabalhar na Espanha mas mamãe dizia que eu era muito criança.
Ela tampouco me deixava ir de férias com meus amigos se papai não ia, como se fosse uma criança pequena.
Tempo depois conheci um garoto chamado Niko que havia me encontrado em um clube noturno. Ele me disse: "quero mostra-le o amor, Geri", "Provavelmente não, parceiro", Eu disse pra ele o quanto ele estava se imprensando contra mim. Meu próximo encontro íntimo veio depois num jantar festivo dos 20 anos de Natalie, em fevereiro de 1989. Seu namorado tinha um convidado chamado Andy, que devia ter uns vinte e um anos. Eu tinha 16. Teve um momento em que eu bebi e ele me ofereceu uma carona pra casa, no YWCA onde Natalie estava ficando. Parando em frente ao estacionamento, ele inclinou-se e me beijou. Logo mais nós estávamos apaixonados. Eu deixei ele tocar meus seios (eu tinha seios muito pequenos e estava muito insegura) e imaginei se ele tentaria ir mais longe. Ele ligou o rádio e estava ouvindo a luta mundial de peso-pesado entre Frank Bruno e Mike Tyson. Estava no quarto round e Frank estava controlando a situação. Eu pensei em sugerir algo mais romântico - talvez um estação musical - mas eu fiquei com medo que Andy poderia estar mais interessado na luta do que em mim. Eu me poupei de qualquer embaraço e fiquei cantando-o. Andy não sabia que eu era virgem. Ele baixou o seu zíper e se apertou contra mim. Eu olhei pra baixo e imediatamente vi seu instrumento furioso e sóbrio. "Oh, meu Deus". Eu chorei. "Qual o problema?" Eu remexi na porta, saltei fora e corri pra frente do estacionamento do YWCA. Andy estava gritando pra mim, "Qual o problema? Qual o problema?". Frank caiu no oitavo round, mas Andy já estava no chão no sexto!

Sábado, 25 de fevereiro de 1989

Eu nem posso acreditar que quase perdi minha virgindade. E num estacionamento, pelo amor de Deus! O quanto nojento você pode ser! No momento que eu corri, Andy veio atrás de mim mas seu orgulho o fez parar do mesmo modo que me freou. Minha cabeça tomou conta do meu coração. Eu não acredito o quanto eu fui fazendo tal enorme erro. Deus está me dando outra chance? Sim ou não?
Bem, eu rezo que sim, Deus. Eu não quero morrer virgem.

Domingo, 16 de Fevereiro, 1989

passei o dia com Natalie. Não contei pra ela sobre essa minha angústia. Isso só arruinaria seu aniversário. += **seu feriado (ela estava indo pra Seychelles).
Eu não conseguia esquecer o fato de que eu poderia estar grávida ou mesmo com AIDS. Eu sei que Andy sempre esteve comigo, mas nunca se sabe. Eu queria dar um nó nas minhas pernas pra ficar assim pra sempre.

Eu não conseguia dormir, eu estava aterrorizada. Onde eu podia conseguir conselhos? Nenhum dos educadores sexuais puderam me ajudar. Eu certamente não podia conversar com Mamãe. E levantei às cinco da manhã na segunda-feira e comecei a rezar. Por favor, Deus, o que devo fazer?
Nessa manhã eu fui ver meus avós e Dr King. Tinham duas damas na sala de espera que me olhavam sordidamente. Eu me senti muito ansiosa para resolver as coisas. Dr. King não pôde me atender, então eu voltei pra universidade. Nessa tarde, Papai levaria me de volta para cirurgia. Eu menti e disse pra ele que eu estava tendo a amígdala conferida. De novo, eu tive que esperar por anos até que o Dr. King finalmente me acompanhasse até a sala. Eu achava sempre que ele seria bonito, de meia idade, um tipo paternal, com olhos grandes e castanhos e mãos lisas. "Então, em que posso ajudar, Geri?". Toda a minha ansiedade veio derramando em tombos de palavras. Eu murmurei sobre ter e não ter feito sexo; sobre que eu poderia estar grávida, mas eu queria ter certeza. Dr. King parecia totalmente melancólico enquanto ele me dava conselhos em como ser cuidadosa e tomar as precauções se eu estivesse tendo relações sexuais. Lágrimas correram pela minha face. Ali estava um homem que me conhecia desde que eu tinha 11 anos. Ele foi meu enfermeiro durante as doenças da infância e me viu crescer. Agora eu me senti como se o conhecesse particularmente. Eu vou pensar mais em Deus. Eu sei que ele está aqui. Eu acho que ele fez esse acontecimento pra me dar uma advertência; fazer me ciente de como doce e amarga a vida pode ser. Eu não posso ser hipócrita e dizer que serei freira a partir de agora, por que em alguns meses eu não estarei assustada.
Isso tem sido uma bofetada macia na cara. A partir de agora, eu trouxe responsabilidade pra mim. Eu não posso dizer que nunca farei sexo, mas eu sei que devo esperar até que eu esteja preparada. Eu estou muito agradecida que meus instintos internos me disseram para parar e pensar. Mas eu espero e rezo que quando a pessoa certa aparecer, eu irei reconhecê-la...
Em Abril comecei a trabalhar em um hotel em Olimpia, Londres. Trabalhava as quintas de 15:00 a 23:00 e haviam me dado uma habitação, assim podia entrar as 7:00 da manhã seguinte. Mamãe estava muito contente que eu trabalhasse ali e havia contado a todas as companheiras de trabalho.
Não era ruim trabalhar ali, mas as vezes estranhava as noites de quinta.
Este trabalho não durou muito, só até Agosto.
Mamãe quase se viu louca e me retava* numa mistura de Espanhol e Inglês. Nós duas gritávamos tanto, que nem sequer podíamos escutár-nos.
_"Eu vou ser alguém"- chorava - "Vou ser rica e famosa..., você vai ver".
Saí de casa correndo. Mamãe não podia serguir-me porquê não havia posto suas lentes de contato.
Cheguei até um lugar muito temeroso e chamei papai de um telefone público. Ele vinha me buscar.
_"Quero viver contigo"- lhe disse.
_"E o que fazemos com sua mãe?"-
_"Não quero falar sobre isso, leve-me pra casa"-

Quinta 25 de maio de 1989 - No apartamento de papai

São 4:37 da manhã. Não consigo dormir. Me sinto mal. Não sei se vou aguentar viver aqui. Tudo o que preciso é um lugar onde pôr minha roupa. Mas... onde?
Por favor Deus, guia-me e ajuda-me a fazer o correto.

Não podia entender minha mãe. Por que não me deixava viver minha própria vida?

Querida mamãe:
Creio que é melhor para nós duas que eu me mude. Espero que entenda que necessito de espaço. Suponho que estarás feliz porquê agora pode ter "paz e tranquilidade" sem uma "adolescente rebelde"na casa que te machuque com seus "problemas".

No pátio do colégio encontrei um garoto chamado "Mark". De repente uma sensação rara em meu estômago. Ficava vermelha sempre que estava perto dele e era incapaz de ter uma conversa inteligente.
Creio que isto é amor. Quando me chamavas ficava feliz e nervosa ao mesmo tempo - "Vou te chamar" - ele dizia, mas não o fazia, era como um jogo.
Dois dias depois descobri que ele estava saindo com outra garota.
_"Vai me pagar"- ninguém brinca com Geraldine Halliwell.
_"O que vai fazer?- perguntou Natalie.
_"Vou... ... aprender a conduzir"-
Depois da aulas disse: "isto é fácil".
Todavia estava vivendo com papai e uma noite saí com seu carro. Apenas podia mais além das rodas. Recogí* a uma amiga do colégio e fomos a Londres, seriam mais ou menos 5:00 a.m. Na noite seguinte voltei a sair com seu carro para ir a uma festa.
Pensei que ele nunca ia dar-se conta até que um dia roubaram o carro. Papai avisou a polícia sobre o roubo.
Depois disso, papai quis mandar-me de volta pra casa, mas eu não podia voltar a Jubille Road, então Karen arrumou uma habitação por semana em Queens Road.
Muitas coisas aconteceram nesse ano. Meus peitos começaram a crescer. Cresceram tanto que um dia durante o desayuno*, golpeei o recipiente com copos que haviam sobre a mesa ao sentar-me. Creio que o hecho* de cresceram, me abriu muitas portas.
Um dia me deram entradas para uma festa em Hertfordshire. Havia gente dançando com suas mãos pro ar.
Cheguei em casa realmente esgotada.
_"Estás morta, onde estivesse?"
Sorri e fechei meus olhos- "Encontrei o meu lugar".

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É ASSIM?
Tudo explotó* nesse verão. Os adolescentes tinham outro estilo de música e também ambió outra moda.
Posso defini-lo como "o verão do amor".
Esse verão não tinha trabalho e muito pouco dinheiro no banco. Uma semana depois, tive que vender minha câmera para conseguir dinheiro extra.
Meus novo smaigos eram maiores que eu e também muito modernos. "Sean" se via como "Martin Kemp". Usava telefone celular e estava muito na moda.
Outros, como Steve e Toby eram os encarregados de organizar festas, que eram muito completas, com vendedores de tickets e Djs.
O sexo segui presente em mim, mas todavia era virgem aos 17.

Terça, 27 de junho de 1989

Tenho quase 17 anos e sinto como se tivesse a obrigação de ter um namorado. Escuta-me! Estou falando como se tivesse 21. O que acontece é que me preocupo com o que pensam as pessoas. Sei que só devo esperar, mas estou cansada de esperar... e se o mundo terminar amanhã?... não posso morrer virgem.

Esperei dois meses até que completei 17. Depois do meu aniversário, Toby me levou a um campo depois de dançar. Havia muito pasto crescido e tratou de fazer sexo comigo, mas não podia porquê eu tinha muito medo.
Intentamos* algumas vezes até que passou. Cinco minutos depois tudo havia acabado. Então perguntei: -"é assim?".
Depois me disse que estava saindo com uma garota chamada Tamara e que não podia deixar de pensar nela.
Depois desse verão de tantas aventuras..., como posso voltar ao colégio?
Havia descoberto um novo mundo cheio de aventura e gente jovem. Eu não me preocupava tanto com o futuro. Só me importava em viver o momento.
Mamãe não podia entender-me, mas eu sabia o que pensava... "Ela havia se sacrificado por mim..."
No começo de Setembro comecei a trabalhar em um vídeo clube onde tinha que checar a qualidade de cada vídeo.
Numa quinta, antes de começar a trabalhar fui a um pub chamado "Game bird" com uns amigos. A festa durou até as 3:30 pm do sábado.
No dia seguinte comecei a trabalhar no vídeo clube. Estava exausta.
Karen ficou furiosa pela festa e não pude seguir vivendo com ela em "Queens road", assim tive que voltar a viver com papai.
O "Café de Paris" em Leiscester, era o mais glamoroso. Alí podia encontrar famosos como David Bowie ou John Taylor.
Comecei a sair com um garoto negro chamado Billy que tinha 15 anos, mas parecia a metade de sua idade. Dirigia um BMW e sempre levava muito dinheiro em seus bolsos. Nossa relação era platônica porquê ele tinha uma namorada.
Um dia no "Café de Paris" conheci um garoto chamado "Nian". Ele era incrível.
Tinha o cabelo castanho e tinha também um ar a George Michael.
Eu tinha um vestido vermelho e todo o tempo tratei de chamar sua atenção.
Começamos a charlar*. Ele era muito mais sofisticado que eu. Sua mãe havia morrido quando ele era garoto e teve que quedarse* com seu pai em um pequeno estado. Nian era um romântico e era a primeira vez que não me preocupava se ele tinha namorada. Eu via algo mais nele.
Podia pensar isso porquê ele vinha de uma família quebrada*?
Voltei essa noite pra casa fantasiando com ele.
Papai havia se sentido mal nessa época, ele e eu estávamos muito juntos, nunca o havia visitado no hospital.
Estava cansada pelas festas mas não podia pôr excusas*.
Papai entrou em estado de choque. De repente pensei: O que acontecerá se ele morrer?
Nossa relação foi cambiando* com o tempo. Ele já não me falava de sua infância, se não de suas noivas e de sua primeira mulher.
As vezes falava se seus velhos companheiros. Creio que não tinha idéia do que era ser pai, mas ele tampouco havia tido modelos*. Seu pai o havia abandonado quando era garoto e seu padrasto nunca teve uma relação muito cercana* com ele.
Enquanto estava no hospital, decidi pintar seu apartamento. Nian me deu a tinta. Eu cobri tudo de branco e os móveis de preto.
Quando papai chegou a casa achei que ia dar-le um ataque. Ia de quarto em quarto. Creio que se me havia ido a mano*. Nesse momento não pensei no importante que eram algumas coisas pra ele. Tinha só 17 anos, o que podia entender sobre recordações? Havia tirado sua vida a la basura*.
De repente, tive o mesmo sentimento com respeito a meu futuro... onde haviam quedado* meus sonhos de fama e fortuna?
Trabalhei no vídeo clube por nove meses até que um novo rapaz começo a trabalhar: Duncan, quem tinha cabelo vermelho... _Que estou fazendo?, me perguntei.
Este não era um sonho, eu queria ser estrela de cinema, queria ser rica e famosa. Nesse momento pensei que podia seguir assim até cambiar* de direção.
Dei voltas e voltas pela oficina de Duncan. Quando cheguei em casa escrevi uma carta a meu chefe e dizia que meu pai estava doente e que devia cuidar dele. Desde esse momento nunca mais voltei. Foi um pouco antes de completar 18.
Eu estava impressionada com Nian. Não era mais um guapo*, mas sim era em seu interior.
Me escrevia poemas e me levava flores. Uma má pessoa não faz isso.
Todas as noites íamos a festas e dançavamos. Papai odiava a direção que havia tomado minha vida.
Eu estava distraída e não procurava trabalho. Saía de noite e dormia de dia.
Papai me falava, mas eu não escutava argumentos.
Um ia me disse que me fosse de casa. Não podia voltar com mamãe nem ir com Karen.
Desde que papai se havia ido de casa, Max virou o homem da casa. Tinha 14 anos nesse momento, mas sempre foi mais sensível e agacho* sua cabeça quando tive que fazê-lo.
_"Se onde podes viver"- disse a irmã de Nian, Mary: -"o lugar está justo aqui a volta"-
_"Não tenho dinheiro"-

5
RAINHA DA DANÇA
Uma garota negra com um dente de ouro me viu enquanto dançava no "Crazy Club": _Você não gostaria de dançar na Espanha? - me perguntou. Teve que me repetir a pergunta duas vezes porque não podia ouví-la pelo barulho. Então me deu um cartÃo de um clube noturno chamado BCM em Majorca... - "É o maior da Europa" - disse gritando em meu ouvido - "Precisamos de 3 dançarinas para a temporada de verão. Está interessada?" - gritou.
_Quantos dias devo trabalhar? -
_Os 7 da semana, mas é um dinherio muito bom. -
ISto era justamente o que eu estava buscando. Ali podia olvidarme* de Nian e comer ensalada* todos os dias.
Voltei a Mallorca em março de 1991 com Shelly, uma aspirante* a modelo e Nicola, uma dancarima. Shelly era vista como a cantora de Roxette e havia trabalhado em "Astoria" comigo.
Primeiro nós três dividíamos um apartamento na cidade, mas depois, Shelly e eu, nos mudamos para outro lugar menor em Magapul, que estava a uma distância aproximada de 25 minutos do clube. Comecei a trabalhar todas as noites enquanto a imagem de "Des", o DJ do lugar, aparecia em uma janela gigante. Eu estava parada no cenário ou as vezes dentro de uma jaula ao redor do maior sitio da Europa.
Dançava três ritmos e depois começava outra vez. Por isto me pagavan 4.000 pesetas (mais ou menos ) e 7.000 na melhor época do verão.
Os bares nunca fechavam em Mallorca e pela manHã muita gente nem sequer lembrava seu nome. Acabava de trabalhar as 5:00 am e chegava em casa as 6:00 am. Então, me fazia uma taça de té* e ia até a varanda olhar o mar, enquanto escutava a música de Bob Marley "No woman, no cry". Quando o sol saía, podia ver as pessoas fazendo sexo na praia e tirando suas roupas. Normalmente dormia até o meio-dia. Minha geladeira estava cheia de água mineral, iogurte e uma pasta que Shelly havia feito.
Muitos dos dançarinos de Mallorca sonhavam em ser famosos. Nicola queria ser atriz. Ela tinha um lindo cabelo negro e corpo de bailarina, mas se podia ver em seus olhos que mentia em relação a sua idade. Tinha mais ou menos 30 anos mas aparentava ser mais jovem...- "Está bem" - pensava eu. Mas não queria fazer o mesmo quando tivesse sua idade. Shelly queria ser modelo e havia feito alguns trabalhos quando estava na escola. Elena era outra das garotas do nosso círculo. Ela era a namorada de "Des", nosso DJ, e sempre conseguia tudo primeiro do que nós. Vía produtores de TV que lhe prometiam roles*.
Eu imaginava que uma noite, viria um produtor e me daria um papel brilhante. A Espanha ma havia dado a oportunidade de mudar meu estilo de vida. Comia comida leve e fazia aeróbica. Então, comecei a pensar como havia sido o meu tratamento com minha mãe nos últimos dois anos. Ela tinha uma nova companhia e segundo suas cartas estava muito feliz. Eu queria que viesse a Espanha me visitar.

3 de maio de 1991

Querida mamãe:
Oi... Te adoro muito e quero que me adore também. Sabes que... eu estou começando a fazer coisas importantes em minha vida para que estaja orgulhosa de mim.
Estou muito agradecida por tudo o que fizeste por mim, mãe... não quero te causar problemas. Perdoa-me pelo que tem acontecido neste último ano. Tenho crescido e me dei conta do importante que é respeitar os pais. Quero que esteja orgulhosa de mim, quero que diga "que maravilhosa filha que tenho!"
Quero que você e Steve venham me visitar. Graças a Deus, posso lhe pagar a passagem de volta, por tudo o que você já fez por mim. Podemos esquecer o passado e começar outra vez. Não sei o que quero fazer com minha vida. Sei que não trabalharei em um banco, isso é seguro. Sei que sou diferente, mas tenho medo de ser mediocre.
Entendo o importante que é pra você ter uma família unida e sei que sempre estarás aí. Tem feito muito por mim, mamãe te amo com todo meu coração.
Até breve, baby

Te quiere
Geri

Mamãe e Steve vieram me visitar em junho. Steve me caía bem. Os dois se viam muito apaixonados..

21 de junho de 1991

Querida Geraldine, Como você está?

Foi maravilhoso lhe ver. Voltei com muita paz em minha mente porque gostei das pessoas com quem você está. Me parecem bons e cuidam uns dos outros. Isso está bem.
Gostei do lugar onde você vive também. Está todo em ordem.
Geraldine, isto é muito difícil de dizer pra mim, mas quando estava dançando, senti muito orgulho de você. Por favor se cuide, principalmente, não machuque a você mesma.
Gostei do clube, mas a verdade é que é um pouco estranho.
Max não foi a uma boa escola e terminou sendo científico* e você foi a "Grammar School" e é bailarina de um clube noturno!
Entendo que você não quer um trabalho de 8 horas, mas como mãe, me preocupo, principalmente desde o que tem acontecido no ano passado. O que você decidir fazer está bom pra mim. Mas deve ser honesto. Não quero que se meta em problemas.
Lembre-se que só irá arranjar problemas se estiver fora das regras. Respeito suas ambições na vida, mas você deve respeitar a vida também.Quando vier pra casa, vamos desfrutar a cada dia.
Espero lhe ver em breve.

com carinho,
MAMÃExxxxx

Max e sua namorada Sue, se casaram esse verão. Sue queria que fosse a madrinha, mas eu lhe disse tería que escolher outra pessoa, o contrato com a BCM não me permitia. Não podia garantir-lhes que ia estar aqui, mas ia fazer o possível para volar* no dia. Mamãe estava muito contente por ter a família reunida. Ela preparou meu velho quarto, assim tería onde ficar. Papai continuava me escrevendo cartas à Espanha. Em uma delas me escreveu que não devia me casar:
"Não tenhas medo, Geri. Tens muito tempo para ter um bebê...
Entre você e eu, creio que o afeto é tão importante como o sexo. Dormir nos braços do outro, é um sentimento maravilhoso.
Amor e beijos
Te adoro
Papaixxxxx

Adorava meu verão no sol. Uma manhã de volta a casa, dois garotos me seguiram. Eu estava vestida com a roupa que usava no clube. Um deles me perguntou a hora olhando meus seios. Pensei que ia fazer se me atrapaban*. Certamente ia golpeá-los, mas por sorte se foram.
Nessa mesma semana fui ao shopping com Shelly, quando um dois garotos começaram a gritar insultos do seu carro... me chamaram e gritaram: PUTA!... eu estava muito enojada
-"Como te sentirías se alguém chamasse de puta a sua irmã?"- lhe disse - "Sou a irmã de alguém e a filha de alguém também, sendo assim não tens que falar comigo dessa maneira" - então pararam o carro, o motorista se baixou e me chamou de PUTA outra vez. Eu cuspi em sua cara. Ele então, tratou de me pegar e terminamos no meio da rua. Ele pensou que eu havia desmaiado e foi embora correndo.
Shelly e eu sempre íamos juntas ao shopping.
Um dia me disse que estava um pouco 'excedida' no peso, mas não de maneira má. Nunca ninguém havia falado nada antes. Amava comida e nunca fui consciente de meu peso. Um dia fui a um pub com Elena e Shelly. Enquanto conversávamos comí pão e ensalada* com muita maionese, mas depois me senti culpada.
Desculpando-me com as garotas, fui ao banheiro e me olhei no espelho: _"Estou gorda? certamente,... comi demais, o que posso fazer?"
Uma garota espanhola saiu de um dos banheiros e me sorriu enquanto arrumava seu cabelo. Ela era linda. Quando se foi, me metí no banheiro e fechei a porta. Me agachei sobre minha pernas, pus meus dedos na boca e vomitei. Quando parei pra me sentir melhor, não havia muita comida no meu estômago.
Depois me encontrei com as outras com minha melhor cara de ingênua. Não pensava em fazê-lo outra vez. Só ia ter cuidado com o que comía.
Noami, outra dançarina do clube começou a me advertir: _"Geri, você tem que deixar de comer queijo e salame"- me disse - "você pode comer um sanduíche antes de dançar e não comer nada depois"- Era raro não encontrar nada na geladeira no departamento.
Shelly havia tirado algumas fotos como modelo. Um fotógrafo de Magaful as havia pego: _"Olhem, olhem! O que acham?".
Ela nos fez sentar e olhar as fotos. Muitas delas eram nuas, o que me surpreendeu bastante:
_"Wow, são fantásticas! Quem as tirou?
_Sebastián Amengual, não são maravilhosas?"
_"Acha que podem fazer algo com comigo?"
_"Lógico, vou perguntar, você é muito doce!"
Shelly me apresentou a Sebastian. Ele parecia muito profissional. Para ele, era mais um dia de trabalho, mas a mim, me revirava o estômago. O ajudei a carregar os refletores, as luzes e os tripés. Logo, fez com que eu colocasse um biquine. Parecia bem. O descia em que posição o devia colocá-lo e me dava instruções enquanto me contava a história de Megaful. Tiramos fotos ao lado do rio. Havia um bote onde me recostei usando uma bata. Ele me perguntou se podia abaixá-la e mostrar meus peitos. Eu imaginava que estava fazendo a propaganda de um creme para pele de NIVEA.
-"Olha mais pra cá, Geri..., muito bem! Poe seu cabelo pra trás..., bem! Bem! Só um pouco mais"
Quando terminamos, Sebastian me levou pra casa e me disse que as fotos estariam prontas no dia seguinte.
Quando olhei as fotos, pensei... "Wow, sou eu?" Nunca havia me visto sensual, mas pareciam realmente bem.
_"Já pensou alguma vez em ser modelo?"
Perguntou Elena quando viu as fotos.
_"Não, sou muito pequena"
_"Não tem que ser alta pra ser uma modelo glamourosa."
-"Posso levá-la a uma agência de modelos em Londres."
Este era um mundo novo para mim e não sabia nada dele... o que minha mãe ia dizer? Ela nõ ia gostar nada. O contrato como dançarina estava pra terminar.
Chagava setembro e eu precisava de outro trabalho... modelo glamourosa? Muitas delas são famosas, como Samanta Fox ou Linda Lusardi. Uma nudez não cortou a carreira de Madonna ou Kin Basinger. As duas posarão para PlayBoy.
Um dia de outubro, fui a agência que Elena me disse. Entrei na recepção onde haviam calendários de garotas.
_"Senta, meu amor. Estarei com você em um instante."
"Kent" tinha cabelo ruivo e era uma versão mais magra de Chevy Chase.
Enquanto esperava, olhei um cartel* no escritório da secretaria que dizia: "caixa de cachorros".
-"Oque é isso?" - lhe perguntei.
-"Não preocupe sua preciosa mente com isso", me disse... "É uma broma* da agência, não olhe-os."
Mas Kent me explicó: - "Essas são as modelos que fazem de tudo."
_"O que quer dizer "tudo"?"
_"Não pense nisso agora." - me disse.
Me sentei com minhas pernas juntas e muito nervosa, enquanto Kent olhava minhas fotos que Sebastian havia tirado na Espanha.
-"Estas fotos são muito lindas"-
-"O que acha que posso?"
-Bom Geri, você tem uma linda figura, mas... Quando queres trabalhar duro? Que tipo de trabalho queres fazer?
Ele me explicou que a agência levava uma porcentagem do que eu ia ganhar. Uma seção de fotos podia ser remunerada com 0 e se eram pra uma revista 0 e mais se eram pra um calendário.
-"Bom, vamos dar uma oportunidade a esta garota"- disse - "Quero qeu vá lá em cima tirar algumas fotos de prova."
Subi as escadas e encontrei Trevor, o fotógrafo, que tinha mais ou menos 40 anos e tinha cabelo gris*.
_"Olá Geri... é assim que se chama, não?" - Fez com que me sentasse em uma sala. Me sentei outra vez com minhas pernas juntas e minhas mãos sobre a falda*.
Trevor abriu el cajon* de seu escritórioe tirou uma revista: "Bem, isto é o que eu faço.", me disse.
Meus olhos se arregalaram. Então virou a página: _"Você faria isto?", movi a cabeça insinuando que não... _"E isto?"
_"Tampouco, isso não é pra mim!"
Isso era pornografia pura. Trevor fechou a revista. Eu pensei que só queriam tirar fotos com meus peitos desnudos como na Espanha. Então lhe expliquei o que queria fazer e o que não queria.
_"Tenho um bom dinheiro se fizer fotos pornô."- disse. Eu neguei com a cabeça.
_"Bom, melhor fazêr-mos umas fotos de prova"- me deu um pouco de medo. Então, me levou a um quarto para trocar-me. Meu cabelo havia se assanhado, molhei-o um pouco e me maquiei um pouco mais.
_"Bom, comecemos"- me disse-
_"Arrodillate*, muito bem..., acercate* um pouco mais hacia mi*... com sua cabeça não com seus braços, é isso"- ...-"Oprime seus peitos e ponha-os juntos..., poe os braços abaixo"-
Fazia muito frio e eu não gostava muito das posições. Trevor sugeriu uma troca de roupa.
Vesti algo que não gostei nada:
_"Ficará bem com isto"
_"Estás brincando, não acredito que isso seja para mim."
_"Sim, certamente é"
_"Não creio, não vou usar isso"
_"Relaxe, está bem, não se preocupe..., faremos algo diferente: por que não separa um pouco suas pernas?"
_"Eu não vou..."
_"Só brincando meu amor, nada mais, olha-me uma vez"
_"Não!"
_"Está bem Geri, isto é tudo"
Quando estava na rua pensei: o que eu fiz?
Era difícil arranjar trabalho era difícil, até que me chamaram para fazer um calendário em Bahamas. Demorei muito para encontrar o edifício. Haviam mais ou menos 100 garotas esperando e eu não tinha muita experiência.
Não podia crer que era pornografia.
_"Geri Halliwell"
Caminhei até o set e mostrei meu "Book" ao fotógrafo. "Por que não chamaram modelos glamourosas?", o que há de glamour em tudo isto?
Nunca olvidaré* o casting. Me sentei na sala de espera ao lado de uma garota e pedí para ver seu book. Pra mim competir não era o importante. Logo, deixei as fotos que Sebastian havia tirado de mim e um mês depois recebi uma chamada para fazer uma sessão de fotos.
No estúdio um assistente me fez uma pequena entrevista para saber o que eu havia feito recentemente. Eu lhe disse que havia aprendido a manejar*. Então Berbely Goodway entrou na sala e disse "Olá". Ele tinha mais ou menos 40 e eu gostei dele imediatamente. Tinha um lindo rosto e uma voz muito gentil. Falava comigo como um padre enquanto ajustava as luzes e preparava a câmera.
Meu cabelo estava escuro agora. O lugar estava muito frio. A sessão durou ao redor de uma hora e me pagaram 0. Berbely havia fotografado 10 garotas, mas a decisão final tinha o editor que dizia Sim ou Não.
Berbely me mandou as cópias das fotos. Se viam bem e decidi mostrá-las a Kent. Ele me disse que eu havia perdido um trabalho porque eu estava demasiadamente gorda. _"A modelaje* é uma indústria competitiva e os clientes querem ver só perfeição."
Tratei de não criar problema, mas depois me senti muito insegura e não suficientemente bem.
Antes nem me preocupava com peso e agora não podia deixar de pensar nisso. Nada te faz tomar mais consciência do teu corpo que tirar a roupa diante de um estranho que pode lhe elerge ou não para uma sessão de fotos. E se não te eleger você se pergunta: é por que estou gorda?
A comida virou o foco para mim e as coisas não estavam indo bem. Sempre havia algo que me forçava a ir a geladeira me forçava a devolver o que comia.
Um fotógrafo me chamou pra recrear* uma sessão de Mariane Faithfull. Me sentei no chão nua mas, tapando minhas partes, mas descubri que a câmara vendo mais lá.
_"Bastardo*!!"- gritei furiosa.
_"Sinto muito, não quis fazer isso."
Ele disse que ia tapar as áreas descobertas com uma técnica no quarto escuro mas eu sabia que tinha os negativos.
Alguns fotográfos se aproveitavam que tem que fazer seu book, como por exemplo, um que vivia no norte de Londres: depois de tirar-me fotos de topless me disse: -"Tenho algo perfeito para você, você vai se encantar"
-"O quê? O quê?"
Então *me tiro uma revista a la cara* e começou a rir. Me senti tão mal que peguei minha roupa e fui embora.
-"Todas as garotas começam como você"- gritava. -¨São todas católicas..., espera a que necesites plata,* meu amor¨- .
Quando voltei a casa não podia acreditar em que situaçõ perigosa eu havia estado.
Quando havía chegado de Espanha, vivia em um apartamento em Bushey com minha melhor amiga Janine que conheci no "Game Bird Bar". Ela é meia Italiana e trabalhava numa cabeleireira em Watford até que montou seu próprio salão.
Janine vinha me visitar na Espanha e me escrevia frequentemente. Suas cartas estavam cheias de notícias locais, como amigos, inimigos e namorados. Um deles era um garoto chamado chamado Sean Green com quem eu havia saído um tempo antes de vir para a Espanha. Ele era muito gentil. Não nos escrevíamos quando eu estava na Espanha, mas quando eu chegava em casa, me chamava e me dizia: _"Quero ver-te outra vez". Com 19 anos, eu estava impressionada com ele, tanto que seis meses antes de ir-me a Espanha, fomos viver juntos. Eu trabalhava num bar em Bushey e o dono me deixava usar o ginásio quando terminava meu horário de trabalho.
Uma noite antes de ir-me, fui em cima na cozinha, queria fazer uma cena especial pra Sean.
Abri o freezer e tirei comida congelada. Não me dei conta de que o gerente vivia na casa da frente e começou a suspeitar ao ver as luzes da geladeira. Coloquei a comida congelada em baixo da minha jaqueta, fechei a porta do clube e busquei minha bicicleta, mas nesse momento o dono saltou em minha frente:
_"Esra você que estava lá em cima, na cozinha?"
_"Sim"
_"Deixe-me revistá-la"
_"Por que?"
_"Porque há faltado dinheiro"
_"Então... o que estava fazendo lá em cima?"
_"Nada, só escutei algo"
_"Está mentindo!"
Ele me levou pra dentro e chamou a polícia. Meu estômago já estava gelado.
-"Não há maneira de resolver isto"...pensei, "Devo dizer a verdade"
Tratei de ser simpática:_"Olha, eu sinto muito, eu roubei esta comida, estou realmente faminta, não há comida pra gente há dias"
_"Sinto muito, pensei que estava roubando o dinheiro"
Finalmente me disse: _"Vá pra casa"
Creio que isto me deprimiu bastante.
Geralmente, quando as mulheres se sentem mal, vão ao shopping ou se vestem para uma saída na noite. Eu tingi meu cabelo. Normalmente, Janine se ocupava dele, mas como ela estava de férias, peguei o trem à Londres e fui ao "Loreal Colour Centre" em Kensington. O preço era muito barato porque eram todos estudantes.
Nesse momento, tinha cabelo preto e queria tingí-lo de marron claro. Os estilistas trataram de chegar a cor, mas chegaram as 6:00 pm, e queriam ir pra casa porque o fim de semana estava pra chegar.
_"Ficou lindo"- disse o estilista.
Ignorando meus protestos, trataram de tira-me de cima. Quando saí, me olhei no vidro de uma loja... "O que haviam feito?"
Depois fui ao banheiro, me arrodillé* e devolvi tudo, pela minha frustração.
Nessa tarde fui ao aniversário de Natalie em um restaurante chin6es. Comi algumas coisas antes de traserem a torta, mas fui ao banheiro e as devolvi. Isto seguiu durante meses.
Quando tinha depressão ou me sentia só, ia a geladeira. Começava comendo um sanduíche de queijo, depois uma galletita* e outra e outra... Sempre terminava da mesma maneira, sentindo meu estômago vazio.
As vezes me perguntava: por que sou tão infeliz? O que acontece comigo? Mas não encontrava resposta e não podia me controlar.
Eu abusava da comida como outros abusam do álcool ou das drogas.
No verão voltei a Espanha para uma campanha de modelo em Marbella com outra duas garotas. Cindy, tinha grandes peitos e havia me contado que tinha um segredo para que eles crescam. Parecia uma boneca Barbie.
A outra garota, Claire, era todo o contrário, com uma figura doce e o apetite de um pássaro. Supunha-se que íamos fazer parte de um calendário, mas terminamos fazendo fotos nuas e tão provocantes, que as vezes não nos sentíamos confortáveis.
As pessoas que organizaram a sessão de fotos tinha outro trabalho para nós em um clube noturno. Debby e Julie, outra duas garotas que vinhas da Itália, se mudaram para o nosso apto.
Me pareciam bem, mas nunca falavam dos outros trabalhos que haviam feito.
Nessa mesma tarde, fomos a cidade com Debby comprar um postais. Enquanto esperávamos, peguei uma revista para homens que geralmente alí encontrava fotos de garotas que haviam estado em algum casting comigo. Quando abri a revista vi a Debby e Julie em uma sessão pornográfica lésbica. Fechei a revista e a pus em seu lugar.
_"Aconteceu algo?"- perguntou Debby
_"Oh! Não, nada"- lhe disse quase em estado de choque.
A noite me vesti e fui a Puerto Bames com Cindy e Claire. Chamávamos a atenção das pessoas e principalmente dos turistas. Nesse momento, um homem se acercó para comprarnos uma gaseosa*:
_"Querem vir a uma festa em meu barco?"- disse.
_"Não é muito grande"- brinquei
_"Nenhum é muito grande aqui"- disse surpreendido.
_"É seu?"
_"É de meu chefe"
_"Quem é ele?"- perguntou Claire. Mas Cindy interrompeu:
_"Mais importante é quanto custou"
_"Quem sabe? Meu chefe está na festa, só digam-lhe que eu as convidei"
Depois da festa no barco, tinhamos outra em Marbella. Chegamos a mansão, que estava cheia de casas* extravagantes, mas não precisamente de bom gosto. Não me sentia muito a gosto. Havia pouca gente e a maioria estava tomando drogas. Em todo lugar, se podia ver homens beijando mulheres. "Isto não é para você Geri... fora deste luger!"
_"Não gosto desse ambiente"- disse a Cindy-
"Não sei o que mais pode acontecer numa festa, mas não quero averiguá-lo. Eu vou embora."-, -"Eu também"- disse Claire.
_"O que vamos dizer-lhes?"
_"Que uma de nós se sente mal"
Decidimos levar a diante nosso plano, mas nesse momento, um homem que estava na festa se acercó* e trató de que entraramos* outra vez. Ele me tomou pelo braço:
_"Vamos passar um momento a sós."
_"Não, obrigada, por favor, deixe-me ir. Cindy não se sente bem"
_"Bom, chamaremos o médico"
Senti que seus dedos me apertavam. Me soltei e lhe disse:
_"Não, realmente, muito obrigada, mas vamos levá-la pra casa"
Pudemos sair mas, como íamos voltar pra casa? De repente vimos um garoto espanhol:
_"Pode nos ajudar a saltar*?"
_"A todas vocês?"
_"Sim, por favor, apurate*"
Estava segura de que seus amigos, acreditariam na história. Provavelmente ele estava fantasiando com os peitos de Cindy.
No dia seguinte, vi a Debby e a Julie, e me contaram que haviam ido a uma festa em Marbella con homens árabes.
_"Olhem o que nos han regalado*!"
As duas tinham pulseiras de diamantes e brincos fazendo juego*.
_"Disseram que podíamos pedir o que queríamos"- disse Debby- "Deveriam ter visto as jóias e o lugar"
_"Não se preoculpe, posso imaginar"
Não havia caso*, a cada momento mais me convencia de que não queria ser uma modelo glamourosa.
A agência mandava garotas a Peter Stringfellow que tinha um clube noturno e que queriam caras novas lá.
Outro homem, chamado David Sullivan preferia as garotas ruivas com silicones. Muitas vezes tomavam álcool e tiravam seus vestidos.
"O que estou fazendo aqui?", "Esta não sou eu".
Tempos depois, em outubro de 1992, comecei a trabalhar em outro clube noturno na Grécia, mais precisamente em Patras, a umas cem milhas de Atenas. Eles precisavam de 6 garotas. Quando chegamos, fomos viver em um quarto bastante sujo. Eu sempre tinha que vigiar quando íamos ao banheiro. na manhã seguinte, nos levaram a Patras, prometendo-nos um belo apto. Logo descobrimos que era um hotel que não tinha segurança, nem privacidade e com um banheiro só para seis garotas.
_"Vamos, vamos"- disse o condutor- "Vamos ao clube agora"
_"Mas, somos recém-chegadas"- lhe disse.
_"Não importa, vamos"- disse Caro, outra das dançarinas.
Descemos do caminhão e chegamos a Patras, lugar que imaginei turístico com grandes restaurantes e bares. Logo descobrimos que era um porto comercial.
Entramos no clube. Era muito escuro e cheio de cheiro de cigarro. O piso estava cheio de pétalas de flores devido a tradição da Grécia: Os homens jogam pétalas de flores para as dançarinas.
O dono nos disse: _"Vamos garotas, dançem pra mim"
Então lhe mostramos a rotina que fazíamos com "Homem missioneiro" de Annie lennox e outro de James Brown. Ele se via satisfeito. Somente tinhamos que dançar atrás dos cantores. Ficamos ali por umas horas e fomos para o hotel, que não tinha banho privado.
Eu dividia um quarto com Caro, que vinha de Chesham e era muito educada. A porta não fechava bem e qualquer um podia entrar. Eu havia posto uma silla* atrás de Caro, sempre caía quando ia ao banheiro a noite. Um dia o dono do clube, depois de nossa primeira dança nos disse:
_"Bem, agora senten-se em cima das mesas"
_"Você tem que estar brincando"- mas ele insistiu: _"Vocês tem que sentarem em cima das mesas e dizer "Oi" aos clientes"
_"De maneira nenhuma"- lhe disse
Antes de deixar a Inglaterra, nos haviam dito que depois do show, devíamos dizer um pequeno "Olá" e depois firmar autografos*. Quando me disseam isso, imaginei um clube noturno bem ubicado* e com gente chique, não um bar cheio de soldados bebendo.
Depois dessa noite, decidimos não subir em cima das mesas, e se nos forçarem, simplesmente não iríamos. Mas depois surgiram outros problemas: a princípio nosso horário era desde as 21:00 até a meia-noite. Mas o dono o mudou e devíamos trabalhar desde a meia-noite até as 3:00 am. Depois o estendeu até as 4:00 am. o qual sigifica que a cena que nos davam se suspendia e cambiaron* por um prato de sopa as 5:00 am.
O transporte que ía nos levar até o hotel, nunca estava lá, e terminavamos tendo que pegar um taxi toda manhã. Ao princípio haviam nos prometido 0 por semana mais uma taxa de pela comida, mas só recebíamos 0 no total.
Chamei as outras garotas para falar sobre o assunto e depois chamei a agência Em Londres para nos tirarem dalí, mas a única coisa que faziam era tratar de nos enrolar e por mil desculpas para que não viajemos.
_"Só mais uma semana"- diziam- "Depois as deixaremos ir"
Todas as garotas tinham sonhos parecidos.
"Skye" por exemplo, queria ser modelo e por anos, eu a havia visto em revistas. Um dia fomos as montanhas, perto de Patras... Skye era muito espiritual e falávamos sobre seus sonhos e ambições. Ela sorriu e apertou minha mão: _"Geri, você sabe que vejo uma estrela em você"- Ela era muito doce. A única garota que não me levava bem, era uma que tinha fiigura raquítica e me olhava mal porque me havia costado* anos aprender-me uma coreografia nova. Ela terminou sendo Strepper como Caro.
O pior veio depois. Um dia havíamos terminado de almoçar, estávamos voltando ao apto, quando algo fez com que desse meia volta. Um homem estava atrás de nós. Ele nos mostrou suas partes e começou a masturbar-se. Gritamos e começamos a correr. Quando chegamos as apto. disse a Caro: _"Vou pra casa!"- e comecei a por minhas roupas na mala... _"Eu vou com você"- disse ela.
Tomamos o micro a Atenas com um condustor* suicida que se passava fumando*. Quando chegamos ao aeroporto, nos demos conta de que os vôos estavam bloqueados.
_"Tem que haver outro caminho"- então voltei ao lugar onde vendiam as passagens:
_"Podem ir no avião que vai a Budapeste"- disse o vededor- "Desde alí, podem tomar o vôo à Heatheon as 17:00 am"
_"Budapeste?"- perguntou Caro.
_"O tomaremos"- disse contando o último dinheiro.
Chegamos a Londres em 31 de outubro de 1992, e três dias depois, despedi-me da agência e comecei a procurar outra. Ivone Paul, era a mais glamourosa da agência de modelos e decide ir esperando ter êxito, mas meu book era muito pequeno.
_"Não precisamos de bailarinas"- disse Ivone sarcasticamente- "Deus meu, o que tem na cabeça?"- me disse.
_"Mas"
Ela riu de mim e me senti humilhada. Tempos depois fui a outra agência chamada MOT onde trabalhei muito bem. O mais irônico, foi depois disso, Ivone Paul se contactou comigo e me disse: _"Quero que venha trabalhar conosco, querida"- mas nesse momento, perdi o interesse por el modelaje* e não pude olvidar* seu tratamento tão duro.

7
BUMS E TUMS
Nunca tive controle de minha própria vida. Não tinha paciência para ser uma professora, como dizia mamãe.

A comida sempre foi uma grande preocupação para mim e era pior a hora de almoçar, mas depois a bulimia foi uma das poucas coisas que pude controlar em minha vida caótica.

Comecei a fazer uma dieta comendo coisas leves e fazendo exercícios.

Sean e eu, nos mudamos para um apartamento em Hempstead Road. Comecei a ir a uma academia todas as manhãs e as palavras de mania voltavam a minha mente.

_"Você tem que sofrer para ficar bonita"-

Logo cheguei a ser professora de aeróbica

Aeróbica com Geri - 7:30, 6:00

Herdei de papai o jeito de conseguir dinheiro de qualquer maneira. Consultei uma nova agência em Londres e descobri que os donos queriam associar-se comigo para manejar seus clientes.

_"Posso fazê-lo"- lhes disse- "Conosco a um fotógrafo"-

Encontrei Steve e lhe comentei sobre esta idéia. Eu podia encarregar-me da maquiagem e das fotos.

Uma das primeiras garotas a vir a agência foi Sarah, a namorada de um amigo de Sean, Greg.

Sarah veio se maquiar e Steve tirou as primeiras fotos. Depois de maquiá-la, fui ao estúdio e a achei muito bonita.

Depois Steve me disse: _"Você nunca vai acreditar nisso"
_"O quê?"
_"Ela tirou a roupa"
_"Estás brincando"
_"Não! Eu não disse uma palavra. Somente se tirou o top e começou a posar."

Eu não conseguia parar de rir, Greg sempre havia criticado meu trabalho como modelo nu. Pus as fotos num envelope marron e queria enviá-las a Greg.

Este trabalho me ajudou a pagar as contas, mas não me dava tempo para ir a nenhuma audição.
Somente comprava "The Stage" aos jueves.

Nas audições sempre encontrava as mesmas pessoas, que como eu, estavam desesperadas pra ver seu nome sob as luzes. Mas isso não me fazia sentir bem, porque, talvez, meu sonho fosse impossível e tolo, então havia gente que tinha o mesmo problema. Não podíamos estar todos equivocados.

Um dia escutei numa rádio um aviso para fazer um curso de TV que custava 0. Tive que trabalhar duro até que pude juntar o dinheiro.

Nos ensinaram as técnicas para entrevistar e ser entrevistado e fizemos de conta que tínhamos que escutar uma pessoa que tinha presenciado um acidente. Acredito que o momento mais memorável pra mim, foi quando um dos garotos tinha que me fazer uma entrevista sobre uma bomba que haviam posto em Londres.

_"Pode contar-nos o que foi que aconteceu, Geri?"
_"Bem, sim, obrigada Jereny. A polícia confirmou que quatro pessoas morreram e 11 estão gravemente feridas"

Pensei que havia dito bem até que escutei o cassete e me deu conta de que minha técnica não havia sido boa.

Quando terminei o curso, enviei o cassete a uma agência chamada "Talking Heads", manejada por Antonhy Blackburn e a voz em off a cargo de John Sach que trabalhava em "Os gladiadores".

Eles queriam me ver. Como sempre estive o que ia por e como ia atuar..., _"O que vou usar?"- ... Certamente algo que cubra meus peitos. Quero parecer séria. Coloquei meu top da sorte e minha jaqueta cor de creme.

_"Sei que não tenho experiência, mas o que não tenho em experiência sobra em entusiasmo"- lhes disse.

Creio que não falei muito rápido, nem travei a língua. Meus Deus, acho que me saí bem!

Estava tão nervosa que até ouvi dizer-lhes obrigada. Quando saí, Sean estava me esperando no carro. Nesse momento, queria gritar para o mundo inteiro: Vou ser famosa!

Quatro semanas depois, em maio de 1993, vi um aviso no "The Stage" onde pediam gente para "O clube do Mickey".

A audição foi em um estúdio perto de Marble Arch. As pessoas que foram, não eram desconhecidas. Havia uma garota do programa "Vecinos" e um garoto de "Inspector Morza". Depois de pensar em um rato, decidi usar orelhas de Mickey e rulos* no cabelo.

Depois de esperar duas horas, chegou a minha vez.

_"Bem, olhe para a câmera e fale-nos algo de você, tem 30 segundos"

_"Oi garotos e garotas, meu nome é Geri e tenho um show fabuloso para vocês. Espero que gostem de dijubos* animados. Eu gosto... podem adivinhar qual é meu personagem favorito?... Então olhem minhas orelhas:
Adivinharam: Mickey Mouse!"... Que mais posso dizer?... "Sou nova no show e vocês não me conhecem, então deixem-me contar um pouco de mim: Amo a música, andar a cavalo, os dias de sol e olhas dijubitos*...

Nesse momento, a luz roxa se apagou. "Os disse".

_"Está bem"- me disseram- "mas você é um pouco infantil"

_"Você tem que pensar que está falando com adolescentes. Aqui você tem uma direção em Soho. Quero que venha a vierne* na manhã. Volte com algum segmento pensado para apresentar"- tem que ser algo para garotos por volta de 7 anos"

De repente tive uma idéia. Os garotos amam os animais. Então fui a veterinária e comprei um pato bebê. O coloquei em uma caixa e no dia seguinte fui ao estúdio em Soho. Estava contente com minha idéia, até que encontrei 3 pessoas mais que tinha tido a mesma idéia.

Cheguei no momento em que me chamaram.

_"Senhoras e senhores, quero apresentar-lhes um novo membro neste lugar... esse é o pato da Disney!"

O diretor e o produtor olharam horrorizados:
_"Creio que necessite de um pouco de água"
_"Dê-lhe um pouco de ar"
_"As luzes são muito quentes"
_"Que cruel!"

Ninguém prestou mais atenção na minha apresentação, todos estavam preocupados com o pato. Saí do estúdio e o levei para a veterinária. Pus o pato na caixa e o devolvi.

_"Nós não devolvemos o dinheiro"- me disse o dono.

_"Está bem, só assegure-se de que tenha um bom lugar"

Todas as manhãs assistia "The big breakfast" no canal 4. Eu gostava de tudo o que Chris Evans fazia. Esse dia foi especialm porque ele anunciou que o canal 4, ia lançar um novo programa chamado "Trash talk" e estavam procurando apresentadores maiores de 17 anos. Os interessados tinham que mandar um tape com alguma audição.

Sabia que no canal quatro, haviam muitos programas de futebol, então me ocorreu fazer uma entrevista bajo a lluvia* a dos jogadores de futebol chamados Ritchie e Joel.

Apertei o 'record' e comecei a gravar:

_"Olá, meu nome é Geri e você está assistindo "Trash talk". Estou aqui com Ritchie e... em... como se chama?-, -"Joel"-... -"Ah, sim, Joel. Teremos muitas coisas para vocês... Não saiam daí, voltarei depois de um comercial"

Tempos depois, recebi uma notícia do canal quatro. A partir desse momento, toda pessoa que cruzava comigo ficava sabendo que eu ia estar em "The big breakfast".

Desafortunadamente, no dia que tinha que ir ao programa tive que ir a outro casting e Karen teve que cubrir-me.

Tempos depois encontrei Chris Evams:

_"Vamos te dar a oportunidade de apresentar um programa e pensei que seria bom que vieras* os vídeos que me han* mandado"

O primeiro que vi foi um garoto Jamaiquino que tinha um sotaque raro, e não podia entender uma só palavra.

A segunda, era uma senhora por volta de 65 anos que recitava poemas. E a terceira..., a terceira era eu. Me achei patética, com maquiagem estancado* em mis mejillas*:- "Não saiam daí, voltarei depois de um comercial"- Ao mesmo tempo Joel e Ritchie estavam fazendo muecas* atrás de mis espaldas*.

Chris Evans cubriu sua boca para não rir.

_"Como posso mostrar minha cara depois disso?"

Me sentei no sofá de Karen enquanto ela me dizia:
_"Não estava tão mal"
_"Você realmente pensa isso?"
_"Sim"
_"Mas eles riram de mim"
_"Não, você os fez rir. Isso é bom"
_"Sim, está bem!"- pensei.

Nem tudo o que fazia era um desastre, mas o que tinha sim, era a "Síndrome do Tráfico".
Quando dirigia pela quadra, saia a pensar:- "Se passo os próximos semáforos sem que estejam vermelhos, então tudo me sairá bem"- Quando passava os semáforos, então dizia: _"Se as luzes ficarem verdes antes que eu conte 10 segundos, tudo estará bem hoje."

Uma vez na quadra, se me colocassem outras coisas na cabeça, como por exemplo que carregava pesos, podia conseguir o que queria.

Porém , meus sonhos não haviam se tornado realidade.

Quando ia a uma audição, sempre me faziam a mesma pergunta:
_"Você tem experiência como atriz?"

_"Bem, sim..., fiz um pouco de teatro". Esta era uma mentira total. Mas isso é o que é uma atuação: fazer com que as coisas sejam verdades.

_"Bem, vocês devem saber que meu sobrenome é Halliwell, não?"
_"Bem, o filme "Halliwell Guide" foi escrito por meu velho tio"
_"É sério?"
_"Sim, o llevo* 12 anos"

Tudo isto era uma grande invenção. Mais tarde, um dos diretores mais importantes de TV, Nick Ferrari que pertencia ao "Dayly Mirror" convocava pessoas para um programa ao vivo.
Outra vez tive que decidir o que vestir, até que optei por um traje preto.

Nick Ferrari me levou ao seu escritório: _"O programa se chama "Londres ao vivo"- me disse.

Outra vez contei pra todo mundo que ia ter meu próprio programa de TV!...- "Que vou vestir?"- Algo sexy certamente. Vesti pantalonas e um body preto.

O programa se tratava de "converter as pessoas", mudar seu penteado e sua roupa. Fizeram uma prova comigo e acho que me saí bem. Mas, ao mesmo tempo tive outra possibilidade. Um diretor, chamado David Cadogan, me convidou paua um divertido filme onde eu tinha que interpretar uma enfermeira distraída.

Fui chamada para falar com o diretor, em um estúdio em Hammersmith. Estava contente, mas nervosa e realmente tinha ganância de fazê-lo.

Tinha perdido peso, antes que David me visse...
_"O que aconteceu com suas curvas?"- me perguntou horrorizada.
_"Você parece desnutrida..., quero que te vejas rellena*, não como um saco de ossos".

David fez que lê-sse uma parte do texto, mas, ao menos tempo estava competindo com outra garota.

_"Temo que te possas esquecer a letra, Geri.
Johane tem mais experiência que você..., aparte... qual foi a última coisa que você leu?"

_"Cosmopolitan"

Ele riu. Me enojei e me senti humilhada. Mas sabia que tinha razão.

Sabia também que havia deixado a escola aos 16 e que não havia lido bem, No dia seguinte fui ao "Watford College" perguntando por um curso de literatura inglesa. Geri Halliwell voltava ao colégio.

Sean e eu estivemos juntos por dois anos e meio e nossa relação era boa, mas um pouco desgastada por sua vez. Eu saía todos os dias e fazia diversos trabalhos e ele parecia que havia esquecido suas ambições. A única coisa que fazia era descançar e assistir TV.

Por um tempo, quis ser a esposa perfeita.
Lhe fazia o almoço e a janta.

Meu aniversário nº 21 se aproximava e sabia que Sean estava planejando algo. Minha vida estava passando muito rápido e queria mudar algumas coisas.

Um dia fui ao colégio "Watford College" e pedi cópias de "Hamlet". o li na cafeteria. Quando cheguei a nosso apartamento em Hempstead Road, Sean estava estirado no sofá. Sabia que não estava certo abandonar alguém, mas acreditava que Sean e eu estaríamos melhor separados e como em Hamlet, comecei a por excusas*.

_"O que pensa, que vai me deixar?"- ele me perguntou enquanto eu colocava minha roupa no carro, apesar de que tudo não entrava na parte traseira do meu fiat1.

_"Acho que temos caminhos diferentes"-lhe disse
_"Desde quando?"
_"Desde muito tempo"

Sean me disse que não queria que o deixasse. Sabia que ele me amava e não era nada fácil o fazê-lo. Podia vê-lo parado na janela enquanto eu estava indo.

Sabia que o que estava fazendo era o melhor para os dois.

Me mudei para um apartamento em Fairlawns, que ironicamente, era o mesmo onde havia acabado com outro garoto e também o mesmo onde vivia o namorado de Natalie, "Rupert", a quem eu tinha roubado a serpente. Ele não havia descoberto a verdade.

Amava minha nova casa. Tinha um jardim com árvores e además, fiz com que parecesse melhor, pintando-o e pondo pisos novos. Tinha um só quarto e não muitos móveis. Também tinha um piano que alguém havia deixado. As primeiras semanas, dormia no chão, até que pude comprar uns colchões.

Na primeira noite só, me parei em frente ao espelho e ajustei um vestido que havia comprado em um negócio de segunda mão. Também fazia minhas próprias roupas transformando coisas novas em velhas.

Eram 10:00pm, quando faltou energia. Tive medo e Sean não estava para me ajudar... o que ia fazer se alguém quisesse entrar?

Abri as cortinas e vi que em todo o vecindário* tinha luz. Em meu edifício, o sistema elétrico, se manejam com tarjetas* que se recarregavam e a minha havia se esgotado. Preciso de dinheiro para carragá-lo.

Na escuridão procurei as chames do carro e fui ao centro e carreguei a tarjeta*.

Tendo controle de minha vida, comecei um novo regime. Me levantava às 6:00 da manhã, antes de abrirem a academia e corria 20 minutos antes de que todos chegassem, e depois seguia com minha série de abdominais duas vezes por semana.

Minha dieta estvava baseada em cebola, iogurte, café e manzanas*. Por quatro meses, tratava de não ir a casa de mamãe porque sabia que ela ia querer me fazer comer.

Logo consegui um novo trabalho. Comecei a lavar o cabelo em um cabeleireiro em St Albans. Tinha que fazer café aos donos também.

Uma manhã, tive que lavar o cabelo de um homem, que tinha mais ou menos trinta naos e seu cabelo começava a cair. Comecei a lavar o cabelo enquanto ele lia uma revista, notei algo estranho. Me dei conta de que tinha rimel marrom atrás de suas orelhas simulando cabelo. Parecua que alguém lhe havia metido a cabeça dentro de chocolate quente. Por sorte, apesar de que havia muita gente, cada um estava preocupado com o seu.

Deixei de trabalhar no cabeleireiro e comecei a trabalhar num restaurante italiano servindo bebidas. Depois, durante a semana, limpava duas casas. Uma em Rickmansworth e a outra em Chorley Wood. Fora isto, um amigo que vendia jóias, havia me dado uns relógios que eu vendia quando ia a alguma audição ou a academia.

Em setembro, comecei meu curso de literatura inglesa. Me encantava com Shakespeare e Oscar Wilde.

Muitos dos estudantes, tinham 17 ou 18 anos e onde eu era a mais velha, pude fazer muitos amigos.

As aulas eram três vezes por semana e depois ia a livraria. Havia um grande espelho na parede e não podia evitar lembrar quando eu parava sobre a mesa e cantava: "quero ser a rainha do clube noturno", mamãe limpava a livraria.

Passei de uma aluna mediovre aos 16, a uma excelente aos 21. Isto me mostrou como cresci em tão poucos anos. A gente passa por diferentes etapas.

O show na Turquia tinha um exito e queria fazê-lo ao vivo todas as semanas. Tive a chance de voltar. Cheryl e Sarah não regressaram mas Caro sim. Íamos a Estambul todas as sextas a tarde e filmávamos sábado e domingo. Depois, voltávamos a Londres na segunda de manhã para poder ir ao colégio. Era perfeito, passava os dias vivendo num hotel e tinha tempo para meus estudos.

O formato do programa não havia mudado, mas sim o que eu tinha que fazer. Desta vez, tinha um cartaz com uma grande frase embaixo do meu braço e alguém do público me fazia uma pergunta. Mas não sei o que dizia o cartaz. Eu só sorria e lhes fazia acreditar que havia entendido a broma*.

Em 6 de agosto, festejei meu aniversário nº 21 em Estambul. Quando terminou o programa, trouxeram uma torta e toda a audiência me cantou "Parábens". As fotos apareceram em todos os periódicos* da Turquia no dia seguinte.

Quando chegou a noite, Caro e eu, nos recostamos na cama e começamos a pensar em como celebrá-lo.

_"Este e meu ano"- lhe disse.
Ela riu: _"O que te faz pensar isso?"
_"O sinto aqui"- lhe disse tocando meu coração.
_"Nem tudo o que você quer acontece, Geri..., em algum momento, alguém vai se esquecer de você"
_"Eu sei. Lembro que quando tinha 11 anos, disse a uma amiga que ia ser rica e famosa e ela me respondeu o mesmo que você".

Odiava a idéia de ser pobre outra vez e ter que juntar dinheiro para pagar o gás ou poder comprar algo com uma tarjeta* de aniversário.

Eu queria ser famosa porque sabia que isso me daria liberdade. Não teria que limpar pisos como minha mãe ou lavar cabelos em um cabeleireiro.

Eu queria que as pessoas lembrassem do meu rosto e soubessem meu nome. Queria ser adorada pelas pessoas. Queria gritar aos namorados que me deixaram e as agências que não me registraram. Eu gostava de imaginar a cara que ficaria toda essa gente que foi rude comigo ou que riu de mim. Queria provar a todos eles que eu podia fazê-lo.

Com tudo o que fazia na semana, não tinha muito tempo para ver minha família.

Um dia, papai veio me visitar. Noa sentamos na mesa e enquanto tomávamos uma taça de té*, começou a falar-me de seu grande amor. Ela se casou com outro e papai nunca a esqueceu. Ele aún* a seguia viendo* e agora eram só velhos amigos.

Nesse momento, me dirigi ao piano, só sabia três músicas. Papai riu. Nessa noite assistimos "É uma maravilhos vida" com Jimmy Stewart.

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HAMLET
Estava na aula de inglês e alguém interrompeu dizendo que tinha um telefonema pra mim. Era Max:
_"Você tem que vir pra casa, Geri"-
_"Por que? O que aconteceu? Sua voz está terrível"-
_"Não posso dizer por telefone. Só venha pra casa"
Deixei meus livros e fui até a casa de Natalie em Ascot Wood. Max estava parado na porta quando cheguei:
_"Geri, papai morreu"- ele pôs suas mãos ao redor de meus braços.
_"Não, não pode ser"- Papai não pode estar morto... quando foi a última vez que o vi? Qual foi a última palavra que nós dissemos um ao outro? Nunca pensei que isto podia acontecer. Não a meu pai, não agora.
Depois desse dia, voltei ao colégio para buscar minhas coisas. Contei a professora o que havia acontecido: _"Sinto muito, mas não posso voltar a sua aula hoje, meu pai morreu."
No dia anterior ao de papai morrer, Karen havia festejado seu aniversário de 38 anos. Eu não pude ir porque estava em Estambul. Haviam ido todos exceto papai.
Todos supunham que não havia ido, porque fazia um tempo que se esquecia das coisas, assim, provavelmente chegaria na semana seguinte perguntando: onde está a festa?
Na manhã de segunda, Karen fui ver como papai estava , mas nada saía do apartamento, então chamou a polícia. Quando a porta se abriu, papai estava deitado no chão, nu, com um regalo* ao lado dele.
Certamente, estava se vestindo para a festa e teve um ataque do coração. Tinha 71 anos.
Fui ao hospital porque queria dizer-lhe adeus. Ele estava ali, com a cara morada* e suas unhas pretas. Parecia Dany De Vito no papel do Pinguim na segunda parte de Batman.
_"Oh, papai. Não quero lembrar de você assim. Tratei de lembrar a última vez que o havia visto em uma tarde de Novembro, sentado na cozinha de meu apartamento tomando uma taça de té. Eu estava tocando piano e ele pensava que era grandioso.
Na realidade, ele pensava que tudo o que eu fazia era grandioso. Ele era um sonhador como eu. Nós nos entendíamos. Ele entendia meus sonhos e isso me encantava. Ele sempre quis escrever um livro.
Porém, tenho os três minutos gravados em um tape.
Nunca tivemos um relacionamento de pai e filha. Ele era como um avô e eu sua pequena Shirley Temple.
Éramos como dois companheiros que amavam as saídas de carro, os livros e os filmes. Ele fez com que gostasse de carros antigos como os MGS e os Aston Martins.
Agora estava morto. Me sentia quebrada e com raiva, como se alguém houvesse me roubado algo que era meu. Ele me pertencia, era meu fã nº1. Só pensava em mim, em mim, em mim...
Fui ao funeral em St Albans Road na terça a tarde. A música do órgão era contínua.
_"Papai?"
Haviam posto maquiagem em sua cara. Tinha polvo* vermelho em sus mejillas*, delineador e lápis labial salmon.
Comecei a rir histericamente.
_"Oh, papai..., o que fizeram com você? Você parace um travesti"
Nessa noite fui ao teatro ver Hamlet. Lembro de Alan Cumming interpretando seu papel. Chorava porque seu pai havia sido morto. Na manhã seguinte, dois carros pretos, chegaram a casa de Karen em Chooley Wood para levar a família ao funeral. No carro comecei a chorar. Recordo quando levaram o caixão.
Todos foram ver as cartas de condolencia*, mas eu fui caminhar. Uma vez estive só, chorei. Papai nunca me veria triunfar.
Nas semanas seguintes, perdi muito peso.
Vivia de manzanas* e café. Karen e Natalie me pressionavam para que comesse mais. Gostava que estivessem preocupadas comigo.
Quando ia buscar Natalie no trabalho, ela me dizia que me via mal.
_"Estou bem"
_"O que comeu hoje?"
_"Dois manzanas*"
_"Geri, você tem que comer! Você vai ficar doente"
mamãe chegava em meu apartamento com pastas para que engordasse.
_"Não vou comer isso"- lhe dizia enquanto abriapaquete*.
Ao final, comecei a trabalhar em um bar em Market Street. usava roupas pretas, para aparentar que era mais magra.
Praticamente não via a cara de horror que as pessoas faziam quando me diziam que estava muito magra.
Um mês antes de papai morrer, escrevi nomeu diário:
Me sinto muito só, o que posso fazer?
Mmmm... comer?
Não, não vou comer. Sou uma puta gorda.
Estou cansada da vida.
Vamos Geri, é tempo de sonhar. Sonhar com o paraíso.
Uma ilha onde brilhe o sol, livres de toda dor.
Devo ter energia. Devo tratar.

Durante esses dias, tratei de ser positiva. O plano era o mesmo. Llenar* minha vida de fama e fortuna. Mas quando chegava a noite, me deprimia outra vez.
O Natal fez com que as coisas ficassem pior.
Era sempre um momento de depressão para mim, desde a casa dividida de Jubilee Road quando estávamos comendo chips, enquanto papai estava em seu quarto. Comecei a visitar a minha família e amigos. Não sei por que razão, pus um vestido que pertencia a Amanda, minha cunhada. Era seu vestido de noiva, o mesmo que havia usado em seu casamento com Max fazia 10 anos. Isso demonstrava a fraca que eu estava.
Todos me falavam e me davam conselhos mas nada podia chegar ao meu interior. Algo estava morto dentro de mim.

Sábado, 12 de março de 1994

Olá diário. Fazem três meses que não escrevo nada. Estou dibujando mis penas*. Sinto dor, miséria, saudade e nada pode ajurdar-me.
Onde está essa Geri cheia de ambições e motivação?
Esses dias ficaram para trás.
Posso dizer que estes quatro meses foram os mais miseráveis da minha vida.
São 11:26 pm. Cancelei outra saída esta noite, para recostar-me temprano*.
Depressão!!!... me sinto tão debil... porque Karen é tão forte?
Acorda Geri!... será que estou crescendo? Sou normal?
Penso em me matar, mas também penso em minha família.

Decidi não chorar mais. E qué acerca* da música?... Se não podia gravar um single, então seria apresentadora ou atriz. Eu podia mudar minha vida.
Encontrei um estúdio de gravação perto de Watford que podia me ajudar a gravar um demo. Duas músicas custava, 0. Não tinha dinheiro, assim que conseguir mais trabalhos. Agora tinha 6.
Uma música já estava elegida. Queria fazer um cover de uma velha versão dos '70 chamada "A lover's Hollidays" de um grupo chamado "Change".
Fui ao estúdio e me ofereceram gravar outra canção.
_"Voltarei as quatro horas"- lhes disse.
Quando saí do estúdio, presenciei um acidente de motos. Uma vez em meu carro, escrevi um pedaço de uma canção em um papel. Só consigo lembrar uma parte agora:

Amor para amar, viver para amar
isso é tudo o que tens que fazer
Viver para amar, amar para viver...

Essa noite fazia muito frio e estava afônica.
Era típico! Tendo 6 trabalhos para poder gravar meu disco demo era lógico. Tomei um té* com mel.
No outro dia, fui ao estúdio, o que podia ter de diferente que cantar no banho?... tinha prática nisso.
_"Vamos cantar a canção linha por linha"- disse o produtor.
O demo não foi grandioso, mas tampouco podia esperar milegres. Era sulficiente com que a companhia havia se fijado* em mim.
Anthony Blackburn tinha contato na EMI e lhes mandou meu demo, acompanhado de minha velha credencial de modelo. Ao mesmo tempo encontrei outro diretor chamado Derek Price que tinha uma oficina em Kensal Town perto do canal "Gran Unión".
_"Sim Geri, fabuloso. Vou convertê-la na nova Betty Boop!"- exclamou- "Serás a grande Geri, G-R-A-N-D-E!"
Não acreditando em tudo o que me dizia, mandei meu demo para outra agência "Richard Foster" a quem eu conhecia antes. Richard se interessou em mim e quis que escrevesse mais canções. Ele tinha uma casa em Chiswick e era muito sensível comparado com Derek.
Minha depressão havia se convertido em uma ola*. Tinha dias bons e mals. Em meus dias mals, ia ao supermercado e logo voltava e ficava na cama por horas.
A única vez que me livrei de minha depressão foi em minha aula de Inglês quando o professor escreveu em meu boletim:
'Uma estudante entusiasmada e que trabalha duro. Interessada pela análise dos textos. Geri está capacitada para expressar suas próprias idéias de uma maneira interessante.'

Recebi uma chamada inesperada de MOT, minha velha agência. Tinham um trabalho para mim. Queriam que fizesse parte de um vídeo de Pink Floyd. Eu me via mais como uma mulher de 40 anos, pelo peso que havia perdido. Eu parecia mais a Twiggy que a Betty Grable.
A filmagem durou meio dia e encontrei um lindo garoto chamado Dave. Ele era modelo e me disse que tinha um contrato com Levis, coisa que não acreditei.
Os que mais falavam, eram os que tinham menos experiência. Eu só fazia isso nas audições, mas não com outros "Wannabes".
Na semana seguinte, Dave passou a me buscar em seu carro pela estação. Fazia 8 meses que havia acabado com Sean e não estava disponível para outro namorado. Lhe dei um beijo na bochecha e lhe disse adeus, esperando não vê-lo nunca mais.
O aviso que havia saído no "The Stage" dizia:

Audição para "Thank Girl"
Estamos buscando a estrela
para este filme futurista
THANK GIRL

Nesse dia coloquei minha botas de búfalo, pensando que era original. Quando cheguei havia milhares de garotas iguais a mim.
Meus pés estavam me matando e em cima, não não havia comido nada o dia todo. Me sentei em frente a um Snak Bar e pus meu book entre mis rodillas*.
De pronto, apareceu uma garota alta com cabelo liso e óculos e se sentou ao meu lado.
_"Olá, sou Geri"- lhe disse.
_"Victoria"
Outra garota se sentou perto de mim e me perguntou se poderia ver minhas fotos. Victoria, também se interessou. Então, comecei a contar-lhes sobre os trabalhos que havia feito. Tinha tanta fome...
Havia esquecido o dinheiro no carro. Caminhei de lado a lado e me dei conta que não havia ninguém no Snak Bar. Então saquei uma bolsa de pipoca.
Abri a bolsa e a dividi com Victoria e a outra garota. Nesse momento, a empregada voltou:
_"Você roubou"- me disse.
Fiquei toda vermelha. Nesse momento Victoria sussurrou:
_"O que você fez?"- parecia aterrorizada.
_"Você roubou!?"- as pessoas gritavam.
_"Você roubou estas pipocas. É uma ladra, deveria chamar a polícia!"
Queria explicar-lhe, mas não encontrava as palavras adequadas. Todos podiam se dar conta que eu era anorexica. Não podia ter pago porque não tinha o dinheiro. A mulher se foi e eu pensei que ia chamar a polícia:
_"Por Deus! Era só uma bolsa de pipocas"- sorri para Victoria enquanto nós duas comíamos a evidência.
Nesse momento, nos chamaram para o teste. Nos fizeram passar em uma sala de cinema onde haviam mais ou menos 10 pessoas.
_"Olá garotas, relaxem"- nos disse uma mulher que tinha mais ou menos 30 anos enquanto nos explicava como ia ser a audição.
_"Queremos saber um pouco de vocês, assim, vamos começar da direita."
_"Cristo! O que eu ia dizer?"- odiava quando faziam esse tipo de coisas. Por que não me davam algo pra ler? Ali não ia soar como uma idiota. Pensa Geri, pensa.
Tratava de buscar algo bom em minha cabeça, mas não podia com as outras garotas falando.
_"Oh, é minha vez! Não sei o que dizer!... Ahhh!"
_"Olá, sou Geri Halliwell, tenho 22 anos e sou de Leão. Creio que serei uma Thank Girl"
E assim foi. Isso foi tudo o que eu disse. Minha grande oportunidade de ser uma "Thank Girl" e disse algo tão estúpido... "Sou de Leão" por Deus!
Não foi um grande problema. A garota que falou depois de mim, disse que havia estado bem. Pelo contrário, ela esqueceu tudo. Não disse sequer uma palavra.
Uma nuvem escura perturbava minha vida, desde que papai havia morrido. O pior era quando estava só a noite e me deprimia enquanto escrevia em meu diário:

Quinta, 12 de maio de 1994
Não posso me mover. Isto paraliza meu corpo, minha inspiração e minha motivação. Não faço nada. Só existo em um mundo solitário cheio de confusão. Não tenho voz, só medos. Será esta uma lição da vida? Será normal?

Mais tarde, assisti um filme "Goundog Day" e me deixou a lição de que tinha que viver cada dia como se fosse o último. Trataría de ser melhor e aprender com meus erros. De pronto, vi um aviso no "The Stage":

"R U 18-23 with the ability to sing/dance? R U streetwise, ambitious, outgoing, and
determined?"

Pensei que era uma boa idéia mas não fui a audição. Eu lembro bem por que: estava na Espanha por uns dias para ver meu tio e sua família. Não sei porque guardei o recorte do jornal.
A audição havia sido a dois meses.
Obviamente, já não precisavam de garotas.
Forçando a mim mesma a ser mais otimista, marquei o número:
_"Olá, soube que vocês iam formar uma banda, ainda estão fazendo o casting?
_"Sim, as garotas virão na semana que vem"
_"Não pude ir a audição anterior porque me sentia mal, mas fiz algo como modelo e canto."
_"Está bem, pode vir"
Incrível! Mil garotas haviam ido a primeira audição, por que me deixaram fazer o casting dois meses depois?
Então comecei a duvidar da profissionalidade dessa gente. Nenhum profissional haveria atuado dessa maneira. A audição foi na quarta em um estúdio em Sthepherds Bush. havia perdido 6 quilos e não podia passar nada de comida. Um dia me encontrei com uma amiga de Karen. Se chamava Sue e havia sido anoréxica e bulímica e quando me viu se deu conta de que eu estava passando pelo mesmo. Natalie e mamãe estavam preocupadas mas não se davam conta do mal que havia realmente.
Ela me mostrava fotos de quando estava anoréxica.
Nesse momento, ela também tinha um diário e me fez ler algumas passagens.
_"Geri, deves aceitar que isto é uma doença"
_"Estou bem, só estou deprimida"
_"O que você comeu hoje?"
Realmente não podia lembrar. Havia tratado de jantar mas voltei a cama.
_"Isto é rid;iculo, Geri, vou chamar o doutor"
_"Não, estou bem, só tive um mal dia"
_"Tens que ir"
_"Não vou ir amanhã, tenho uma audição e vão eleger só cinco garotas"
_"Não me importa, olhe-me"
Por um momento olhei os olhos de Sue.
_"Levante Geri, você não quer morrer"
_"Não"
Nessa noite, me encostei na cama e escrevi:
Sinto que deixo todos nervosos. Não posso morrer, não posso fazer nada, só existo. Nem sequer tenho a papai. Posso contar com nos dedos quantas vezes rí esse ano.
Agora só quero ser feliz a cada momento.
Não quero pensar nas coisas que vão vir.

Dormi e acordei quando escutei o lixeiro. Comecei a olhar o relógio. Ir ou não ir, essa era a questão. Pode ser que primeiro me faça um taça de té* e depois decida.
9
SE SÓ
Parei na esquina de uma rua e chequei minha maquiagem:

_"Ok Geri, mostre a todo mundo o que sabe fazer"- disse a mim mesma tratando de convencer-me. Disse meu nome a recepcionista, me sentei e esperei antes de sua chamada.

Não estava segura do que ia vestir, até que decidi por uma calça tipo Barbie e um jumper com sapatos plataforma. Meu estilo normal.

Havia uma garota que tinha cabelo ruivo e um grande nariz. Não era atraente mas tinha uma voz muito boa.
Os encarregados do lugar eram Bob e Chris Herbert que eram pai e filho.

_"Conte-nos algo sobre você"- disse Chris.

Lhe mostrei minhas fotos e comecei a relatar o que havia feito exageradamente.

_"Quantos anos você tem?"- perguntou Chris.

_"Eu sou velha ou nova se você quiser que eu seja"- eu disse- "Eu posso ter doze anos com grandes peitos se você preferir"

Então cantei minha velha e favorita "Eu quero ser a rainha de um clube noturno". Eu tinha uma voz muito profunda, um wisque e cigarros e aquele tipo de som bem vagaroso, um número sexy.

Melanie Brown se via incrível e muito cool com uma mini saia e um cabelo incrível.

Então me dei conta de que estava com Victoria Addams, a garota da audição de "Thank Girl". Ela sorriu quando me reconheceu.

Todas fomos chamadas ao estúdio e fomos divididas em grupos de dois e de seis. Imediatamente me pus ao lado das duas garotas menos bonitas e menos talentosas. Mel e Victoria estavam em outro grupo.

Bob trouxe um cassete:

_"Lhes darei uma canção. Estou certo de que a conhecem"

Então. tínhamos que aprender uns passos de dança "sou boa dançando minhas próprias coreografias mas não aprendendo outros passos"

Uma garota ruiva era a encarregada dos passos:
_"Bem, vamos fazer isto e isto"- disse.

Tinha problemas para recordar mas se esquecesse faria meus próprios passos. Isso me faria ver diferente.

O outro grupo era fantástico. Desejava ser uma dessas garotas. Então Bob me disse: _"Geri, quero que mude de grupo e aprenda a outra coreografia"

Victoria e Melanie, faziam com que tudo ficasse mais fácil. No outro grupo estava Michelle Sthephenson.

Depois de dançar, Bob queria que cantássemos uma música só. Mel B cantou 'Queen of the Night' de Whitney Houston e eu pensava que era fantástica. Ela seria seguramente uma das elegidas.

Quando terminou a audição, fui a ela lhe disse:
_"Você é realmente linda..."
Ela deu uma estrondosa gargalhada
_"Para onde vai agora?"- perguntei.
_"Minha casa em Leeds"
_"Você não quer carona até a estação?"
_"Certo"

Enquanto conversávamos no carro, descobrimos que tínhamos muito em comum. Ela havia deixado o colégio aos 16 e também havia dançado em um clube noturno.

Bob e Chris haviam escolhido haviam escolhido as 5 garotas, mas teríam que ver como soávamos como grupo. Cantamos uma canção de Steve Wonder.

Pratiquei a canção por uma semana. Até acredito que a cantava em meus sonhos. Havia albañiles* no edifício da frente e quando saía gritavam:
_ "Suena* bem, Geri" ou "Hacelo* melhor, cariño"

Mas, ainda tinha dias obscuros. Lá fora haviam árvores e flores mas eu não podia ver cores, não desde que papai morreu.

Uma semana depois as candidatas finais. Nos encontramos nos estúdios para uma segunda audição.

Nesse momento, apareceu outra garota que ia no lugar de uma que havia decidido não ir. Seu nome era Melanie Chisholm e tinha 19 anos. Vestia um top preto com rayas* brancas aos costalos* e uma pollera* com sapatilhas.

Mel C tinha um ar de bailarina e movimentos de ginasta.

Victoria vinha de outro grupo e dominava as vozes. O resto das garotas a olhavam estranhando. A voz de Mel B era mais profunda e mais forte. Ao lado dela estava Mel C muito relaxada como se houvesse cantado toda a vida.
A voz de Michele era a mais controlada e a mais treinada. Eu tratava de esconder minha voz com a das outras.

Não tínhamos experiência juntas, e soávamos terríveis. Cada uma enterpretava de maneira diferente a mesma canção.

Então Bob e Chris decidiram que vivessemos juntas. Eu não sabia bem o que fazer.

Richard, o homem da agência de Chiswick, havia me dado a oportunidade de escrever minhas próprias canções. Iria com as garotas ou com ele?

Perguntei a um amigo que era DJ o que podia fazer:

_"Banda de garotas não funciona"- me disse.

Ele não concordei com ele. Aos 12 anos admirava Madonna e as pessoas jovens necessitavam de algo parecido. Por que as bandas de garotos dominavam os charts? Não havia um grupo de garotas desde bananaramas. Era o momento certo, eu ia estar em uma banda de garotas e íamos ter mais êxito que "Take That" e "New Kids On The Block".

De repente, minha vida se transformou. Agora sonhava em ser uma estrela POP, viajar em limousines e aparecer no Top of the pops.

Sempre amei a música mas nunca tratei de determinar que era o que fazia com que uma música fosse popular ou memorável. Eu escutava constantemente a rádio e cantava quando ia em meu carro até a academia. Deus sabe o que os outros motoristas pensavam quando me ouviam.

Não tinha visto as garotas desde a audição, s;o liguei para Victoria uma vez na semana para certificar-me de que não estava sonhando.

Chegou o dia de mudarmos todas juntas. Victoria ocupou todo o lugar com suas malas gigantes. Ela era uma verdadeira garota, muito feminina e em um segundo, começou a olhar minha bolsa e falar-me de roupa. Como eu, ela podia lembrar onde havia comprado cada acessório e quanto havia pago.

_"Te levarei a uma loja onde vendem coisas baratas"- lhe disse.

Victoria me olhou fazendo-me saber que ela não usava roupa de segunda mão. Ela a comprava na rua principal.

Nessa tarde, fomos ao estúdio. A música que tínhamos que aprender se chamava "Llévame lejos"*. Nenhuma de nós gostávamos da música e os coros eram particularmente negativos.

A primeira vez que a cantamos foi terrível, mas depois conhecemos a nossa professora de canto Pepi lemer, que tinha por volta de 40 anos. Pepi teve-nos uma paciência enorme.

Desde o princípio decidimos que não ia ter um líder no grupo. Isto fazia o trabalho de Pepi ser mais duro. Decidimos quem ia cantar cada parte da canção e depois todas cantávamos a parte do coro. Gravamos o tema em um cassete que depois nos deram. Acredito que soava horrível.
Pepi pôs meu braço embaixo:
_"Trate de melhorar, Geri... podes escultar isso?"
_"Vcê grita muito Mel B"
_"Não, não grito"
_"Sim, definitivamente sim. E você Michelle, canta muito lento"

Pobre Pepi! Não ia ser nada fácil para ela. Michelle soava como se estivéssemos em uma ópera em Covent Garden. Eu tratava de ter mais confiança e de treinar mais minha voz. Pelo contrário Mel C, estava totalmente relaxada como se tivesse cantado toda a sua vida.
O nome da canção era muito apropriado. Os nervos de Pepi durante toda a semana a levaríam a dizer: llevame lejos*! Parecia mais uma tortura que um treinamento.
Todas as manhãs, chegávamos as 10:00 am e não íamos até tarde. Ao mesmo tempo, praticávamos uma coreografia.

_"Bom, vamos fazer isto"- dizia Mel B com seu sotaque do norte. Ela nos dava uma idéia e Mel C agregava um movimento extra. As duas haviam sido treinadas, especialmente Mel C que havia feito ginástica e balé quando ia a escola. Victoria só havia cantado e havia dançado um pouco quando era mais jovem. Eu estava maravilhada quando via que aprendia rapidamente os passos.

Mamãe nunca pôde pagar-me aulas de Ballet. Lembro uma vez, quando tinha 8 anos mamãe me mandou a uma escola de balé onde todas as garotas tinham por volta de 5 anos. Me senti estúpida e voltei pra casa.

Saímos, eu e as garotas, a comer pizza pela noite. Eu tinha muita afinidade com elas.
Nossas vidas eram muito parecidas, exceto a de Michelle.

_"Tenho poster de Adam Ant, Bruce Willis e Madonna"- disse Mel C.

_"Adam Ant? Quem é?"- disse Mel B. Todas nós rimos.

_"É que eu sou mais cool"- disse Mel B- "eu gosto de Nene Cherry e Bobby Brown"

Victoria tinha uma confissão para nos fazer. Ela queria se casar com Matt Gross de "Bros"

_"Minha banda favorita, antes era 'Bucks fizz'"

Todas devíamos vestir-nos de branco e preto mas em diferentes combinações. Eu usava pantalona e remera*, Michelle usava um vestido que parecia um baby doll e as outras tinham pantalonas pretas e camisas brancas*.

Uma vez no estúdio, nos apresentaram a um homem que se chamava Chic Murphy.

_"Encantado em conhecer as garotas"- disse.

Interpretamos nosso repertório dele ignorando os gestos que Pepi nos fazia no hall de trás.

Depois de escutar-nos Chic disse: _"Sim, garotas. Acredito que isto pode funcionar"

Chic tinha uma casa desocupada em Maidenhead Road e nós íamos nos mudar dali para passar-mos o verão juntas.

Ao mesmo tempo, recebi um telefonema do procutor de "London Live". Ele queria me ver. Chamei mamãe por telefone e falei com Max:

_"O que faço?..."
_"E o que vai fazer com a banda?"
_"Já sei, já sei. Mas... e se não funcionar?"

Tinha que seguir meus instintos "Iria a London Live onde me pagariam dinheiro ou iria com as garotas, onde ninguém me pagaria nada?". Não tinha coragem de deixar nenhuma das duas coisas.

O programa em London Live não começava até Stembro. Fui ao estúdio e uma mulher chamada Janet Street-Porter me fiz uma entrevista.

_"O que estivesse fazendo?"- me perguntou.
_"Estou fazendo música, estou em uma banda"
_"Suena* grandioso"- me disse totalmente desinteressada- "Queres formar parte de um show?"

_"Mmm..., acredito que sim"

Foi a pior entrevista que deu na minha vida.

Podia ver a Nick Ferrari pensando: "o que está acontecendo? onde está a simpática garota que eu conheci faz um ano?"

Obviamente, não tive mais notícias de Janet, sabia que meu coração não estava com a T.V., eu acreditava que a banda podia logralo*.

Mais tarde cheguei em casa e disse a Max:

_"Olha, posso ser apresentadora de televisão quando quiser, mas só posso ser cantora pop se sou jovem"

Voltei ao meu apartamento em Fairlaws, peguei minhas coisas e levei até Maindnedhead em meu Fiat Uno. A casa tinha almofadas cor petróleo, cortinas rosa e os quartos tinham móveis de segunda mão. Haviam três quartos. As duas Melanies dividiam um que tinha camas de solteiro, victoria e Michelle ocupavam outro e eu tinha um só para mim que parecia uma caixa de sapatos.

Não estava acostumada a viver com gente, e levei um tempo para me acostumar com os ruídos. Na primeira manhã, tive que esperar três quartos de hora para entrar no banheiro. Uma vez quando entrei, encontrei mais shampoos e maquiagens do que se encontraria em uma loja.

Me sentia como em um apartamento ou um pijama party.
Na segunda noite, nós descobrimos o 'salada bar' perto da Pizza Hut.
_"Se alguém tem um problema, devemos falá-lo"- lhes disse.
_"Não deixaremos que nossos namorados entrem n ocaminho"- Disse Mel B.
_"Tomaremos as decisões juntas"- falei.
_"As expensas* estão pagas, mas eu não vou pagar as chamadas telefônicas que vocês fazem"- disse Mel C.

Isto era só o começo. Apesar de que tinhamos muitas diferenças, tinhamos algo em comum... "A ambição". Bom, todas não. Eu tinha dúvidas sobre Michelle. Ela estava duvidando entre ficar ou ir... Vinha de uma boa família e estudava na universidade. O resto de nós, éramos de classe média, exceto Victoria, cujo pai tinha uma companhia construtora.

Michelle não tinha a mesma segurança que nós todas. Nós estávamos preparadas para trabalhar duro e receber golpes. Éramos as goarotas "se só...", que passam a vida pensando: "Se só escolherem a mim", "se só pudesse conseguir um papel". Nossos sonhos começaram quando nos cansamos de cantar em frente ao espelho. As fantasias formavam parte da infância para nós, se nó* que eram nossa realidade.

Eu pensava que a gente, se dividia em 3 categorias: Os que tinham uma pequena ambição, os que se sentem bem com a vida que tem e não precisam de mais, e as pessoas como eu, completos sonhadores que se negam a aceitar que as cartas estão tiradas. As duas Melanies e Victoria pensavam o mesmo que eu. Juntas podíamos ser perfeitas.

Eu tinha uma grande imaginação e criatividade. Mel C tinha uma voz grandiosa, onde era um pouco introvertida e odiava falar por telefone. Mel B tinha uma energia incrível. Victoria não era a mais criativa, mas ela tinha algo de muito importancia para o grupo: era a que nos colocava os pés no chão quando as ambições superavam nossas habilidades.

AGora tínhamos 3 canções do nosso repertório. Michelle e eu havíamos re-escrito os refrões de uma delas, chamada: "Vamos fazer com que isto passe". Eu escrevi o primeiro verso:

"Este é o momento queremos realizá-lo"

Pensamos que as garotas iam gostar mas, pelo contrário, riram.

Os passos da dança de "Vamos fazer com que isso passe" era muito complicada. Mel B havia feito uma coreografia tipo Hip Hop que Michelle e eu, não conseguíamos seguir.

"Para cima, para cima, levantem seus joelhos!"- dizia Mel B como se estivéssemos no regime militar. Eu ensaiava na hora do almoço, mas Michelle ia deitar-se ao sol. As duas Mel já estvam resignadas. Em segredo, a chamávamos de "Gary Barlow" do grupo.

Eu achava que o estilo de Michelle, não era como o nosso.

_"Imagine que é Tina Turner"- lhe dizia- "Você tem que ter um estilo mais pop"

Eu me sentia um pouco impertinente mas tinha mais atitude que as outras.

Mel B teve uma longa conversa com Michelle e creio que fez efeito porque ela mudou totalmente. Praticava mais as coreografias, deixou o seu namorado e o seu trablaho de fim de semana.

Infelimente, Chic, Bob e Chris, haviam decidido sem nos consultar que Michelle não ficaria mais no grupo. Foi um dia de terror quando teve que dizer "adeus". Eu sentia pena por ela mas ao mesmo tempo, sabia que ela podia voltar a universidade e ter a oportunidade que o resto de nós nunca ia ter.

Agora tinhamos que encontrar um novo membro para a banda. Alguém jovem, fresco e vibrante, que possa cantar e dançar, e o mais importante, que tenha os mesmos sonhos que nós temos.

_"Ela pode ser loira e fresca"- lhes disse.
_"E dedicada"- acrescentou Mel C.

Estávamos sentadas em um pub em Windsor, mas... "como vamos a encontrar?"

Começamos a recorrer as ruas de Windsor, esperando encontrar essa garota. Todas a vimos ao mesmo tempo: jovem, loira, atrativa, justo o que necessitávamos.

_"Olá, desculpe incomodar, mas... posso te fazer uma pergunta?"
_"Certamente"
_"Você sabe cantar?"- perguntei.
_"Bem, eu..."
Mel B interrompeu: _"Sabe dançar?"
Outra vez a garota não teve a oportunidade de responder porque Mel C perguntou:
_"Como se chama?"
_"Melanie"
Nós olhamos umas as outras e todas pensamos o mesmo: não podíamos ter 3 Melanies no grupo.
Finalmente, deixamos em paz a pobre garota.
Chic era um homem de grande coração. No aniversário de Victoria, nos levou ao cassino e nos deu 0 a cada uma para gastar.

Depois nos levou a um restaurante chinês onde comemos uma torta que terminou arruinando o vestido de Victoria.

Pepi Lemer havia encontrado o quinto membro do grupo. Era uma estudante e se chamava Emma Bunton. Tinha 18 anos e havia estudado 6 anos na "Sylvia young school". Só havia feito algo como modelo quando era criança.

Chegou com sua mãe Pauline, era uma tarde chuvosa de Julho. Nós a esperamos na estação de Maidenhead querendo dar uma boa impressão.

_"Meu Deus... ela é jovem"- disse Victoria ao ver Emma descer do trem atrás de sua mãe.
_"É um bebê"- acrescentou Mel B.

Emma tinha grandes olhos azuis, mas loira e um lindo sorriso. Pauline pegou o trem de volta a Londres: "Voltará pra casa no final de semana"- disse a Emma tirando o cabelo de seus olhos.

Depois, subimos em meu carro com Emma, Victoria e Mel C na parte de trás. Mel B estava sentada na frente comigo. Ela sempre se sentava aí como se fosse a co-piloto e sua frase favorita era: _"Sei onde estamos"

Eu não podia tirar meus olhos de Emma. Aos 18 anos, eu era a garota revoltada de Watford. Emma nunca havia estado fora de casa.

Nessa noite, quando estava me deitando, senti uma batida na porta, era Emma. Ela se sentou na ponta de minha cama, eu me dava conta de que havia chorado.

_"O que aconteceu?"- lhe perguntei fazendo uma carícia. Ela moveu sua cabeça e secou seu nariz.
_"Estranha sua casa?"- ela não me respondeu nada.
_"Isso não é nada"- lhe disse- "Você vai ver que lindo vai ser quando voltar"
_"Estranha agora?"
_"Não muito"

Desde essa noite, sempre defendi Emma. Sempre havia querido ter uma irmã mais nova e isso é o que Emma chegou a ser pra mim.

Emma cantava as linhas de Michelle e em casa dividia o quarto com Victoria que dizia que Emma tinha um coração de criança.

Nós cinco éramos diferentes, Mel C era a mais tranquila. Ela e Mel B geralmente discutiam e eu fazia a intermediária.

Emma e Victoria iam as maravilhas, as duas iam no Clio de Victoria visitar suas respectivas famílias quando extranhavam.

Mel B e Emma, sempre deixavam restos do que comiam na cozinha e Mel C o limpava. Eu pus um imã de geladeira e todas nos deixávamos recados.

10
A LOUCA MARY
Estar em uma banda foi a melhor experiência da minha vida. Fora a música, tenho quatro amigas que dividem o mesmo comigo.
Eu havia nascido para isto. O tempo que eu ocupava na banda, esquecia de meus problemas e descobri que Sue, tinha razão no que dizia com respeito a minha anorexia.
É como começar com as Spice, significou pegar meus problemas e guardá-los no armário. Eu estava muito fraca e me controlava nas comidas. Meu alimento não alcançava nem para um conejo*, como dizia Mel B, sem embargo* não havia vomitado todo esse ano.
Só Mel B sabia de meus problemas. Ela se converteu em uma amiga sempre por perto e eu não queria incomodar minhas outras companheiras.
Nós duas tinhamos as personalidades mais fortes do grupo, o que fazia com que as vezes discutíssimos. Mel B não gostava quando eu lhe dizia o que havia nos livros ou o que outro havia me contado. As outras garotas se mantinham a margem de nossas discurções, porque sabiam que no minuto seguinte voltaríamos a ser as melhores amigas.
Por momentos, pensava que Mel B era a mais bondosa, a mais doce e em outros momentos sentia que estava vivendo com a pessoa contrária. Quando estávamos juntas nos sentíamos fortes, como se ninguém pudesse chegar a nós. Nós duas podíamos ganhar o mundo.
Depois do Natal, ofereceram a Mel B e a mim, uma viajem as Ilhas Canarias por 0. Nós duas conhecíamos o lugar, mas não sabíamos a onde deveríamos ir. Finalmente fui a um hotel na capital chamado "Gran Canria*". Ralph e Sua estavam no mesmo hotel. Um dia Sue bateu a minha porta perguntando se sabia onde estava Ralph.
_"Ele não voltou a noite, eu fiquei esperando-o"
De repente lembrei onde o havia visto pela última vez. Ele estava em um dos balcões do hotel. Íamos com Mel B ao shopping comprar vestidos e acessórios. Notamos algo raro nos homens da Ilhas Canarias: por trás pareciam todos fracos, mas quando davam a volta, pareciam grávidos de 6 meses.
Mel B tratava de me fazer comer:
_"Somente me copie"- me dizia enquanto colocava mais comida em meu prato. Ela considerava incompreensível que eu encontrara um inimigo na comida. Mel nunca havia feito dieta e tinha uma figura fantástica.
No dia de Natal, comemos batatas fritas com ketchup e tomamos cerveja. Logo, caminhamos pela praia. Não falávamos muito, mas nos sentíamos confortáveis quando havia silêncio. Foi o melhor Natal da minha vida.
De volta em Maidenhead, estava sozinha em casa, passando a última semana de minhas férias. As outras estavam passando Ano Novo com suas famílias. Eu queria que o tempo passasse rápido, assim podíamos estar juntas outra vez.
Uma coisa estranha aconteceu durante esses dias que estive só: "todo meu otimismo começou a desaparecer e comecei a sentir-me deprimida outra vez. Todos esses pensamentos obscuros que tinha quando papai morreu voltaram a mim. Não posso descrever o quanto eu estava fora de controle.
Quando estava com as garotas me contagiava com seus otimismos, mas quando estava só não deixava de pensar.
Eu não ia Watford visitar minha família porque não queria que me vissem assim.
Natalie estava grávida e se supunha que eu como irmã deveria estar ali, mas eu pensava que não podia ir com meus problemas em um momento tão feliz. Eu queria desesperadamente que minha família estivesse orgulhosa de mim. Estive dizendo-lhes como minha ida era grandiosa desde que estava na banda e se me vissem assim, iam dar-se conta de que continuava sendo a mesma Geri, com seus sonhos impossíveis.
Quando as garotas se iam um fim de semana, sempre me deprimia. Aí, nesse momento é quando aparecia a amiga que nunca me deixava: "A comida!!!"
Por sorte, isto não me acontecia muito freqüentemente porque chegava a segunda e as garotas voltavam.
No Ano Novo, devolvi tudo o que comi. Depois fui ao supermercado e no caminho comi outra vez. Quando cheguei em casa, me forcei a devolver tudo de novo com a unha de um dos meus dedos. Nessa noite escrevi:

"Estou só, quero que alguém venha e me diga que tudo vai estar bem. Não há ninguém, estou voltando ao mesmo de antes. Não o havia feito há muito tempo. Odeio a mim mesma. Estou paralizada embaixo de uma nuvem negra."

Na manhã seguinte, me senti exausta e fora de controle. Sentia que não podia passar outra noite só e necessitava de ajuda. Chamei Karen à um pub perto de Watford, nos sentamos em uma messa perto do fogo e não podia olhá-la na cara... o que era que ela iria ver?
_"Karen, acho que estou ficando louca..., por favor, preciso de ajuda!"
Karen achava que fazia tempo que eu tinha tido uma desordem alimentar, mas pensava que já havia passado. Agora ela podia ver como eu estava debilitada.
Não consigo lembrar muito o que aconteceu depois, só me recordo que disse:
_"Leva-me ao hospital, acredito que preciso de ajuda"
Karen chamou o Dr. King e depois me levou ao psiquiatra em "Watford General Hospital". Logo apareceu um doutor de cabelo enrolado e começou a fazer-me uma série de perguntas:
_"Você está tomando alguma medicação?"
_"Não"
_"Toma drogas?"
_"Não"
_"É alérgica a algo?"
_"Não"
Então começou a estudar-me. Normalmente seria olhar as pessoas direto aos olhos mas desta vez não podia fazê-lo.
_"Qual é o problema?"- perguntou.
Movi minha cabeça com medo.
_"Está bem, não se preocupe, só conte-me como se sente agora"
_"Terrível, fora de controle"
_"De que maneira?"
_"Estive vomitando"
Eu sabia que o problema era bulimia, mas não podia dizê-lo. Só lhe disse que tinha um problema com as comidas.
_"Desde quando acontece isso?"
_"A muito tempo. Pensei que havia passado mas agora estou pior que antes"
Depois de verificar minha pressão e meus reflexos, o doutor me apresentou uma enfermeira, seu nome era Kate e era de Birmingham. Ela me levou a uma sala que estava no segundo andar. Tinha uma cama e uma janela que dava ao hospital.
Karen havia voltado a casa buscar minha camisola.
Eu estava muito calma. Tudo era branco limpo e pacífico.
_"Estou segura aqui"- disse- "Estarei bem, falarei com os doutores e saberei o que se passa"
Na manhã seguinte, tudo mudou. Haviam um monte de adolescentes adeptos aos tranqüilizantes e ao álcool. Muitos deles eram lunáticos como a "Loca Mary", uma mulher que corria pelos corredores gritando: Mãe de Mary! Mãe de Mary!
Eu só sorria para as pessoas nos corredores e lhes dizia "bom dia". Elas se viam surpreendidas.
Quando me fui, espiei em um dos quartos e vi uma garota loira de olhos cinza. Deveria ter 17 anos e era anoréxica. Creio que foi porque vi vários filmes.
_"Como você dormiu?"
_"Bem"
_"O que comeu esta manhã?"
_"Ovos e torradas"
_"Bem"
Fez algumas anotações e depois me deu um papel.
_"O que é isto?"
_"Uma dieta?"
Karen me levava a cafeteria para se assegurar de que eu comeria. Comia a típica comida de hospital: spaghetti a bolonhesa, couve-flor, queijo e pão com manteiga. Muitas vezes me colocava a falar com outra pessoa porque queria saber suas histórias.
Uma enfermeira negra, me levou a aulas de arte. Era uma sala apertada que tinha pinturas nas paredes. O que fizemos primeiro foi uma versão de "O grito" e depois fiz uma pintura de uma garota com cabelos longos e olhos tristes.
Eu me sentia segura no hospital. Era como um santuário onde me protegiam do mundo e me refugiava da vida. Ali ão tinha responsabilidades nem tinha que tomar decisões, tudo estava feito para mim. Não tinha que por excusas* nem justificar o que fazia.
Durante a semana seguinte, creio que fui uma paciente modelo, comia três vezes por dia e depois fazia minhas atividades. Karen vinha me visitar todos os dias.
_"Tudo vai ficar bem. Estará melhor em pouco tempo"
_"Acredito que sim"- eu lhe respondia.

Quarta, 4 de janeiro de 1995

Havendo falado com tanta gente aqui, vejo que meus problemas são irregulares. Sinto como se houvessem aberto uma caixa que não se pode fechar. Por que volto a cometer os mesmo erros que antes? Atraio os homens mals, nunca termino o que começo, não me expresso com clareza, não penso antes de falar... a lista segue e segue. Uma garota que cai, normalmente lembra de apoiar suas mão na próxima vez... eu não.

Pensei muito no hospital. Haviam perguntas sem respostas e tratei de assegurar-me e convencer-me de que papai havia morrido.
Nesses dias sentia como se houvessem feito um cambio de aceite* em minha cabeça. Tudo estava em ordem agora.
As garotas estava, de volta em Maindenhead quando cheguei. A única pessoa que contei que estivo no hospital, foi Mel B.
Me sentia bem e comecei a escrever canções. Era tempo de voltar a realidade.
_"Uma dieta"
_"Tem usado alguma vez seu "GIRL POWER" para chegar aonde queriam?"- perguntei as garotas.
Mel C riu sem entender nada.
_"Vocês sabem o que é o poder feminino, não?... se uma garota tem feminismo queridas, então tem tudo"
Victoria e Mel B sabian exatamente a que me referia.
O termo "GIRL POWER" não era uma invenção minha, era algo que sempre havia existido e que fazia com que eu ganhasse vida agora.
"GIRL POWER" chegou a ser uma importante filosofia quando Bob e Chris fizeram o novo contrato. Durante o Natal, Mel B e eu havíamos falado sobre não fechá-lo antes de estarmos bem seguras. Não dissemos nada as outras porque queríamos saber se pensavam o mesmo. Se as garotas queriam fechar, então a banda teria que dissolver-se.
Eu havia falado com Victoria sobre outro produtor que ambas conhecíamos chamado Albert Samuals:
_"Você acha que é bom?"- perguntei a Victoria.
_"Não sei, mas é conhecido"
_"Bem, se as coisas não funcionarem sempre, podemos chamá-lo"
_"Certamente é uma boa idéia"
Tive a mesma conversa com Mel C enquanto estava na academia. Ela acreditava muito em Bob e Chris.
Finalmente, chegou o momento que devíamos fechar o contrato:
_"Vou mostrá-lo a papai"- disse Victoria- "Ele entende dessas coisas"
Ninguém sugeria não fechá-lo, mas todas pensávamos o mesmo.
Na metade de fevereiro, ainda não havíamos fechado. Numa noite em casa, estávamos preparando os coros de uma canção, quando Victoria disse:
_"Acho que devemos deixar Bob e Chris"
Nesse instante eu disse: "Sim, vamos, deixá-lo”.
_"É tempo"- disse Mel B.
_"E o que faremos?"- disse Victoria.
_"Encontraremos outro maneger"- disse Mel B.
Nenhuma de nós dizíamos nada, mas todas sabíamos que poderíamos ter problemas legais. Eles dois haviam nos dado dinheiro e deveriam ter os compensado de alguma maneira.
No primeiro domingo de Maio recebemos uma chamada de Bob as 6:00 pm. Ele queria saber porque não havíamos fechado o novo contrato.
_"Quero o contrato fechado hoje, está bem?"
_"Entendo falarei com as outras e depois te darei uma resposta"
Depois disso falei com Mel B. As outras haviam saido pelo fim de semana.
Tínhamos um encontro importante com um compositor chamado Elliot Kenedy que havia escrito "Everything Changes", um grande hit de "Take That". estávamos convidadas a passar um dia com ele no estúdio.
_"Devemos ir vê-lo"- disse às garotas.
_"Vamos, pegá-lo!"
Fizemos nossas malas, carregando tudo e fomos em meu Fiat Uno. Eu deixei um recado em cima da mesa: _"Obrigada por tudo o que tem feito, mas estamos em desacordo com o novo contrato"
_"Quanto dinheiro tem?"- perguntei a Mel B.
_"Não muito"
Mas, por sorte, era o sulficiente como para carregar nafta*.
Nenhuma se nós tinha idéia de onde vivia Elliot Kennedy. Só sabíamos que era em Shefield.
Tinhamos uma missão e juntas podíamos fazer com que tudo passasse.
Paramos na estação de serviço e ouvimos um homem que estava falando no telefone:
_"Vai ver Elliot Kenedy essa semana?"
Então lhe disse que queríamos encontrar com ele e me deu a direção.
Levamos duas horas para encontrar o lugar. Era uma grande casa velha no meio do nada.
_"Tratemos de nos mostrar deseperadas"- sussurrei à Mel B.
Elliot abriu a porta: _"Você não nos conhece. Somos de um grupo chamado "Spice". Deixamos o nosso manager e queríamos saber se você poderia trabalhar conosco."
Pus meu melhor olhar de apaixonada e também o maior sorriso, tanto que Elliot riu.
Finalmente disse: _"Certo, por que não? Entrem e tomem um café"- Elliot encontrou um lugar para passar-mos a noite. De manhã falei com Mel C e começamos a escrever uma canção com Elliot chamada "Love Thing". Era o primeiro tema que escrevíamos sem nosso representante anterior.
Essa noite, passamos em uma pequena pensão.
Mel B se mudou com seu namorado em St Albans. Durante esses meses conhecemos muitas pessoas. O primeiro foi Max Fox, um produtor que pertencia a BGM. Ele havia pertencido a uma banda chamada "Haircurt 100". Fui com as duas Mels vê-lo, não sabia bem o que dizer-lhe: _"Pode nos ajudar?"
_"Sim, é claro... vocês são grandiosas"
Umas semanas depois, começamos a trabalhar em um estúdio chamado "A sala de pedra". O primeiro que escrevemos foi uma balada chamada "Alimenta teu amor" e a segunda se chamou "Wannabe". Demoramos 20 minutos para escrevê-la. Tudo começou cantando um rap e descobrimos que era especial.
A parte escrita saiu naturalmente porque tinha a ver com o que nos acontecia. A mim sempre ocorriam as letras quando estava no banho ou quando me deitava.
Eu gravava as melodias em um tope*, e se os produtores consideravam que a idéia era boa, começavamos a agregar-lhe coros e armonias. A Mel B ocorriam frases loucas como "ZIGAZIG HA". Eu quase sempre me ocupava dos coros, Mel C das harmonias, Emma tinha um bom ouvido para as baladas e Victoria sugeria: isto pode ser assim ou assim.
Um dia fomos ao apartamento de Victoria e sua mãe fez torrada com marmelada. Nós sabíamos bem o que queríamos. Não precisávamos de um manager que quisesse ficar rico as nossas custas.
Um dia um produtor nos convidou a jantar na sua casa de Nothing Hill. Quando chegamos, havia uma bandeja com donuts. Mel B estava esperando a comida, mas os donuts eram a "comida". Escutávamos uma conversa sobre como cuidar das mulheres. Outro nome para tachar em nossa lista. Decidimos visitar outro manager que vivia em New Bond Street. Bati a porta...
_"Por Deus! Por que não se cala?"
_"Não me diga que me cale"
_"Eu digo o que quero"
_"Você começou isto, vaca"
_"A quem está chamando de vaca?
Á porta se abriu e pusemos 5 sorrisos:
_"Olá... somos as Spice Girls!"
Cantamos um pedaço de Wannabe. Havia me dado conta com que olhar nos olhava o produtor.
_"Obrigada"- lhe disse- "Mas não necessitamos de ajuda"
_"Nunca o farão sem mim"- nos dizia. Falava como se fosse o último manager da terra.
Todas nos sentíamos mal mas sempre que acontecia algo assim, eu travtava de levantar-me o espírito.
Tempos depois, conhecemos um grupo chamado "The Absoluto Boys" formado pelos garotos chamados Paul e Andy. Seu manager se chamava Simon Fuller quem também manejava a carreira de Annie Lenox.
_"Pode ser que nos apresentem"- Lhe disse a Mel C.
Paul e Andy levaram a Simon uma canção nossa chamada "Something Kinnda Funny".
Imediatamente Simon nos chamou. Era um bom sinal. Ele fora isso, era produtor de Chrisalis Records. Ele começou representando uma banda de Rock chamada "Paul Hardcastle" que havia feito uma canção anti-Vietnã chamada "19". O single chegou ao nº1 e nedeu 65.000 cópias em um dia.
Então ele criou sua própria companhia chamada "19", seu curriculum se via bem.
Nós nos encontramos com Simon em seu escritório de Rampton's Dock. Nos vestíamos bem para impressioná-lo.
_"Temos a metade das canções para o primeiro álbum"- lhe disse- "Queremos ser famosas"- acrescentou Victoria... Simon riu.
Era justo que precisávamos: de um "headmaster" mas não um "manipulador". Simon podería fazer isto por nós? A maioria dos manager que havíamos conhecido eram agressivos, mas Simon pelo contrário, era gentil.
_"Creio que são fabulosas e com ou sem mim, vão conseguir, garotas, mas se sabem até onde querem chegar, então eu vou ajudá-las... só me digam "pare" e eu pararei".
_"Me encantar ver crescer os artistas... não me refiro a parte profissional e sim como pessoas"
Simon sabia exatamente o que queríamos escutar. Olhei para o resto das garotas e podia ler seus pensamentos: _"Sim, é ele!"
Essa noite escrevi:

Terça, 11 de Junho de 1995

Bom, depois de 6 meses de conviver, dormir, comer, falar, sair e temer, ainda estamos juntas. Tínhamos algo em comum desde o princípio: "A ambição". Vinhamos de diferentes lugares, mas nossas vidas são similares. Todas passamos por trabalhos mediocres para concretizar nosso sonhos.
As cinco sabíamos que sem as outras quatro, não poderíamos funcionar.
Nossa habilidade para trabalhar e nossa criatividade para fazer novas músicas, fez com que nos tornassemos amigas apesar de sermos cinco individualidades, parecemos indestrutíveis quando estamos juntas. É como se superássemos o que a outra sente. Compartilhamos risadas e medos. Somos cinco capitãs que manejam seu barco e temos encontrado um bom navegante que se chama Simon Fuller...
Juntas tudo é melhor. Sei que não estou só.

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11
QUANDO SEREI FAMOSA?
Durante dois meses estivemos batendo portas, vendendo nossos sonhos e buscando um maneger. Isso tinha seu lado positivo porque demonstrava o duro que podíamos trabalhar.
Finalmente, fechamos contrato com Simon Fuller e "Manager 19". Todas as companhias discográficas eram parecidas, mas eu queria fechar com a "Virgin". Eu gostava porque dirigia muitos artistas como Neneh Cherry, Isaak Hayes e Messive attack. Mas até agora, não havia dirigido ninguém como nós. Creio que não podiam nos comparar com qualquer outra banda.
"London Records" estava desesperado para capturar-nos. Um dia antes de fechar com a Virgin, Tracey Bennet, a cabeça de Londo Records, nos levou em um barco pelo rio Tamesis, para tentar mudar nosso pensamento.
Desde que fechamos com Simon no final de Maio, as duas Mels e eu, nos mudamos para um loft em Cyprus Road, no norte de Londres. Emma e Victoria ainda viviam em casa. As duas Mels, ocupavam os quartoa maiores e eu dormia em um que era justo para por uma cama de casal, um sofá e uma escrivaninha que estava as lado da janela e onde eu sempre escreia em meu diário.
Simon nos disse que a imagem do grupo devia ser natural mas que devíamos inventar personagens relacionados com nossa personalidade.
As diferenças entre nossas personalidades eram óbvias. Cada uma de nós colocávamos uma essência distinta. Mel B era a mais selvagem, Victoria a mais sofisticada, Emma a mais doce e pura, Mel C tinha uma ar de bailarina, ela era uma sonhadora envergonhada que só podia mostrar suas habilidades em cima de um palco.
E então estava eu. A garota de cabelo queimado, com uma imaginação louca e que não parava de ter idéias.
Essa era a razão pela que "Spice" era um nome perfeito. Éramos diferentes gostos em um mesmo recipiente.
Estive tendo meu cabelo pintado desde os 11 anos, mas o manti vermelho quando comecei com a banda. Minha amiga Janine havia se ocupado sempre de meu cabelo. Um dia fui a seu salão de Watford e lhe disse que queria 6 mechas loiras.
_"Estás louca?"- me disse.
_"Confie em mim, vou ficar grandiosa"
_"Mas as mechas loiras saíram de moda"
_"Eu sei, mas logo estarão na moda outra vez"
A nenhuma das cinco importava estar na moda. Isso era o que nos destinguia das demais "bandas". Por que as "Spice Girls" não podiam ser diferentes?!
Nós éramos como irmãs agora. Nos emprestávamos nossas roupas e nos ajudávamos com nossos respectivos namorados... e agora íamos ser famosas. Ouviram isso! Ser famosas! Eu queria parar no Big Ben e gritar a toda Londres.
Fechamos o contrato com a Virgin Records e tiramos fotografias. Abrimos uma garrafa de champagne e todo mundo vinham nos felicitar. Alguém havia me contado que George michael havia fechado contrato com a Virgin nesse mesmo dia. Isso fazia me sentir especial. Me fazia sentir que havia feito o correto.
Depois, nos deram um cheque de .000, nunca havia visto tantos zeros com meu nome em cima.
Olhei várias vezes o cheque para assegurar-me de que era verdade.
Simon nos levou para jantar em Kensington Place, um restaurante em Notting Hill que era o preferido da princesa Diana. Todas bebemos mas Victoria estava totalmente bêbada. Depois vomitou no carro e eu tive que atirar seus sapatos pela janela.
Quando estávamos no restaurante podia ver as pessoas perguntando-se:
_"Quem são essas?"
_"Em um ano... verão"
Nesse dia não chamei mamãe, nem Natalie, nem Max. Esse era nosso dia e nossa Vitória. Eu não podia deixar de olhar as outras. Emma não parava de rir, Mel B estava louca, Victoria seguia bebendo champagne, Mel C celebrava e eu seguia olhando o cheque.
Depois de jantar, todas voltamos a casa de Cyprus Road. Victoria estava tão mal, que tivemos que levá-la para cama. O resto de nós, nos deitamos no sofá. Mel C pôs um disco de "Blur"e almentou o volume ao máximo na música "Girls and Boys". Emma pegou Mel B pela cabeça. Logo, todas começamos a tirarnos* com cornflakes e a nos "matarmos" de rir...
_"Rock & roll!"- gritava Mel B.
Uma coisa estranha aconteceu na manhã seguinte, me levantei e não me senti diferente. Ia ser famosa e já não tinha dúvidas. De agora em diante, todos os dias iam ser como o de hoje.
Depois do aniversário nº 40 da mãe de Mel B escrevi em meu diário:

Lembro da frase: "Quando vou ser rica e famosa..."- a gente vai ser o que decidir quando isso acontecer. Mas... eu estarei bem? Será como eu imaginei? ainda sigo pensando.

Uma limousine parou em frente a nossa porta. "É para nós?", perguntou Emma. Simon riu.
_"Bem-vindas a California"- nos disse o chofer.
_"Assentos cômodos"- disse Victoria.
_"Janelas automáticas"- acrescentou Mel C.
Eu percebi um compartimento atrás do assento da frente:
_"Viram isso? É uma televisão!"- eu tratava de mudar de canal mas só chegava a colocar na partida da NBA.
Em nosso primeiro encontro com Simon, lhe dissemos que queríamos fazer um filme. A verdade é que parecia que vivíamos na terra dos sonhos. Nosso single saía o começo do ano que vem.
Fazer um filma era algo a parte.
Todas nós quando éramos criança, havíamos sonhado em ser estrelas de Holliwood. Havíamos crescido assistindo musicais ao estilo "Fama".
A limousine estacionou num hotel quatro estrelas. Haviam árvores e flores. Eu podia sentir o aroma dos lírios. Eu queria levar os cinzeiros do hotel para que meus amigos acreditassem que havia estado ali. Nem havia me dado conta de que os lejos* haviam chegado. Havia passado de viver em Jubilee Road, Watford a viver em um hotel quatro estrelas.
_"Não posso acreditar nisso"- disse Mel B.
_"Se pude dibujar en los azulejos"
Todas caminhamos muito nesses dias. Simon nos levou a "Salad bar" e eu não podia crer nas dimensões que tinha. Havia de tudo: pastas, papas, saladas que nunca havia visto, frutas tropicais e tortas.
Logo, veio o garçon e pôs algo um nosso prato.
_"O que é isto?"- perguntei.
_"Sua comida"
_"Mas eu acabei de comer"
_"Pode ser que tenha fome depois"
Mel B levou o resto de sua comida.
_"O que vai fazer com isso?"- perguntei.
_"Vou encontrar uma pessoa que realmente esteja faminta"
Na manhã seguinte fomos a pileta* com Mel B, tratando de ver se havia alguma celebridade.
Sabíamos que Elton John estava no hotel.
_"O que faremos agora?"
_"Rápido, vi Bon Jovi na academia!"
_"Preparem-se para o almoço!"
_"O que vai vestir?"
_"Me empresta seu top?"
_"Ficará bem em mim esta sombra e esse lápis labial?"
Se tivesse que ir a esse tipo de restaurante sozinha, certamente haveria tido vergonha, mas agora sabia que não estava só. As pessoas não olhavam só a mim, mas sim ao conjunto.
Isso nos dava confiança.
Um dia Simon nos levou a casa de um homem importante chamado Jeff Franco. Ele tinha uma casa incrível com almofadas tão brancas quanto os dentes de seus filhos.
Ele havia organizado um encontro com produtores de Holliwood.
Fizemos nossa coreografia e eu falei mais que ninguém, Victoria se via elegante e Mel C falou todo o tempo de seu fanatismo por futebol. Então, cantamos e dançamos "Wannabe" e creio que ele gostou.
Outros produtores mais importantes vieram depois e tivemos que repetir a performance 5 vezes essa tarde. Se alguma de nós estava cansada, então as outras a levantavam o ânimo. Na terça, tivemos um encontro na Disney. Então apareceu um empresário com seus filhos:
_"Para quê quero escutá-las?"- nos disse.
Eu golpeei uma silla*: _"Hey!... Eu sei que provavelmente você é um homem importante e não quero mandá-lo, mas sente-se e escute"
O que estávamos fazendo era vender nossa música e nossa energia.
No terceiro dia já estávamos mortas, mas sabíamos que se acrescentássemos algum "mas" a Simon, ele podia nos dar cartão vermelho.
Nesse dia Simon me disse: _"Você se deu conta que as pessoas pela rua não disseram: Aí vem as Spice e sim as Spice Girls?"
_"Mmm... tem razão"
_"Então... por que não nos chamamos SPICE GIRLS?"
Se as pessoas lembravam assim, por que não fazê-lo oficial? Discuti o assunto com as garotas e todas concordamos em trocar o nome.
Depois fomos tomar piña colada*. Eu não ia beber muito e fora isso as garotas estavam saindo com uns garotos que Simon havia nos apresentado.
_"Quem quer outra bebida?"- perguntei.
_"Acho que deveria ir pra cama"- um dos garotos me disse.
_"Vamos Mel..., vamos tomar um cocktail"
Mas Simon me parou:
_"Escute Geri, acho que já bebeu o sulficiente. É hora de ir pra cama"
_"Não me diga pra ir pra cama, você não é meu pai"
Eu não ia aguentar os sermões de Simon. Havia sido independente por muito tempo para permitir que alguém mandasse em mim agora.
Eu podia tomar as decisões por mim mesma, assim fiquei acordada até as duas da madrugada.
Por outro lado, entendia que Simon foi como nossa chaperona*. Nós éramos asolescentes e ele sentia responsabilidade por nós.
Além do mais, eu estranhava meu pai e o melhor, inconscientemente, via nele uma figura paterna.
Na manhã seguinte, a limousine veio nos buscar. Nesse momento uma mulher com pálpebras pretas, baixou.
"Vcs sabem quem era aquela?-eu disse para as meninas
Quem?
Courtney Love
Wow!No nosso hotel-a mais nova bad girl e punk.O marido dela, astro de rock, Kurt Cobain, havia cometido suicídio a apenas um ano atrás.
O encontro com a ABC havia ido bem.De volta ao hotel eu ainda estava no alto.Eu vi um garoto com um buquê de flores.O cartão tinha um nome francês nele mas por alguma rasão MelB achou q elas fossem para Courtney.
Eu peguei o telefone. Mel B entrou enquanto eu fazia a ligação.
Oh,oi,Courtney,aqui é Geri.Eu sou amiga de Amanda de Cadenet's. Ela me disse pra te telefonar quando fosse a LA
Oiiii!vc sou tão doce com esse sotaque!
Eu nunca havia nem ao menos visto Amanda.Eu apenas me lembrava de ter lido numa revista uma história de as duas terem ido juntas ao Oscar usando roupas que combinavam.
Mel estava deitada na cama do meu lado murmurando:Q q vc tá fazendo?
Courtney,enexplicavelmente começou a me contar como era difícil achar uma babá para sua filha.
Ouça Geri,suba até aqui.-disse ela
Quando?
Agora,claro!
Ok!
Eu desliguei o telefone.Mel estava em choque.
Vc não pode estar falando sério!E se ela descobrir q vc não é ninguém?Ela deve te perguntar sobre Amanda!
Vamos,vai ser divertido!
Nós colocamos nossas jaquetas de couro e óculos do estilo John Lennon,tentando parecer "cool"
Eu bati na porta e abri.Meu conhecimento sobre Courtney era bem limitado mas eu sabia q ela estava respondendo a um processo por bater em uma cantora de um grupo.
As cortinas estavam fechadas e o quarto meio escuro.Ela estava sentada no sofá de baby-doll.O cabelereiro estava fazendo seu cabelo.
Entre,entre!
Mel assentou em uma cadeira e eu no fim do sofá,meio desconfortável por ver tanto de Courtney.
Então o q vcs fazem em LA?
Nós estamos em uma banda
Bom pra vcs.
Então ela começou a nos contar várias histórias sobre sua vida.Mel não falava quase nada e eu evitava olhar pra ela pq sabia q explodiríamos em gargalhadas.Courtney sugeriu q ela ligasse para o serviço de quarto e pedisse chá.Mel estava tão nervosa q só pediu uma xícara.Então um cara meio grunge entrou no quarto.Ele assentou do meu lado.
Essas são Mel e Geri.Elas estão em um grupo de rock.
Eu não sabia exatamente quem ele era mas o reconhecia dos Stone Temple Pilots.E se ele começasse a nos fazer perguntas?Com sorte o chá chegou .Uma única xícara.Mel fingiu q foi um erro do serviço de quarto.O telefone tocou para Courtney.
Oh meu Deus,é Danny de Vito. Ele quer q eu participe de seu próximo filme. O q eu vou fazer? Eu tenho 20 minutos e estou horrível!
Não se preocupe,vc está ótima! Nós temos q ir agora. Boa sorte!
Ela me abraçou:
Voltem vcs todas depois. Eu pedi mais chá.
No corredor,fora de vista,eu e Mel começamos a rir.Era inacreditável! Duas ninguém haviam passado uma hora com Courtney Love conversando como velhas amigas.Espere até contarmos às outras.Ainda no corredor um sentimento veio até nós de como aquilo era triste.Courtney podia ser famosa,mas tudo q vimos foi uma mulher q abriu sua porta e depois seu coração.Ela não merecia ser caçoada.
Depois de 6 dias em Los Angeles nós fomos para o Havaí de férias. Simon voltou para a Inglaterra. Estivemos no Ked Lani Hotel, em Polo Beach, que tinha três grandes piscinas. Eu amava o lugar, esse era o país onde as garotas posavam para a revista Playboy.
Nesse dia fomos acusadas de passar pela segurança e tivemos que chamar o gerente.
Aparentemente garotas de nossa idade não viajavam normalmente em grupos de 5 e ficavam em hotéis luxuosos.Mais tarde o mesmo pobre empresário teve q lidar com reclamações pq eu e Mel havíamos patinado pelos corredores.Não importa de onde vc é rica ou pobre, meninas serão sempre meninas.

Sábado, 5 de Agosto de 1995

Encontrei uma praia para fazer topless. Acabei de terminar de ler a biografia de Bob George. Amanhã é meu aniversário. Espero que as garotas não me façam nenhuma brincadeira pesada. Espero que só recorde o que passamos de bonito.
Já é sulficiente... boa noite

Geri

Tive um aniversário grandioso. As garotas me deram um diskman e decidimos que essa fosse uma noite de "garotas". As convidei para ie ao cinema comigo e vimos "Waterworld" e depois seguimos festejando no quarto do hotel. Durante o dia, Emma e Victoria preferiram deitar-se ao lado da pileta*, enquanto nos fomos a praia. Encontramos três garotos que estavam de férias chamados Adam, Paul e Troy. Troy resolveu tirar a roupa para MelB, Emma e eu. Nós tentamos convencê-lo a parar quando chegasse na cueca mas ele continuou. Gritando de horror nós jogamos a roupa dele e corremos para nossos quartos.
Comecei a ler a autobiografia de Shirley Maclaine, um livro muito espiritual. Desde que papai morreu, lia esse tipo de livros.
As vezes levava dois ou três de uma vez. Quando ele morreu, ninguém sabia dizer-me como agir. Terminei de ler a primeira página e me voltei para dizer algo a Paul. Ele havia tirado sua cueca e eu estava vermelha.
Não sei por que acontece isso comigo quando os homens estão nus. Não importa o muito que me esforce pra não olhar... Bem, vocês sabem o que penso.

Quarta, 9 de agosto de 1995

Sonhei com Vampiros. Mel e eu fomos a praia.
Adoro o livro de Srirley Mac Laine.
Depois fui ao supermercado com Adam e Victoria. Havia uma mulher que lia as mãos e leu as minhas. Me disse que me ia mudar para o andar de cima.
Estamos aborrecidas com os garotos. Novos, por favor! Boa noite.

Depois das férias, voltamos a Londres. Tínhamos que escrever mais seis canções e remixar outras.
Uma vez no estúdio, me pus os auriculares*. Íamos gravar "2 become 1". Quando chegava o momento em que tinha que cantar, fechava os olhos e pensava: _"Está vindo, está vindo!"- até que chegou:

"Any deal that you endeavour
Boys and girls feel good together
take or leave it, take or leave it"

A música parou:
_"Muito melhor!"- disse Beaf- "Quer tentar outra vez?"
Os nervos fazem com que a voz fique mais débil. Tentamos outra vez e eu me senti totalmente frustrada.
_"Você está cansada, Geri"- me disse Matt.
_"Tentaremos outra vez amanhã"
_"Não, quero fazê-lo, deixe-me cantar a última linha"
_"Está bem"
Tratei de pensar na coisa mais triste que havia acontecido: A morte de papai. Eu estranhava muito. Podia sentir meus olhos chorosos e a música começou:

"Take or live it, Take or live it"

Olhei para Beaf e Matt: _"Muito bem!"- Eram quatro am.
Nessa noite sonhei com papai e tive medo. Em meu sonho eu estava caminhando por um parque de Watford, perto de minha escola primária. Matt e Beaf estavam correndo atrás de mim. De repente, via um homem asiático que se transformava em meu pai. Primeiro tomava sua mão e depois o acariciava, podia sentir seu coração batendo.
_"Como está minha pequena criança?"- me dizia.
_"Adivinha papai, vou ser rica e famosa"- ele sorria.
_"Pode escutar meus pensamentos?"- eu lhe perguntava- "Estás vendo através de mim?
Então ele havia desaparecido.
Victoria e eu, vivíamos a fruta e água. As vezes sentia que estava estranhando algo. Escrevi em meu diário que a resposta podia ser sexo. Mas com quem? Eu não tinha namorado e não havia tido outro desde Seam. Por momentos não me importava, mas haviam noites que necessitava da companhia de alguém. Alguém criativo que me pudesse fazer rir. Mas tampouco queria um homem que me demande* muito tempo pelo grupo. Todo mundo quer apaixonar-se. É um sentimento mágico. Levaram três anos para eu poder deixar de pensar em Nian. Agora não tinha ninguém para amar ou a quem recorrer quando me sentia só ou melancólica. Todas as pessoas precisam de alguém em quem pensar quando uma música triste toca no rádio, por exemplo.
Com meu primeiro cheque da Virgin Records, comprei um BMG 1967 vermelho. Era como se a imagem de meu pai voltasse a mim. Ele adorava os carros antigos e solía señalármelos* quando me levava às audições.
Paul e Andy, nossos produtores, eram fanáticos por carros e me ajudaram a escolhe-lo. No primeiro dia que o usei, dirigi até o estúdio com orgulho. Podia ver como as pessoas viravam suas cabeças e me olhava...
_"Eu podia realmente ser a dona de um velho carro vermelho tão vergonhozo?"
Uma dia estacionei em frente a casa de Karen. Algo fez com que eu desse a volta:
Minha BMG havia rodado só e... CHUSH!... Tudo o que queria acabava destruído.
Depois disso, me mudei de Cyprus Road a casa de Karen en Chorly Wood. As duas Mel necessitavam de um lugar para morar e eu encontrei o lugar perfeito: A casa de minha tia Doreen que havia morrido fazia anos.

Sábado a noite. Fevereiro, 1996

Fiquei com Mel B assistindo tv. Depois fomos ao "Cielo". Haviam muitos travestis. Melanie me nomeou sua "melhor e verdadeira amiga" essa noite.
Creio que também posso dizer o mesmo: eu também encontrei uma amiga e muito boa...
Todas estávamos de acordo em que Wannabe ia ser nosso primeiro single, o chefe da Virgin, Ashley Newton, não parava de pensar na canção. Ele dizia que Wannabe soava como pop.
Essa música havia feito me sentir muito perto das garotas e queria fazer algo por elas. Por isso, um dia antes de gravar "Love Thing", fui a uma joalheria em Sheffield e comprei 5 anéis idênticos de ouro.
_"Você grava?"- perguntei.
_"Não, mas há uma loja aqui perto"
Finalmente cheguei a loja:
_"Sim... o que posso fazer por você?"
_"Quero que ponha o nome Spice no lado de fora e "one of five" (uma de cinco) no lado de dentro.
Quando cheguei ao estúdio, busquei o momento que estivéssemos todas juntas:
_"Quero fazer uma pequena cerimônia de aniversário"- eu disse- "Hoje faz um ano que gravamos nossa própria música..., espero que sempre possamos estar juntas"
Então lhes dei as caixinhas:
_"Nós somo uma das cinco e juntas podemos fazer tudo".
12
NÚMERO UM
Apesar de que fazíamos parte da indústria da música, ninguém conhecia as "Spice Girls".
Isto começou a mudar numa segunda, 19 de fevereiro de 1996 no "Brit Awards". A Virgin havia nos convidado e nos dias anteriores eu estava como louca.

Passava horas olhando o guarda-roupa pensando que roupa ia usar. Decidi vestir pantalonas verdes e um top. Comprei o tecido em Berrie Street Market e Karen me fez a roupa. Encontrei Matt e Beaf no estúdio e nos disseram que estávamos fabulosas.

Quando chegamos haviam fotógrafos esperando as estrelas. Uma limousine parou e Tina Tinner desceu:
_"Tina, Tina!"
_"Aqui! Dê-nos um sorriso!"
_"Te amamos, Tina!"- ela era uma verdadeira estrela.

Haviam 2000 pessoas na cerimônia. Nós éramos totalmente desconhecidas. Casualmente, escutei uma pessoas dizendo:
_"Quem são elas?"

Logo vi os "Take That" e me lembrei das noites em Maidenhead quando nós cinco os imitávamos.

Eu era muito grande para ser uma de suas fans. As pessoas nos olhavam perguntando-se quem éramos. Eu estava contente com a olhada de Tina. Tony Blair estava sentado com Simon e Annie Lenox, eu tinha uma proposta para o primeiro ministro:

_"Sr. Blair, sou Geri e estou em uma banda completamente de garotas. Vamos fazer nosso primeiro vídeo... Você está interessado em fazer parte dele?"
_"Estou muito ocupado nesse momento, Geri"
_"Esté bem, vou perguntar a John Major"

Annie Lenox começou a falar conosco e nós estávamos ao redor dela como crianças famintas. Era a primeira estrela que com quem falávamos, depois de Courtney Love.

_"Vocês tem que concentrar-se na música"- nos dizia com seu sotaque escocês.

Nessa noite escrevi no meu diário:

"Segunda, 19 de fevereiro de 1996

Foi a noite mais grandiosa para a banda. Todas estávamos nervosas por dividir uma mesa com Lenny Kravitz e Vanesa Paradise. Eu me sentia orgulhosa... Que noite!

Lenny Kravitz me disse que com nossa atitude poderíamos fazê-lo"

Nosso primeiro single, ia ser feito nos primeiros dias de julho. Um dia nos encontramos com um produtor de um programa para crianças- Live & Kicking- e fizemos uma capela de Wannabe. Ele nos disse que adoraria que fossemos em seu programa quando o single estivesse pronto.
Tínhamos uma imagem para promover e essa imagem não tinha nada a ver com drogas apesar de Mel B e eu sermos mais rebeldes que as outras.

A imagem da banda foi se refinando. A princípio, todas usávamos a mesma roupa. Depois decidimos marcar nossa individualidade, usando roupas que demonstrassem nossas personalidades, tratando de não ser um grupo manufaturado.

Também decidimos não dizer que muitas de nós tínhamos namorados. Isto podia atrair mais fans.
Mel B e Victoria estavam de fato namorando, mas o resto de nós não tínham nenhum romance.

Um dia, Simon marcou um encontro com Suzie Aplin que tinha um programa com muita audiência, especialmente visto por adolescentes.

_"Chris Evans vai estar lá?"- perguntei.
_"Não sei, Suzie disse que é um homem muito ocupado"

Apesar de ele ter me humilhado, zombando de meu tape, eu considerando que era um talentoso apresentador de televisão. Eu estava excitada ante a possibilidade de encontrá-lo.

Encontramos Suzie Aplin em "Radios" e cantamos "Wannabe" para ela. Creio que ela ficou impressionada.
Quando terminamos a performance me dei conta que Chris Evans estava olhando através da porta de vidro... Ele havia gostado? Esquanto esperava sua resposta, ele disse umas palavras através do vidro:

_"Por que não voltam ao lugar de onde saíram?"

Então se foi. Eu me sentia decepcionada mas fiz cara de enojada diante das garotas. Não queria que me vissem assim. Queria demonstrar-lhes que não importava o que as pessoas pensavam.

Mel B voltou comigo para a casa de Karen. Fomos a meu quarto:
_"Ele nunca nos escutou"- eu disse.
_"O que pensa?"
_"Vamos mandar-lhe um fax"
_"Sim!"

Encontrei um pedaço de papel e uma lapizeira e escrevi:
"Querido Chris (cabeça de gengibre)... Oi: Somos as Spice Girls (Geri e Mel B). Estamos certas de que apreciou as pelotas*. Nós também.

Spice Girls.

Karen tinha uma máquina de fax em seu escritório. Depois de maná-lo nos sentimos melhor. Depois que Mel B se foi, fui até a geladeira e cortei um pedaço de torta de laranja. Me sentei na mesa da cozinha e me machuquei por mim mesma. Voltei para buscar mais um pedaço, e outro e outro.A torta havia-se ido. Encontrei um paquete de galletitas* e comecei a comê-lo, depois encontrei bombons de chocolate e menta. Comia e me mexia o tempo todo, não parei até comer tudo.

Escondi os paquetes de galletitas e fui ao banheiro... "Aqui vamos outra vez".
Chris Evans era alguém que eu sempre havia admirado e me preocupava com o que ele dizia. Nessa noite escrevi:

"Estou só. Quero alguém que me abrace e diga que vai ficar tudo bem. Vomitei e não havia feito isso por muito tempo.

Me odeio e me sinto desgostosa comigo mesma. Sabem o que sinto? Que Simon ri de mim. Ele pensa que sou estúpida e que corro ao seu redor como um pollo*. Pode ser que seja assim. Queria ver as coisas mais claras.

Quando leio o que estou escrevendo, provavelmente vou pensar: encaminate* vaca tonta"

Inesperadamente, Simon nos disse que Wannabe não seria nosso primeiro single. A Virgin Records queria que a primeira canção fosse "Love Thing". Eu estava em choque, eu era a única que estava no escritório de Simon quando ele tentava me convencer-me. Eu sabia que estava equivocado e sabia que as outras garotas pensavam o mesmo. Chamei cada uma das garotas de um telofone público. Emma tinha as coisas muito claras, Mel C disse "será Wannabe". Então chamei Simon:
_"Wannabe será nosso primeiro single"

Voltei pra casa em minha MG esperando que a Virgin visse as coisas como nós a víamos.

Numa segunda, 19 de abril, filmamos o vídeo de Wannabe. Era um edifício vazio em St Pancras, Decorado como uma grande mansão. Usei uma roupa que me custou e havia comprado em um bazar em Nothing Hill. Insisti em usar sapatos plataforma. Não podia mover-me com eles. Caí muitas vezes, mas parecia alta.

Nossa primeira entrevista foi para "The big breakfast" e passamos o tempo todo ensaiando as palavras. Estávamos aprendendo a fazê-lo, ninguém havia nos treinado.

Na tarde do sábado, vomitei outra vez. Não sei por que. Comi um pedaço de torta que havia na geladeira de Karen e me senti terrível porque não era para mim, assim que lhe escrevi um recado.

Depois, limpei o banheiro para assegurar-me de que não havia nenhum rastro. Então pensei em todas as pessoas que passavam fome no mundo e eu estava vomitando a comida. Eu odiava a mim mesma. Havia uma só resposta: tinha que remediar o que havia feito.

Dirigi até Tesco em minha MG e comprei 50 bananas, 50 maças, pão e fiambre. Então voltei para a cozinha e comecei a fazer pacotes de lanches. Mel C chamou:
_"O que você está fazendo?"
_"Almoços"
_"Oh"- não sabia o que responder.
_"Vai sair a noite?"- perguntou.
_"Sim, quer ir comigo a Londres?"
_"A que parte?"
_"Vou dar comida aos necessitados"
Mel C pensou por um segundo. Ela estava acostumada a mil brincadeiras...
_"Claro que irei!"
Encontramos gente dormindo na rua...
_"Aqui companheiro, tem algo para comer"
Eu levava os sanduíches e Mel as frutas. Algumas pessoas nos perguntavam por dinheiro "Aqui tem algo melhor que isso"

Eles souberam apreciá-lo. O lugar não era muito lindo. Era bom ter Mel C ao meu lado.
Então encontrei um rapaz:

_"Aqui tem algo para comer"- ele me olhou cautelosamente, certo de que não queria comer diante de mim. Havia duvidado que os homens tem seu orgulho.
_"Queria que tivéssemos feito mais"- eu disse a Mel C enquanto voltávamos pra casa.
_"Podemos voltar outra vez"
_"É muito triste, não? Isto te faz abrir os olhos e dar-te conta do afortunado que somos"

Eu me senti bem em ajudar a outros e tratei de limpar meus erros. Não o fiz para demonstrar aos demais a boa pessoa que era. Só era uma forma de compensar o que havia feito.

Mel C voltou pra casa e escutamos música. Nós duas podíamos ficar sentadas por horas discutindo idéias, escrevendo canções e falando de quando seremos famosas. Mel era uma das pessoas mais motivadas que havia conhecido e fora isso tinha muito bom coração.

Simon nos deu uma má notícia:
_"Virgin quer que voltem a gravar o vídeo"
_"Quê?!"
_"Eles não gostaram"
_"Estás brincando"
_"Não"

O vídeo havia custado 0.000. Era como tirar o dinheiro de uma maneira criminal. Pode-se comprar uma casa por esse preço. Estamos falando de 0.000.

_"Por que eles não gostaram?"
_"Não me importa"
_"Eles querem filmar um vídeo diferente para a América"
_"Por que?"
_"Os americanos fazem maiores produções"
_"Não, o vídeo é grandioso"- insisti- "Mostra como somos e o que nós gostamos"

Em maio, a Virgin decidiu por o vídeo em "The Box", a meses antes que o single saísse oficialmente. Esta era a prova mais importante para "Wannabe".

Na primeira semana o clipe passou 70 vezes. Isso era um bom sinal. Nossa primeira aparição na T.V., foi um Surpresa Surpresa onde fazem sonhos realidade. Neste caso, realizaram o sonho de uma garota que queria ser dj, podia por seus discos favoritas e entrevistae grupos de música.
Um deles, éramos nós. A pobre garota não tinha idéia de quem eram as Spice Girls. Ela olhou desconcertada. Creio que estava esperando Take That. Não tinhamos um single para presenteá-la, então lhe demos um pôster. Ao final passaram Wannabe e filmamos um vídeo especial para o programa.

Mamãe disse a todas as suas companheiras de trabalho que eu havia estado ali. Ela não se mostrava contente diante de mim. Creio que em sua mente estava pensando: por que não pode ser uma professora?

Mamãe se fixava em detalhes como em meus sapatos, por exemplo. Para uma opnião honesta, chamava a Janine. Ela sempre me dizia a verdade.

_"Estiveste grandiosa"

Poucos dias depois, em 16 de maio, filmamos um segmento para um programa chamado Hotel Babylom. Muitos de meus amigos de Watford estiveram na audiência. Cantamos Wannabe e nunca estive tão nervosa. Haviam quase 100 pessoas na platéia. Minhas pernas tremiam e todo mundo se deu conta.

Mel C estava ao meu lado e em um segundo coro, a olhei. Então me dei conta de que as pessoas estava, dançando...
_"Deus meu!... Eles gostaram!"
_"São fabulosas"- disse Natalie.
_"Sim?"
_"Brilhantes"

Depois do programa, dirigi até Oxford para ver uma amiga. Pus o demo de "Mama" e cantei com meu tom mais alto de voz. Então vi as luzes de um carro de polícia:
_"Você não viu os flashes das luzes?"
_"Não, sinto muito, não os vi. Geralmente este carro não vai tão rápido"
Tomou minha licença e me disse que o acompanhasse. Depois me olhou através do espelho retrovisor:
_"Eu te conheço, você esteve no Surpresa Surpresa"
_"Sim"
_"Reconheço seu rosto. Você está em... eh"
_"Um grupo Pop, "As Spice Girls"
_"Sim"

Ele começou a contar a história a seu companheiro. Eu fui muito doce:
_"Você gosta da música?"
_"Sim muito"
_"Tenho filmado para o Hotel Babylon"
_"Vou assistir"
_"Me deixará livre então?"- Eles olharam um para o outro...
_"Nah!"
Muito claro, eu não era tão famosa para pagar-lhes entradas.

Uma semana depois, fomos ao Japão fazer promoção. Quando chegamos nos tiraram fotos e nos fizeram entrevistas. Os japoneses eram muito amigáveis e por uma vez na vida, não tinha que olhar para cima para olhar as pessoas. Até os homens eram a meu nível. O problema era que eles não são acostumados a dar beijos, só apertar as mãos. Eu achava isso muito estranho porque era carinhosa.

Nas entrevistas eu ficava estérica porque não sabiam pronunciar meu nome. Geri soava como Gelly.
Mel B e eu éramos as que mais falávamos. Contamos como havia se formado o grupo e o quanto nós éramos amigas.

_"Vocês tem namorado?"
_"Não todas, mas estamos buscando"
_"Wink, wink, quero um namorado japonês"
_"Pode levar um na carteira"- disse Mel B.

"Terça (terceiro dia no Japão)

Bem, é de manhã. Emma e eu estamos na cama. Nenhuma das duas pode mais comer comida japonesa. As vezes, isto parece um aexcursão de escola. Muitas regras. Só faltam 4 dias para ir-mos. A seção de fotos é hoje. Grandioso."

Estava decidido que Wannabe seria terminado no dia 8 de Julho. Em mês antesm havia sonhado com o disco, assim a Virgin estava certa de qu etinha um êxito em suas mão.

Eu havia terminado de ler o livro de Louse Hay chamado "You can heal your life"

Escrevi em meu diário:

"Wannabe é o mais vendido em 1996"
"É o vídeo mais vendido do ano"
"As Spice Girls são um sucesso"
"Sou fraca e charmosa""George Michael é meu marido
"Eu sou respeitada"
"Sou feliz"
"Tenho amigos especiais"
"Minha vida está em ordem"
"Me sinto amada"

Pus tudo isso porque o livro dizia que para se sentir melhor, devia escrever as coisas que queriam que acontecesse, mas no presente.
Pus George Michael na lista porque pensava que ainda podíamos nos casar. Não se perde todas as ilusões de criança.

Na segunda semana de Julho, tudo rodava ao redor dos charts. Era Wannabe uma boa eleição? NEsse Domingo, convidei as garotas para ir a casa de Karen escutar o top 40. Isso me fazia lembrar da minha época de escola quando escutava a rádio esperando que Madonna estivesse em nº1. Agora estava esperando minha própria música que finalmente estava em nº6... poderíamos subir?

Dias depois Wnnabe fui ao máximo: estav em nº3. Nesse momento dançamos pelo jardim descalças.

Nesse dia encabeçamos o título do "Daily Star". O título era "Hot Spice". No dia seguinte, voltamos ao Japão para mais uma promoção. No caminho, recebemos a notícia de que o Top of the Pops queria que estivéssemos lá.

Wannabe seguia em nº3 mas o novo chart era sábado.

Era de tarde quando Camila, a secretária de Simon veio com um sorriso no rosto:

_"Simon disse que tem que abrir uma garrafa de champagne"
_"Por que?"
_"Porque Wannabe é nº1"
_"Quê?!... Somos número um!!!"

Celebramos no hotel chinês e Mel B pediu champagne. Bebi tanto que me sentia triste. Não queria estar na outra ponta do mundo, queria estar em casa. Este era o momento que havia esperado sempre. Minha vingança a todos que me ridicularizaram e minha maneira de agradecer a todos que me apoiaram. Queria que me vissem, então poderia dizer: Olhem-me..., o fiz!

13
SCARY, GINGER, SPORTY, BABY E POSH
Uma semana depois nos apresentamos no Capital Radio RoadShow no Clapham Common. Dr Fox se encontrou conosco no palco depois do nosso set. "Eu tenho ótimas notícias para te falar, garotas", ele anunciou. "Vocês são número 1 pela quarta semana consecutiva".
A platéia aplaudiu e Fox perguntou, "O que você acha disso, Geri?"
"Puta merda, é demais!", Eu gritei.
De repente teve uma pausa coletiva para respirar.
Oops! Eu tinha xingado ao vivo no rádio e para 10 mil pessoas.

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NOME DOMÉSTICO
A boa notícia era que o álbum Spice foi direto para o número 1 e vendeu na proporção de 4 para 1 em relação aos outros 4 álbuns juntos do top 5. O Spice Girls Fã Clube tinha novas pessoas inscritas numa média de 10 mil por semana.

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FESTA PICKLE
Eu ergui o troféu pra cima de minha cabeça e triunfante gritei: "Aê, Girl Power!". Quando meus braços estavam em cima, meu vestido Jessica Rabbit escorregou, dando a todos os presentes uma visão dos meus seios maior do que eu pretendia mostrar. Eu não fazia idéia de qual manchete dominava os tablóides na manhã seguinte.
"Amavél Brits", dizia o Daily Star. "Spice Girls ganham dois GRANDES PRÊMIOS no Super show Pop".
Patty Pickle fez isso de novo. "Pelo amor de Deus, Geri, você não consegue deixar seus peitos dentro da roupa?"", Mel C brincava.
No auge disso, todas as páginas de frente acompanhava uma foto do vestido Union Jack.

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UM BEIJO DE BATOM
A música "Too Much" estava começando a surgir enquanto nós estavámos filmando nas docas de Londres em um grande set fechado. A segurança tinha que ser especialmente rígida porque a mídia estava desesperada em angariar fotos das Spice Girls filmando nas ruas. Enquanto eu terminava o set no carro, o portão enorme de metal se abriu e havia centenas de fãs e jovens tentando entrar. Eles tiveram que ser levados pelos seguranças. Sentando no banco de trás do carro, eu rabisquei algumas coisas no meu livrinho vermelho, algo sobre amor ser cego e como tantas vezes as palavras podem ser profundas mas na verdade não tem sentido. Eu pensei que daí poderia começar o primeiro verso. Mais tarde as outras me ajudaram a completar a introdução. Mel C e eu escrevemos "no meio das oito" e Andy e Paul em Richmond.

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SPICE KAMPF
O show foi aberto com uma grande produção da música "If You Can't Dance". Nós tivemos que esperar atrás de uma enorme porta de metal que nos levantava mecanicamente e soltava explosivos de fumaça e fogos de artifícios. Meu coração pulsou com força. Nós não conseguíamos ver a multidão do lado mais distante da rampa, mas conseguimos escutá-los. Os primeiros acordes da banda soaram e a rampa começou a subir. Mas ao invés de levantar, ela sacolejou para cima e quase nos decapitou. No último segundo, nós tivemos que abaixar a cabeça sob ele.

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O BACKLESH
Sábado, 6 de Dezembro - Brasil
Estou deitada na cama, lutando contra os mosquitos e ouvindo os sons da Amazônia. O dia de hoje foi uma comédia de erros. Nós chegamos esta manhã, vindas de Las Vegas. O hotel era um pesadelo, escuro e depressivo,sem segurança. Repórteres e fãs estavam perambulando pelos corredores e batendo nas portas.
O prefeito local nos ofereceu o barco dele. Eu esperava uma lancha motorizada luxuosa, mas essa coisa parece mais com "a rainha africana". Eu meio que esperava ver Bogey emergir da casa de rodas coberto de óleo e gordura. (Acho que ela tá falando do filme Anaconda, que foi filmado na Amazônia).
É tudo muito charmoso e antigo mas a prancha rangia. Não há ar condicionado e aquele era decididamente um porto de bebidas enganoso. Deixa para lá. Eu estou tão cansada que poderia dormir em pé.

Boa noite.
Domingo, 7 de Dezembro - Brasil
Victoria acordou se sentindo mal. Não era um bom começo para o dia. Eles queriam que nós fossemos de canoa com os vencedores da promoção da MTV, nenhuma de nós gostou da idéia de subir naqueles barcos de madeira finos.
Ao invés disso, nós fizemos uma conferência para imprensa e conhecemos os fãs no hotel. Victoria ainda não estava bem. Nós cumprimos todos os nossos compromissos dentro de 24 horas, então pudemos ir para casa um dia antes.

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O SÍNDROME DO NAMORADO
Eu voltei com uma tigela de comida de cachorro, mas o gato ginger parecia não se importar, pois jogava tudo pra dentro. Infelizmente, ele terminou logo, deixando uma bagunça fedida no chão da cozinha que eu tive que limpar. Estava um pouco frio essa noite e eu não conseguia decidir se colocar o gato ginger pra fora ou se deixava ele ficar. Eu gostava em tê-lo por aqui porque eu me sentia um pouco só. Nós dois implorava por um pouco de calor, eu creio, e compartilhamos o nosso um com o outro. De vez em quando eu levava ele para andar no jardim e então deixava ele se enrolar em frente à TV. Nessa noite ele fez xixi em cima de minhas roupas. Eu tinha que voltar pra Irlanda no dia seguinte. O gato não queria deixar a casa. A cada momento que eu tentei fechar a porta, ele voltava pra dentro. Finalmente eu consegui mantê-lo do lado de fora. Quando eu estava dirigindo eu o vi sentado no primeiro degrau. Ele não estava lá quando eu voltei pra casa.

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ANTES DO ADEUS
Fim de Fevereiro de 1998
Da Irlanda nós voamos num vôo privado para Suíça para uma apresentação em Zurich. De lá nós nos movemos para Frankfurt. Um chofé encontrou-nos no aeroporto e nos dirigiu ao hotel. Eu estava sentada, Victoria sentada do meu lado oposto e Mel C na frente. Emma e Mel B estavam sentando juntas.
Um chuva fraca caiu e escorria pelas janelas. As garotas começaram a falar sobre o que nós faríamos depois de Setembro.
'Primeiro vou tirar umas férias', Mel B disse.
'Eu também' - Victoria completou.
Ela estava sacodindo uma revista sobre música.
'Mas nós não podemos demorar muito' - disse Mel C.
'Nós temos que manter a bola rolando'.
Houve tentativas de extender o tour mundial para a Asia e Australia. No ápice disso, as 2 Mels tinham falado sobre fazer carreira solo. Não teve nenhuma sugestão partida do grupo. Elas fariam coisas simples individualmente e então voltariam para as Spice Girls.
A chuva engrossou.

Eu via a paisagem se misturar com sombrinhas, ou pessoas entre as entradas das lojas. (...)

'Eu penso em não continuar depois de Setembro', eu disse, ainda olhando pela janela.
'O que?'
'Bem, eu não tenho certeza. Só estou pensando...'
'Por que? O que você fará?' Mel C perguntou.
'Eu não sei. Eu só acho que Setembro seria um ótimo momento para acabar. Vocês não acham? Em frente às nossas casas uma multidão...'

Eu lancei isso mas ninguém reagiu. As garotas simplesmente assumiram que eu estava fazendo piada ou tendo um mal dia. Eu não disse mais nada, mas eu percebi que nenhuma delas tinham idéias de terminar depois da turnê mundial.
Terça feira, 3 de Março de 1998
Eu desço em uma estrada oleosa e insegura, constantemente em exposição ou eu apenas paro e tomo uma trajetoria diferente e faço minha própria jornada tranquilamente?
Nada além de um sentimento horrível de porque estou fazendo isso. Por dinheiro? Fama? Chegue logo, Setembro. Eu quero parar.

Está indo tão depressa eu nem posso pensar. Sim, eu deveria partir disso e ser uma pessoa melhor e me encontrar em meu proprio prazo. Isso parece bom pra mim. Entao, eu tenho uma voz interna que diz: "Esqueça isso. Voce não poderia fazer nada sem elas. Você tem que ser corajosa". Mas meu outro lado diz: "Voce não pode ficar justamente porque você está com medo". No meu pensamento, eu quero optar pela escolha correta. O problema é que não consigo achá-la.
Segunda, 9 de Março de 1998
Eu estou no camarim em Milão, esperando para ir ao palco. Eu de repente anunciei: "Eu definitivamente abandonarei depois do Wembley Stadium em Setembro". Ficaram em silêncio.
"Por que você quer sair?" Victoria perguntou.
"Eu já tenho o suficiente. Eu só quero fechar com chave de ouro em Wembley."
Outra vez, houve um longo e incomfortável silêncio. Eu não conseguia olhar para as garotas.

Geri na turnê em Milão
"Isso se parece como 'Take That Moment' ", Mel C disse. Isso é do mesmo jeito como foi quando Robbie se foi. Você está agindo igual ao Robbie conosco?
"Não, não estou. Eu estarei aqui até Setembro. Eu estou comprometida com a banda".

Eu não tinha uma razão definida para sair. Foi uma combinação de coisas, uma concentração de emoções que estavam me deixando acordada na noite. Elas me deixaram com ciência irresistível de que eu tinha que ir em Setembro. No outro dia, enquanto nós voávamos para Marseilles, onde as coisas continuavam superficialmente como se estivessem normais, mas eu senti que as garotas sentiam-se mal e machucadas. Isso era incompreensível. Nós estavámos tão íntimas. Nós tinhámos compartilhado o mesmo sonho. Nós tínhamos sido clara sobre o que queríamos. Nós lutamos por isso juntas e agora isso está imterrompido. Agora eu penso, bem profudamente, elas sentem como se eu estivesse as abandonando.

Por dentro eu também estava chorando. O casamento estava terminado e foi quase como um veredicto. Mas eu espero que até Setembro, e posteriormente, todas nós possamos permanecer amigas. Então eu desejaria a elas sorte enquanto elas continuavam sem mim. De várias formas eu senti que nossa amizade deve ter uma mesma e ótima qualidade porque nós poderíamos voltar a ser companheiras melhor que sócias.
Quinta feira, 21 de Maio de 1998
Na semana seguinte, bem naturalmente, o grupo começou a fazer um rebalanço dele. As 4 garotas ficarem juntas e continuavam planejando o futuro. Parecia tanto estranho quanto triste saber que eu não seria parte dos planos delas, mas eu sei que foi uma fase no processo da saída.

Por quase um mês o The Sun tinha perseguido uma história sobre a operação que eu tive quando jovem para remover um tumor do meu seio. Alan Edwards tinha convencido eles adiar a história sugerindo que eu poderia cooperar dando uma entrevista a eles. Minha primeira reação foi dizer não, eu não queria falar sobre isso.
'Eles vão te considerar desrespeitosa fazendo isso', Alan disse.
Aí eu pensei mais sobre isso.
'Isso realmente poderia ser uma história bem positiva'.
'Definitivamente', Alan disse.
'Nós podemos transformar isso numa campanha de alerta ao câncer de mama. Tem muitas garotas achando que isso é uma doença que só afeta mulheres mais velhas'.
'Exatamente'.
'OK, vamos ver o que elas dirão'.

Um dia antes, enquanto voávamos de volta à Inglaterra, vindas de Estocolmo, eu folheei o livro 'Antes de dar adeus' de Ruth Picardie. É uma das mais tristes e comoventes histórias que eu já li. Picardie era apenas uma mulher de 30 anos quando foi diagnosticada com cancer de mama. Entre uma série de artigos, ela descreveu o progresso de sua doença do início até sua morte em Setembro de 1997. Eu comecei a ler o capítulo final enquanto nós chegávamos depois da meia noite no avião. Lágrimas estavam correndo pelo meu rosto. O impacto da história de Ruth parecia se misturar com minhas próprias frágeis emoções. Eu me senti isolada e sozinha. Não havia ninguém perto de mim a qual eu poderia dar a mão. Pelo contrário, eu me encontrava no banheiro, onde eu pensei e tive um bom choro.
'Se aguente, Geri', Eu disse pra mim mesma. 'Você pode aguentar mais 10 semanas'.
Quando nós saímos do estúdio, Mel C perguntou se eu estava OK.
'Sim, eu ficarei bem'.
Ela me deu um abraço.
Terça feira, 26 de Maio de 1998
Essa tarde Tor anunciou que 'News At Ten' queria me entrevistar sobre o câncer de mama.
'Isso não é uma promoção das Spice Girls, é mesmo uma tarefa de peso'.
Eu me senti pessoalmente entusiasmada. O ITN notícias da noite pretendia uma grande audiência e só mostrou projetos sérios. Eu poderia fazer uma importante campanha sobre câncer de mama e prevenir mulheres jovens de que elas precisam ser vigilantes.

ITN estava interessado, como disseram a Tor, em durar apenas 10 minutos. Certamente eu poderia encontrá-los depois do combinado. Porém, nós não tinhámos concordado que eu poderia fazer isso. Enquanto isso, o tempo ia passando e se esgotando.
'Geri, eles estão pedindo se você pode fazer isso amanhã de volta à UK', Tor disse.
Hesitante, eu concordei. Eu ansiosamente queria fazer isso, particularmente depois de ter lido o livro de Ruth. Aqui estava uma chance de enviar uma grande e positiva mensagem.
Depois da reunião, nós estávamos embarcados no avião à bordo em um jato privado para o vôo de volta à Inglaterra.

Havia uma estranha vibração no avião. Ninguém falou. Eu não queria falar sobre a entrevista do ITN. Melhor deixar todos dormirem. Eu estava certa de que elas se sentiriam melhores conversando sobre isso na manhã. Elas estavam cansados.
Quarta feira, 27 de Maio de 1998 (1 da manhã)
Estou totalmente vazia. Eu não acredito. Eu acabei de ouvir a notícia de que a entrevista do ITN foi cancelada. As garotas queriam que eu esperasse até Setembro! Eu não posso esperar. A história acabou agora. Esqueça o grupo, isso é sobre salvar vidas. É sobre alertar mulheres jovens contra os perigos do câncer de mama.

Eu sinto que alguém mexeu no desvio do trem que eu estava à bordo e de repente fui envianda a um lugar totalmente diferente, em outra direção e fora do controle.
Eu não consigo entender porque as garotas não me deixaram fazer a entrevista. O que aconteceu conosco? Nós estamos em um lugar diferente de onde nós começamos... Sou eu ou elas que está diferente? Tudo que eu sei é que eu amei e perdi. Eu desisto. Não é mais o mesmo. Meu coração está partido. Eu não posso continuar mais. Qualque que seja a razão da decisão delas, não é justo pra mim.
Algo dentro de mim morreu. Eu me sinto doente. As garotas sempre me disseram que elas são entretedoras profissionais e que tem colocado todo seu amor nisso. Eu sei que elas poderão continuar sem mim.

Esqueça o resto da tour na Europa. Esqueça a América! Esqueça o Wembley! Ginger Spice acabou. Ela saiu do grupo.
Entrando no meu carro, eu dirigi em direção à casa de Max. Eu conseguia ver minha expressão abalada. Eu estava ficando histérica. Não havia jeito dele me consolar.
'Não posso voltar. Isso não é justo'.
'Você está louca. Aguente até Setembro', ele disse, enquanto tentava me abraçar.
'Estou saindo. Meu espírito está morrendo', eu solucei.
Quarta feira, 27 de Maio de 1998, 10 da manhã
Querido leitor,
Eu não tenho dormido. Eu passei a maior parte da noite escrevendo um a carta para as garotas que eu nunca as enviarei. Eu deitei na poltrona de Max, rabiscando página pós página, torrando meu coração.

Agora as garotas já sabem que eu não voltarei. É um jeito triste para as coisas terminarem. Eu espero que eventualmente elas entendam porque eu fiz isso. Eu acho que é melhor para todos se eu sair. Eu só desejo que continue do jeito que costumava ser. 5 garotinhas dividindo o mesmo sonho juntas.
Essa tarde as garotas se apresentaram no programa National Lottery sem mim. Elas explicaram que eu tinha uma indisposição e mandou uma mensagem de 'fique bem' bastante convincente no ar.
Victoria tentou entrar em contato durante o dia, mas eu me senti muito aflita para falar. Não havia nada a ser dito.

Eu fiquei na cama e liguei a televisão. Uma fotografia minha preencheu a tela.
'Especulações de desavença dividem as Spice Girls. Isso ocorreu na noite passada no programa National Lottery quando Geri Halliwell, mais conhecida como Ginger Spice, não apareceu. O porta-voz das meninas explicou que Geri estava indisposta, mas a imprensa especula uma briga entre o grupo. Geri não aparece em público com o grupo desde o último show em Helsinski na noite de Terça feira...'

O apresentador do Sky News terminou a notícia dizendo:
'Geri, se você está assistindo, nós dê um sinal. Deixe nos saber que você está bem'.
'Estou aqui', eu disse, acenando para a tela.

FINAL
28 de Maio de 1998
Eu apoiei meu cotovelo na mesa de café e comecei a filmar.
‘É quinta-feira, vinte e tanto de maio e eu estou em Paris’. Eu falei para a câmera sentindo um pouco de peso na consciência.
‘Ontem eu saí das Spice Girls. Eu achei que seria mesmo uma boa idéia filmar minha vida depois disso. Muita coisa aconteceu e agora vou registrá-las mesmo que eu esteja ocupada’.
‘No momento eu estou tentando me esconder da mídia. Eu me sinto muito aflita, com muitas emoções misturadas. Por favor, por favor... eu espero que algo bom venha disso.’
Acabei de ficar sabendo que o restante das garotas estavam em Oslo. Elas tinham mais 2 shows para fazer antes de terminar o pedaço europeu da tour mundial. Então, depois de 10 dias de descanso, a tour na América começaria. Eu senti meio inconfortável com o fato do grupo estar junto no feriado. Eu também sabia o quanto as garotas foram boas quando sob pressão. Minha partida repentina manteria as quatro juntas e elas continuariam boas tanto quanto antes.
Igualmente, uma vez minha partida se tornando um conhecimento público, elas mostrariam ao mundo que elas podem sobreviver sem mim. Seria o teste definitivo do talento e profissionalismo delas. Eu sei que elas podem continuar.
O show foi em frente e elas retrabalharam as canções e dividiram entre elas as partes que eu cantava.
29 de Maio de 1998
Na manhã seguinte os jornais estavam dominados pela história. O Daily Express dizia: SPICE GIRLS DIVIDIDAS ENQUANTO GERI FICA DE FORA.
O The Sun foi bem mais além aclamando que eu saí das Spice Girls, deixando a banda numa crise. The Sun também tinha um cartaz oferecendo uma recompensa para alguém que saiba o meu paradeiro.
Enquanto isso, as discussões legais já estavam à caminho. Julian Turton veio me ver em Paris e explicou a situação legal. Os jornais especulavam que se a turnê na América desmoronasse eu poderia ser processada por milhões de libras.
‘Eu não me importo se eu perder cada centavo’, eu lhe disse. 'O dinheiro não me importa’.
Era aniversário de Mel B. Eu imaginei o que as garotas estavam falando e fazendo. Durante a noite eu tinha pensado bastante sobre as Spice Girls, e em particular nossos fãs. Eu não queria que eles se sentissem mal, ainda que eu tivesse que deixá-los. Esse foi o maior peso, eu nunca seria capaz de dar um adeus propriamente dito pra eles. Isso é o que eu faria no Wembley Stadium em Setembro.
Sky News estava agora dando boletins a cada 15 minutos do "Desaparecimento da Ginger Spice". Começou uma busca mundial.
Todos concordaram em uma declaração de abandono formal na imprensa no sábado à tarde. Naquela manhã eu escrevi minha declaração à mão enquanto eu esperava o vôo para Mauritius. Eu de repente percebi que eu devia mostrar o texto pra alguém primeiro. As garotas tinha todo um time de conselheiros, mas eu não tinha nenhum.
Então eu me lembrei de Matthew Freud, um publicitário que eu encontrei na casa de Chris Evans. Eu liguei para Chris e consegui o número de Matthew. Ele me ligou de volta antes de eu estar à bordo do avião e eu li a declaração para ele.
"Está legal", ele disse.
Ambos os lados estavam trocando declarações para ter a certeza de que os dois concordaram com a redação.
30 de Maio de 1998
Eu liguei a TV, e em poucos minutos o anunciador do Sky declarou: 'A qualquer momento nós estaremos ao vivo para ouvir a declaração de que Geri Halliwell deixou as Spice Girls'.
Eu me senti nervosa.
Julian Tunton estava num degrau do escritório de Andrew Thompson. Ele estava envolvido por dúzias de câmeras de TV e centenas de fotógrafos. ‘Obviamente isso deve ser a coisa mais importante que está acontecendo no mundo’, eu resmunguei. ‘Eu só estou deixando um grupo pop, pelo amor de Cristo’.
Julian leu a declaração:
Essa é uma mensagem para os fãs.
Infelizmente, eu gostaria de confirmar que eu sai das Spice Girls.
Isso é por causa de diferenças entre nós.
Tenho certeza que o grupo vai continuar bem sucedido e eu desejo o melhor pra elas.
Eu não tenho nenhum plano no momento.
Gostaria de pedir desculpas para todos os fãs e agradecê-los e a todos que estiveram aqui.
Muito amor, Geri
P.S.: Eu voltarei.
Eu tinha misturado emoções enquanto eu assistia. Eu tentei me afastar disso tudo, como se isso fosse me deixar aflita. Talvez eu estivesse tentando me convencer de que eu já tinha mudado. Eu falei para mim mesma que isso foi um bom sinal.
A busca mudial por Geri Halliwell tinha engrenado. Matthew entrava em contato comigo a cada poucas horas me matendo atualizada.
Aparentemente, certo jornal tinha dado um preço na minha cabeça com uma oferta especulativa de ¢G 500.000 para as primeiras fotografias.
Última Parte
Segunda, 1 de Junho de 1998
As coisas estavam me enlouquecendo pra minha volta à Inglaterra. Todo mundo estava procurando por mim. Meio milhão de libras em fotografias é um montante indecente. Isso significa que eu não poderia me esconder eternamente. Mas, onde eu posso ir? Eu estou tão preocupada até em deixar meu quarto e ser reconhecida. Eu não me sinto mais segura aqui. Eles vão me achar. Como vou conseguir sair? Eu não posso pegar um vôo normal.
No outro dia, eu tinha uma mensagem para ligar pro Luciano Pavarotti na Itália. As Spice Girls foram convidadas por ele mesmo para aparecer no show num auxílio às crianças na guerra, a caridade favorita do tenor. Estava marcado para a semana seguinte.
‘Por favor, Geri, volte, nós podemos ajeitar isso’, ele disse, compreensivelmente abalado.
‘Nós podemos marcar um encontro’.
‘Sinto muito, Maestro, eu acho que é muito cedo para um encontro’.
‘Você tem certeza?’
‘Sim. Eu não posso fazer isso. Me desculpe’.
Eu pensei em pegar um jato pra voltar à Inglaterra. Quanto isso custa? 80 mil libras! Uau! Pra onde eu iria então? Eu não tenho nenhum lugar que seja meu. Dúzias de jornalistas estavam acampados lá fora.
A casa de mamãe é em Jubilee Road. Qualquer que estava deixando a casa era perseguido por eles indo atrás do meu rastro. Mamãe não podia nem fazer compras sem ser rastreada pelas passagens do supermercado. Aconteceu o mesmo com Natalie, Max e Karen. Não importa aonde eu for, a imprensa vai me encontrar.
Me deitei na cama, me sentindo vulnerável e fragilizada. Eu conseguia entender que a mídia tinha um trabalho a ser feito, mas certamente haviam histórias mais importantes no mundo. Eu estava ainda frágil e fora de balanço emocionalmente. Eu não queria ser fotografada nem ter que responder à perguntas. Por 3 anos eu me diverti com atenção de todos, mas agora eu percebi que você não pode mais deixar de tê-la.
O telefone tocou. Era Ken Berry, o chefe da Virgin Records, me ligando para saber se eu precisava de alguma ajuda. Ele tinha uma casa em Tuscany e a ofereceu pra mim como um santuário.
‘Eu também tenho um oferta de George (Michael). Ele disse pra te dizer que se você precisar de algum lugar para ficar, ele tem locais em St Tropez e Los Angeles. Você é bem vinda lá’.
Eu não tinha falado com George por enquanto. Agora, em horas de necessidade, ele veio pra me salvar. Eu senti como se um anjo descesse pra mim.
Geri na casa de George
Eu voei pra St Tropez. Quando eu finalmente cheguei na vila de George, me senti num santuário.
Em poucos dias, George e seu parceiro, Kenny Goss, foram como grandes amigos pra mim, me dando espaço pra repousar e comer bem, e me dando o apoio de que eu precisei enquanto minha cabeça nadava em perguntas que não tinham respostas imediatas.
‘O que eu vou fazer?’
‘Não se apresse, Geri. Tudo tem seu tempo’. George disse. ‘Você tem mais tempo do que você pensa antes que as atenções para você fossem embora’.
‘Já pensou em cair na estrada?’, Kenny disse.
Eu pensei por um momento. Ele e George tinham passado toda a tarde me falando que eu não poderia deixar que a imprensa impuzesse minha vida.
Certo. A partir de hoje nenhum lamento. Eu tenho as coisas sob meu controle.
Segunda, 15 de Junho de 1998
Eu sei que fiz uma decisão certa saindo, mas como será o desfecho? O que vai acontecer pra mim? Eu quero que esse tempo seja claro. Eu queria que nós fóssemos amigas. Haviam muitas fases desse divórcio. Primeiramente, eu estava mesmo muito irritada. Agora eu estou entrando num período triste. Eu imagino se acontece o mesmo com elas...
Boa noite.

Geri World
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